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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Guest post: diminuindo o guarda-roupa devagar e sempre

A Anne Elise deixou um comentário no post anterior contando como foi praticando a ideia de desapegar devagar e sempre no seu guarda-roupa. Pedi a ela para publicar como post e aqui está.

Eu nunca curti fazer compras, e nem acumular coisas em excesso, mas não tinha muita noção do conceito de minimalismo. Em 2013 comecei a ler o blog e desde então as coisas começaram a ficar bem claras pra mim. Comecei a me esforçar pra ir diminuindo cada vez mais meus pertences (por questões ambientais, por paz de espírito, e pra doar a alguém que precise e vá fazer melhor uso).

No final de 2014, após voltar de uma estadia de 6 meses no Haiti (sou militar), percebi quanta roupa eu tinha! (mesmo considerando "pouco" quando comparado a maioria das mulheres que conheço). Fiz uma limpa geral.

Como trabalho uniformizada, uso muito pouco as minhas roupas "civis". A maioria delas estava muito bem conservada, por isso eu tinha pena de doar. Pensava que poderia guardar, pra usar futuramente... Mas percebi o quanto esse pensamento não faz sentido. Por que esperar a roupa ficar velha pra doar? Quem receber, iria preferir receber uma roupa velha ou uma roupa nova? E aí vi que se formos dar algo pra alguém (presente ou doação) é bem melhor dar algo que eu gostaria de receber, do que algo em más condições, que eu não iria querer pra mim. Óbvio, né?

Pra conseguir determinar o que deveria ficar, e o que sairia, separei as roupas em algumas categorias: roupa pra festa de noite, roupas pra sair de noite (barzinho/boate), roupas pra saidinhas/festas de tarde, roupas pra usar no curso, roupas pra uso geral (ir no mercado), roupas pra ginástica/passear com cachorros, roupas pra ficar em casa etc. Depois de dividir em categorias, comecei a pensar na frequência de utilização.

Festas de tarde, por exemplo, eu havia ido em umas 3 no último ano (festas de crianças). E eu tinha 5 vestidos pra essa finalidade! Fiquei só com dois, e os outros três, embora novos e lindos, foram doados.

Roupas pra sair de noite, eu tinha várias, entre blusas (pra usar com calça jeans/social) e vestidos. Se eu sair uma vez por semana é demais, então mantive uns 5 conjuntos pra essa finalidade, e o resto foi doado. E assim por diante.

No fim, acho que reduzi minhas roupas quase pela metade (doei quase 100 peças).

Doei tudo em um centro espírita que faz um bazar, e vende bem baratinho: assim quem comprar - normalmente pessoas de baixa renda - vai poder comprar bem baratinho, e vai fazer bom uso (prefiro sempre vender bem barato a doar. Acho que quem paga pela coisa, por mais barato que seja, costuma cuidar melhor), e o Centro ainda ganha um dinheirinho pra ajudar na manutenção interna. E eu me livro daqueles montes de roupas guardadas.

Agora, quase 2 anos depois, tenho visto como já acumulei de novo. Não comprei nenhuma roupa nova desde então, mas minha irmã, minha mãe e uma amiga me deram algumas roupas que elas não queriam mais e ganhei algumas várias novas de presente (principalmente da minha mãe, que SEMPRE me dá presentes). Está na hora de fazer uma limpa de novo. E acho que essa época de fim de ano é uma ótima oportunidade de recomeçar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Há 7 anos com 2 biquínis

No carnaval de 2009, comprei um biquíni para ir à Trindade, no Rio de Janeiro. Adorava aquele biquíni.

Trindade, 2009
Em 2012, ele descosturou. Comprei outro, mas mantive aquele para ir ao sítio, ao clube. Deixava o novo para as viagens.

Aruba, 2012

Itacaré, 2014
Agora em 2015, me dei conta de que podia costurar o antigo e voltar a usá-lo. O azul também continua em uso.

E foi só chegando em Trancoso que eu reparei que há 7 anos, tenho usado (e uso muito - amo praia e piscina) os mesmos 2 biquínis.

Trancoso, 2015

sábado, 18 de abril de 2015

Desapegando de roupas que precisam passar

Já doei muitas e muitas roupas que eu tinha desde a época pré-minimalista. Já desapeguei de roupas desconfortáveis, pijamas, esportivas, entre várias outras. Mas agora que eu tenho a minha própria casa, e com isso passei a ter que gastar mais tempo com o lar, fui percebendo outro tipo de item do guarda-roupa que dá um trabalho danado: roupas que precisam passar.

Não só é um trabalho muito chato e que logicamente não faz o menor sentido, mas passar roupa demanda tempo. Além disso, é irritante você querer usar uma roupa e ter que passá-la. Não dá pra tirar do varal e usar. Sem contar que muitas das minhas roupas eram passadas e depois acabavam amarrotando de novo por ficar dentro do armário, mesmo quando estavam penduradas da melhor maneira possível.

Então resolvi diminuir ao máximo meu volume de roupas que precisam ser passadas. Doei um monte de blusas dessas mais soltinhas que amarrotavam sempre no armário. Doei alguns vestidos também. Só mantive duas blusas sociais, mas que são para casos extremos como reuniões. No dia-a-dia, só aquelas roupas que eu tiro da máquina e coloco para secar esticadas, e assim elas já ficam prontas para uso. 

A vida é muito curta e corrida para perder tempo passando roupa.

Blusa bonita, mas que dava um trabalho para passar e guardar...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Desapegando das roupas velhas, parte III

Depois da última reflexão, fui dar um jeito de desapegar de algumas peças de roupa velhas do meu armário. Por uma dessas coincidências da vida, uma prima minha me ligou dando a ideia de a gente fazer um novo encontro de trocas

Então, juntei todas aquelas coisas que eu queria doar e ainda algumas roupas que ainda estavam novas, mas que eu não gostava muito. Se as minhas primas gostassem, eu ficaria mais feliz de tê-las usando as peças do que se fosse eu. 

Encontramos, nos divertimos e trocamos muita coisa. Só que todas levamos mais coisas do que pegamos das outras (o que nos faz pensar no tanto que consumimos, certo?). Então tivemos a ideia de juntar todo o excesso e doarmos. Minha prima levou duas sacolas para doar na igreja dela e minha irmã levou mais um tanto de sacolas para doar na escola pública em que ela trabalha.

Foi uma ótima oportunidade de encontrar pessoas queridas, renovar o guarda-roupa, se livrar de coisas desnecessárias e ainda ajudar quem precisa. Só pontos positivos.

As sacolas que minha irmã levou para doação. Muita coisa!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Desapegando das roupas velhas, parte II

Nessa minha mudança, além de descobrir que eu tinha mais roupas do que imaginava e que muitas delas estavam velhas, percebi ainda outro detalhe do meu guarda-roupa: que eu estava acumulando roupas de ficar em casa, pijamas, meias e roupas íntimas.

É o tipo de coisa que vai ficando velha, a gente compra ou ganha um novo, mas mantém o antigo por que... Sei lá por quê. Porque a gente ainda pode usar, então por que jogar fora? (Já contei que para mim é mais fácil não comprar do que jogar fora, não é? Assumo: sou pão dura.).

Eu vi que eu tinha meias manchadas e sem elástico, pijamas idem. Todos muito confortáveis, mas não mais do que os mais novos que eu tenho (conforto pra mim é requisito). E todos muito feios e avacalhados. Quando eram meus irmãos que me viam assim, eu nem ligava. Mas agora é bom ter um pouco mais de cuidado. Sem contar que as minhas gavetas estavam ficando cheias dessas peças. 

Vou confessar que algumas coisas eu nem tive coragem de doar. Foi para o lixo mesmo. Algumas eu ainda tentei usar como pano de chão, mas nem vale a pena. 


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Desapegando das roupas velhas, parte I

Uma coisa curiosa que descobri quando eu mudei foi como eu tenho roupa velha, apesar de todas as seções de jogar coisas fora e doar.

Na verdade, acho que isso é um reflexo da minha extrema pão dureza. Tem tanto tempo que eu não compro roupas, e que eu vou usando as mesmas, que naturalmente elas vão ficando velhas. É também consequência do cuidado que eu tenho com as coisas. Como as roupas não estragam, eu continuo usando.

As únicas roupas novas que eu tenho foram as trocadas (que não são exatamente novas) e algumas que ganhei de presentes. O resto é bem antiga. E quando eu falo antigas é coisa de 10 anos, em média. Nesse tempo, eu mudei de corpo e de hábitos. Ainda bem que eu nunca segui moda, se não tudo seria incrivelmente datado. Além dessas questões, por mais que eu seja cuidadosa e as roupas não cheguem a estragar, elas ficam cheias de bolinhas, meio relaxadas, algumas perdendo a cor e o elástico.

É hora de desapegar. Vou aproveitar o fim de semana para fazer uma limpa no armário. Depois, vendo o que sobra, vou ver se eu preciso comprar novo, e o que seria.

Impressionante como o minimalismo é um processo constante e não um estado que se atinge.

Vou procurar, e recomendo a todo mundo, de tempos em tempos tirar tudo para fora do armário e dar uma olhada mais criteriosa.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mala de praia mínima

Uma das malas mais fáceis de preparar é aquela para viajar à praia. Como biquíni é uniforme de praia, e é basicamente o que eu uso, dá para levar pouca coisa. Eu já escrevi sobre isso uma vez, mas agora é outro caso e tenho fotos.

1. Coisas de praia

Protetor solar, óculos de sol, chapéu, cangas (uma para mim e uma para o namorado) e o biquíni (o mesmo do ano passado). Fora o último, todo o resto vai para a praia na mochila rosa. A sacola listrada é térmica. Nela, eu levava água e cerveja para a praia.


2. Roupas

Eu ainda acho que podia ter levado menos. Voltei com algumas sem usar e usei umas só porque tinha levado. Podia ter cortado ainda uns 30%.

Levei: seis blusas para o dia, mais quatro para a noite, três vestidos, três shorts, duas saias, um pijama e calcinhas para os dias todos. Meias e sutiã foram só o do corpo.



3. Calçados

Eu fui com a bota, levei a sapatilha e o chinelo. Na verdade, em cima da hora eu ainda coloquei uma sandália na mala, que acabei nem usando. Cada vez mais percebo que sempre que eu fico na dúvida se levo algo ou não, deixar de levar é a melhor opção.

Levei a bota porque achei que poderia precisar para fazer trilhas. Eu fiz trilha, mas fui descalça. Desnecessário.


4. Para banho

Shampoo, condicionador, creme para pentear, desodorante, escova de dente, sabonete, sabonete para o rosto, protetor solar para o rosto e para o corpo, repelente e hidratante. E a toalha.


Dessa vez levei mais coisas do que da última viagem. Achei que precisaria por ficar em uma pousada que não era na beira da praia. Quando fui para Aruba, queria só saber de ficar de bobeira. Agora para Itacaré a ideia era fazer uns passeios em várias praias e trilhas, o que acabamos fazendo, mas as coisas todas que levei não eram necessárias.

Fora isso aí, levei o kindle e a máquina fotográfica.

Quem acertou muito bem na mala mínima foi meu namorado. Pena que ele não tirou fotos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Desapego de roupas esportivas

Como sempre pratiquei esportes, tenho toda uma gama de roupas para isso: shorts, calças, blusas e até saias. Depois de um bom tempo sem praticar o desapego, resolvi então dar uma olhada nelas.

A primeira coisa que percebi foi que algumas das blusas que eu considerava esportivas, na verdade eram roupas velhas que eu passei para essa categoria ao invés de doar ou jogar fora. O raciocínio é que eu podia dar uma sobrevida para elas. O problema é que nem sempre são as mais adequadas. Muitas são desconfortáveis e quentes. Acabam atrapalhando o desempenho e até tirando o prazer e o bem-estar da atividade. Desapeguei delas todas. Foram para doação. 

Tentei ainda fazer uma seleção. Roupas esportivas são daquelas com grande rotatividade, pois se desgastam com mais rapidez. Então vale a pena ter poucas e comprar uma nova para repor cada uma que "acabar". Como ganho muitas, pois as pessoas sabem que é um tipo de presente que eu adoro, tenho um benefício a mais.

Mas é importante lembrar também que essas roupas precisam ser lavadas a cada uso, então é preciso ter uma quantidade que permita isso. Eu pratico um esporte ou outro todos os dias e lavo roupas uma vez por semana. Tenho que fazer as contas ou vou acabar tendo contratempos (e gastos).  

Outro detalhe é a adaptação ao clima. É bom ter umas calças e blusas de manga comprida para a época do frio, mas a maior parte das roupas devem ser fresquinhas. 

Pensando nisso tudo, reorganizei minha gaveta de roupas esportivas. Percebi que tinha mais do que precisava, e doei as que mais destoavam das minhas necessidades. 

Minhas blusas esportivas. Mantive todas as 4 sem manga, pois uso muito. Das de manga curta, fiquei com 4 e doei 5.  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Brechó é bacana!

Eu não esperava, mas é claro que ia acontecer: usando poucas peças de roupa e lavando de poucos em poucos dias, o guarda-roupa de viagem se desgasta rápido. Ainda mais porque ele é composto de itens que eu não tenho dó de jogar na lavadora, ou seja, de qualidade marromeno.

Aí eu tenho que voltar às lojinhas de fast fashion e comprar roupa nova. O que não é muito sustentável, já adianto e concordo. 

Há alguns dias dei de cara com a solução: brechós!


Em Belo Horizonte eu nunca achei um legal (eu deixei de morar lá em 2004, então o panorama pode ter mudado), mas em Brasília eu adorava o Peça Rara (que além de roupa também vende móveis). Aqui na Europa eu já tinha entrado em alguns pra espiar, mas eram aqueles que vendem itens de grife a preços conformes. Foi só em Vilnius, na Lituânia, que eu descobri a Humana, lendo o blog de uma americana que estava estudando na cidade.


Eles têm um montão de lojas em várias cidades europeias. O que eu encontrei, na rua Pylimo 45 (vai que alguém tá passeando por lá, né?) era organizadíssimo. As peças são todas higienizadas antes de serem colocadas à venda, e fica tudo separado por tipo e por cor. São dois andares e tem muitíssima opção, tanto pras moças quanto pros moços (pra eles é menos, confesso). Eu já fui a lojas de segunda mão que me deram medo (e me fizeram sair correndo), mas existem as legais, pode acreditar.  

Só tive que me agarrar com o minimalismo pra não passar da conta nas compras (eu não gosto de gastar muito, mas adoro uma oportunidade). Tinha calça de marcas conhecidas (que a gente supõe que sejam de qualidade razoável, né? Gap, Banana Republica, Levi's) por 7, 8 euros; blusas de frio idem por 4, 5 euros; casacos bonitos por 20, 25 euros.

Como eu não precisava de casaco, fiquei nas calças e nos suéteres (uniforme oficial de outono-inverno) mesmo. Dois de cada, mais um jeans pro Leo, e saí de lá toda satisfeita. Total da conta: 38 euros.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Trocando coisas

Estou descobrindo que trocar é uma maneira excelente de praticar tanto o desapego quanto a economia. Sabe aquelas coisas que você tem porque ganhou ou comprou por impulso, mas não usa? Ou então aquelas roupas das quais já enjoou, ou livros que não vai ler de novo? Então... 

Combinei com as minhas primas da gente se encontrar pra trocar esse tipo de coisa. Levamos roupas, sapatos, livros, DVDs, brincos, colares, cosméticos... Chegando lá, tentamos pensar em regras, mas ia demorar tanto que preferimos jogar tudo pela sala e cada uma ia pegando o que quisesse. 

Funcionou muito bem. Renovei meu guarda-roupa e agora tenho livros novos para ler.

Eu no meio das minhas primas, com algumas das coisas
para troca (tinha mais no chão).
O bom de trocar para quem já atingiu um nível reduzido de objetos (não que eu tenha chegado lá em todos os aspectos) é que a gente pode abrir mão de coisas sem ter que comprar outras no lugar.

Eu andei testando outra modalidade de troca: pela internet. Depois eu conto como foi.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Viagem não é desfile

Às vezes as pessoas se empolgam quando vão viajar e enchem a mala de roupas bacanas e sapatos novos. O Leo brinca que reconhece turista brasileira à distância: são as que, em pleno parque parisiense, estão de salto alto, calça justa, bolsa de marca e óculos de sol dourados. (É óbvio que a teoria dele só funciona porque as turistas brasileiras que não estão vestidas desse jeito ele não reconhece.)

Eu acho que cada um se veste como quer e tá valendo. Mas, pra um monte de gente, é tão importante estar bonito na foto (e hoje, com Facebook e Instagram, mais ainda!) que eles se esquecem que um dia inteiro de museu e jardim não é o melhor amigo do saltinho. 

Eu já fui da turma da beleza a qualquer custo (inclusive ao custo de pés que doem). Nos últimos dias, andando pra todo lado de short e de tênis e achando que essas temperaturas de mais de trinta graus não são coisa de deus, parei pra pensar que o traje ideal é aquele que você esquece. Que não aperta, não incomoda e não te faz encarar uma caminhada de 500 metros com desespero. Aí você pode se concentrar na paisagem, nos monumentos, nas obras de arte... na vida. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Casaco de inverno: um só, mas perfeito

Aqui na Europa o povo não tem essa coisa de que tem de variar roupa, não. Eles têm poucas peças, de boa qualidade. Imagino que seja herança das privações durante e pós guerras mundiais, mas também tenha a ver com o tamanho das casas (pequeno). De qualquer forma, é uma maneira minimalista de ser.

Uma grande vantagem é que a gente não tem de ficar pensando pra escolher o agasalho do dia. Você só tem um casacão de frio, então veste antes de sair de casa e pronto. Ele não fica em contato direto com a pele - logo não suja por dentro. No fim do inverno, é só lavar e guardar pro ano seguinte.

Cheguei na Alemanha toda pimpona com um casaco de lã que minha mãe tinha comprado na Argentina. Lindo, mas não dava conta de temperaturas negativas de janeiro. Fui explorar o universo dos casacos realmente quentinhos, com ajuda da irmã I., que trabalhou em estação de esqui no Colorado e estava em Frankfurt desde outubro, e conclui que os requisitos do casaco de inverno único e perfeito são:

1) de cor escura. A irmã I. tem um casaco de neve ótimo que ela comprou nos States, só que ele é azul-claro. Isso quer dizer que qualquer sujeirinha aparece. Como não dá pra ficar lavando o tempo todo, o bom são cores "disfarça-sujo" mesmo (preto, cinza-escuro, marrom-escuro).

2) leve. Você vai passar horas com ele nas costas, amiga. Materiais tecnológicos e recheios de penas esquentam sem pesar. Prefira.

3) com bolso interno de zíper. Aí você bota passaporte/carteira/chave e deixa a bolsa em casa. Porque, na rua, você já vai ter de lidar com cachecol, gorro e luvas. Mais um volume só complica.

4) com bolsos externo fechados ou fundos. Você precisa de bolsos para enfiar suas luvas quando entrar em lugares fechados, e não vai querer que elas caiam de lá e suas mãos congelem para sempre. O ideal é que eles tenham zíper também, mas se forem grandes e fundos também resolve.

5) comprido. Quanto mais longo, mais protege. Óbvio.

6) acinturado. Para evitar, na medida do possível, o visual Michelin.

E por último, a característica essencial do verdadeiro casaco de inverno (jura a irmã I.):
7) a alça interna, nas costas, no alto, para pendurar o casaco no gancho.

Sem alça não tem conversa
O meu é esse aqui, em preto. Comprei na promoção (oba!).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O mito do "tem de variar"

Fui criada com essa ideia na cabeça: de que a gente não pode repetir roupa ou sapato no dia a dia. Talvez porque trocar dá a impressão de que você tomou banho e está usando peças limpinhas. Isso faz um certo sentido e eu apoio fortemente a higiene, mas não é necessariamente verdade que toda roupa que usamos, em todas as ocasiões, seja imediatamente lavada - até porque lavar desgasta as fibras.

Por outro lado, talvez a ideia seja exibir mesmo: olha, eu tenho um armário cheio. Olha, eu acompanho as tendência. Olha, eu compro roupa nova todo mês.

Eu não comprava roupa nova todo mês, mas como nunca jogava nada fora, sempre tinha muito com o que variar. E nem pensava muito no assunto: achava muito natural.

Como dizia Chanel, "Elegância é recusa"
Quando comecei a reduzir minhas peças, percebi que não sentia falta de variar tanto. Ao contrário: passou a ser mais fácil me vestir, porque eu tinha menos combinações possíveis. Outra coisa interessante que descobri é que eu não precisava de 4 ou 5 modelitos para o fim de semana: jeans, camiseta e sapatilha podiam ser usados quase o tempo todo - sendo trocados à medida que sujassem, é claro.

Minha conclusão é que eu não tenho nada que ficar variando, não. Ter poucas peças que eu gosto, sempre limpinhas e bem-cuidadas, que caem bem e são confortáveis, é muito melhor do que ter um monte meia boca. Até na questão da elegância: quem sempre usa os lançamentos pode estar na moda, mas não tem um estilo definido - um dia está de macacão, outro dia de minissaia de onça.

Meu objetivo, agora, é só adquirir roupas clássicas e de boa qualidade. Aí eu me enrolo um pouco: minha pão-durice - e a publicidade - dificultam o meu discernimento na questão custo/benefício. Me parece claro que peças de boa qualidade não vão ser baratas - mas roupas caras não necessariamente serão de boa qualidade! Então, simplesmente "pagar mais" não garante nada.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O minimalismo e as roupas que ficam

Ao longo de alguns meses decidindo as roupas que ficam no meu armário e as que vão para doação, fui percebendo o que faz a diferença. Com o tempo, foi ficando cada vez mais claro.

1. Não ter que passar. A vida é muito curta para perder tempo passando roupa. Dá muito trabalho no dia-a-dia e é complicado de levar em viagens.

2. Não ter que lavar à mão, nem com produtos especiais. Idem acima.

3. Ser fácil de combinar. Ter uma calça que só dá para usar com um sapato, ou uma blusa que só fica bonita com uma calça específica vai me obrigar a sempre manter o combo, além de não dar para variar as combinações (o grande segredo de um guarda-roupa reduzido).

4. Ser confortável. Nesse meu tempo de reflexões minimalistas, percebi que estar me sentindo bem, sem dores e incômodos, é fundamental para mim. Então adeus blusa que a alcinha aperta a pele, calça que a costura faz cócegas, sapatilha que machuca o calcanhar. Tem várias opções de roupas e sapatos que são bonitos E não machucam.

5. Ser versátil. Para ter poucas peças, é importante que elas combinem com facilidade entre si e também que possam ser usadas em diferentes climas e situações. É melhor ter 3 blusas sem manga e um casaco que combine com elas do que ter 3 blusas sem manga e 3 de manga cumprida para o frio. É super prático também ter uma blusa que dá pra ir pra praia ou, jogando um colar e um sapato, pra uma festa.

6. Eu gostar de usar. Vamos confessar que a gente tem roupas no armário que usa só porque estão ali, não é? É uma peça que ganhamos, ou compramos na promoção, ou achamos que ia ficar linda e não ficou tanto assim. Então é hora de ser sincera consigo mesma. O critério da vida é muito curta também se aplica (nesse caso, muito curta pra eu usar roupa que não gosto).

Vou confessar que uma das minhas maiores dificuldades no minimalismo não é deixar de comprar. Nunca fui consumista. Mas sim doar e jogar coisa fora. Sou muito pão-dura (ou como diz a Lola, responsável economicamente). Então eu tenho que lutar muito comigo mesma para doar uma roupa pelo critério 6, por exemplo. Mas estou conseguindo. E os resultados são tão bons que me animam a continuar.

Pretendo usar esses critérios também na hora de comprar novas peças. Nesse caso, há ainda um critério bônus: jamais comprar algo só porque está em promoção. O risco de comprar algo que nunca vou usar ou de má qualidade é enorme.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Pessoas de muito sucesso e guarda-roupa reduzido

Diz a lenda que Einstein tinha 5 ternos iguais no armário, um para cada dia da semana. Quando perguntaram a ele a razão, Einstein respondeu que não queria gastar tutano com decisões sem importância.

Ok, nós não somos físicos mundialmente reconhecidos e/ou professores universitários com estabilidade no emprego. Mas eu acho que a ideia tem seus méritos. E não sou só eu. Olha só esse povo aqui:

Moço do iPhone (Steve Jobs)

Mocinho do Facebook (Mark Zukerberg)
Ah, mas é a turma da tecnologia, você dirá. Olha, nem é:

Moça da Avon (Andrea Jung, diretora)
Moço do Project Runaway (Michael Kors, designer)
Moço de American Idol (Simon Cowell, mau-humorado profissional)
Moral da história: se esse povo usa um guarda-roupa minimalista, quem são os seus colegas de trabalho (ou sua mãe) para reclamar que você não tem variedade no armário?

Fotos daqui.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Aprendendo com a Engenharia: FIFO

No meu trabalho, presto consultoria para empresas de engenharia. Aprendi várias coisas interessantes que podem muito ser aplicadas à nossa vida particular.

A área de gestão de estoques tem várias ideias e técnicas interessantes. Uma que eu me lembro muito é a que eles chama de FIFO, que vem do inglês "first in first out" e prega que aquilo que foi adquirido primeiro seja usado primeiro.

A metodologia não serve para todos os produtos e todas as situações, mas é muito útil para que as empresas não esqueçam lá no fundo do almoxarifado (no nosso caso, do armário) os produtos que foram comprados e guardados primeiro, correndo o risco de eles perderam a validade ou a qualidade, enquanto se compra e usa os novos.

Além disso, acho legal aplicar o FIFO para que a gente não fique guardando muita coisa em estado "mais ou menos", sabe?

Exemplo que aconteceu comigo: quando fui fazer minha limpa de cosméticos, vi que tinha um tanto de sabonete. Na hora de escolher os que vou usar, melhor começar usando os mais antigos e ir esgotando cada um, e assim tendo cada vez menos sabonetes ocupando espaço e perdendo a validade.


O FIFO é legal pra roupas também. Outro exemplo... Eu tenho 5 blusas que uso pra jogar tênis, 2 que eu comprei há mais tempo e 3 novas. Se eu ficar usando só as 3 novas, eu vou ficar com 2 encalhadas no armário ocupando espaço inutilmente. Além disso, em pouco tempo eu terei 5 blusas velhas, não vou querer usar nenhuma e vou comprar mais 3 blusas novas, tendo agora 5 blusas não usadas no armário e 8 no total.

Então... Não seria melhor usar essas 2 blusas, um dia ou outro usando uma das novas também quando der vontade, até elas acabarem?

Aí você pode pensar :
"Ai... Credo, Fernanda. Você quer que eu fique usando roupas velhas?!? Não gostei dessa de minimalismo não".

Aí eu te respondo:
"Se as roupas são velhas e você não quer usá-las, por que você ainda tem essas roupas? Doa pra alguém. Você vai fazer uma pessoa feliz. E de quebra você ganha mais espaço no armário. Todo mundo sai ganhando."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Malamalismo (ou minimalismo nas malas)

Atire a primeira necéssaire lotada quem nunca carregou malas gigantes e só usou uma fração do que estava lá dentro. Eu já viajei levando calça branca (sujava só de olhar), vestido chique (que nunca vesti) e uma coleção de cachecóis (pra ficar diferente nas fotos). Vaidade, teu nome é excesso de bagagem.

Passei a lua de mel na Argentina com uma mala tamanho família (eu cabia dentro dela. Sério). Aos poucos, fui percebendo que eu não precisava de tanta roupa. Oito anos e oito viagens longas depois, cheguei ao ápice da minha arte: em outubro do ano passado, passamos três semanas na Itália, no outono, levando uma mala pequena e uma bolsa de mão. Para os dois.

(Quando anunciei esse plano para o Leo, ele duvidou - ah, homem de pouca fé. Mas quando viu a mala pronta, ficou todo orgulhoso.)

A manha da mala pequena foi lavar roupa: meias e roupas térmicas no banheiro do hotel (com sabão líquido) e as outras peças em lavanderia de rua (no fim da primeira e da segunda semanas).

Viajei com as roupinhas aí em baixo. O guarda-roupa de viagem segue os mesmos princípios do guarda-roupa de trabalho: roupas escuras (a maioria!), discretas, confortáveis, que combinam entre si. Uma bolsa, um sapato. O casaco e as botas, que são as peças mais volumosas, embarcam no corpo.


Sim, eu já viajei para lugares frios levando dois casacos e duas botas (pra variar o modelito). Dessa vez, tinha acabado de aderir ao minimalismo e testei levar um só de cada. (Atenção: um único par de sapatos em viagens só dá certo para períodos de frio, calçados amaciadíssimos e gente que se dispõe a lavar meias com frequência. Não vão embarcar com sapato novo de saltinho, arrebentar os pés no primeiro dia e depois falar que fui eu que mandei.)

Foi ótimo, prático, fácil. Viajamos só de trem e era uma beleza se preocupar com uma única malinha. Recomendo.