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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Pequenas vitórias do desapego (sobre e-mails e esmaltes)

Uma caminhada minimalista é cheia de desafios, e são muitos mesmo e diversos. Alguns são mais impactantes, principalmente no início quando começamos a cortar todo o excesso que sem perceber fomos acumulando ao longo da vida. Doamos caixas e caixas de roupas, de livros, de enfeites... 

Mas o tempo vai passando... Vamos comprando com mais consciência... Os excessos já foram descartados... Nossa atenção começa a ser direcionada para não acumular novamente... E para aqueles pequenos desapegos que passaram despercebidos nos primeiros momentos. Este post é pra falar desses últimos.

Compartilhei com vocês quando me lancei o desafio de limpar minha caixa de entrada. Consegui ir trabalhando aos poucos e agora já tem algumas semanas que eu tenho mantido no máximo 5 e-mails ali, juntando todas as abas. Lindeza.

Minha caixa de e-mail antigamente (com 27 emails na aba Principal, 16 rascunhos e um tanto ainda em Social e Promoções)...
... e minha caixa hoje (com 3 emails na aba Principal, e as outras lindamente vazias).
Contei aqui ainda que estava repensando meus esmaltes. Fui usando e dando aos poucos. E agora estou com 6 cores, além da base e do ultra brilho.

Os esmaltes que eu tinha...
... e os que tenho agora.
Vou seguindo na minha caminhada. Devagar e sempre. Não deixando nenhuma dimensão da minha vida sem o cuidado de simplificar. E com isso indo colhendo cada vez mais os frutos de ter uma vida concentrada naquilo que realmente importa para mim.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um batom só, mas é o preferido

Seguindo o mote da Fê, atualmente eu só tenho um batom. E acho ótimo!

Eu já tive montes de batons, de cores e acabamentos diferentes. É o tipo da coisa que é fácil de comprar: sempre tem muitas opções disponíveis, e o preço, se considerarmos cosméticos em geral, não é alto. Toda vez que surge um lançamento, é fácil a gente pensar: "ah, esse eu não tenho!", e adquirir mais um tom ou mais um tipo.

Tem gente que varia sempre, e aí faz sentido ter várias opções. Mas eu, desde que comecei a usar maquiagem, tinha um batom preferido, e usava aquele quase o tempo todo. Quando comprava um novo, ele ganhava procedência durante uns dias - e dali a pouco eu voltava para o mais querido. Resultado: um monte de batons perdendo a validade (eu encaro data de validade como sugestão, exceto em relação a antibióticos e maionese, mas quando o produto muda de cor ou de cheiro, aí não dá pra encarar).

Viajando, tive que reduzir tudo, e nessa área foi fácil: levo o que gosto mais, e pronto. Na verdade, eu tinha dois, cada um de uma marca, mas o tom era quase o mesmo - cor de boca, um pouco mais intenso. O primeiro acabou no fim do ano passado e parti para o outro.

Aí o segundo ameaçou acabar. Achando que um novo ia custar muito caro (quase 20 euros!), decidi arrumar uns substitutos baratinhos. Fui a uma farmácia alemã, testei um monte de batons na pele da mão e escolhi os que tinham a cor mais parecida com o meu. Como cada um custou uns dois euros, e saí de lá toda satisfeita.

Só que, na boca, a cor era bem diferente. Cobertura e fixação, então, nem se fala. Fiquei frustradíssima. Porque eu podia ter gasto aqueles quatro euros... comprando o batom que eu gostava.

Distribuí os batons enganosos e, da vez seguinte que passei por um duty free, comprei o bendito batom. Custou 16 euros. Valeu a pena? Valeu. A qualidade corresponde ao preço. Ele dura muito na boca e também rende muito. Sabe aquele que estava ameaçando acabar? Pois é, não acabou até hoje. E eu uso sempre, praticamente todo dia.


O batom novo e o que está ameaçando acabar. Há meses. 
É o lema dos minimalistas, né? Poucas coisas, mas de boa qualidade. O meu problema é que às vezes o pão-durismo entra no meio: quero poucas coisa, de boa qualidade, e baratas. Tem muita coisa boa que custa pouco, mas tem o que custa caro mesmo. Aí tenho que refletir: está dentro do orçamento? Uso mesmo? Quero mesmo? (Nem vou escrever "Preciso mesmo?", porque tecnicamente ninguém precisa de batom. Mas nem só de pão vive o ser humano.)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Revisitando o desapego dos cosméticos

Mais de um ano atrás, eu refleti e contei aqui sobre a minha relação com os cosméticos. Desde então, fui fazendo o que contei naquele post:

1. Diagnóstico. Fiz agora de novo. Conto abaixo.

2. Doei um tanto de perfumes e hidratantes, que é o que eu menos uso. Além das doações, ainda troquei alguns por outras coisas que eu uso mais, como roupas.

3. Usei o que estava pela metade até chegar atualmente a ter apenas um exemplar de cada coisa aberto (exceção: perfumes).

4. Não guardo mais nada para uma ocasião especial. Isso me ajudou ainda a perceber que tinha muita coisa que eu, na verdade, nem gosto de usar.

5. Sobre comprar mais coisas, fui até no meu controle financeiro para checar. De um ano para cá, de cosméticos, eu só comprei shampoo, condicionador e desodorante.

Mesmo assim, quando fui fazer o inventário, fiquei desapontada de ver que ainda tenho mais do que o essencial.

O tanto de coisa que eu tinha em 2012.
O tanto que eu tenho agora, que ainda é muito.
O que eu ainda tenho a mais:
  • Perfume. Ainda tenho 4. Todos pela metade.
  • Sabonete. Eu ganhei uma caixinha com 6 do meu irmão (esses amarelos, que eu já usei 2 e adoro). O lado bom é que sabonete eu uso sempre. Então está ótimo.
  • Produtos para o rosto. Tenho 4. O ideal é 2 (1 pra limpar e 1 máscara).
  • Hidratante. Ainda tenho 2 e 2 óleos. Meta: ficar só com 1.
  • Mousse. Quando eu fui pra Alemanha, eu comprei 3 (marca cara no Brasil e baratíssima lá). Só que não terminei nem o primeiro até hoje.
'bora doar mais algumas coisas.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Produtos 2-em-1

Eu tenho pouco espaço na mala, pouco tempo sobrando e pouca paciência para cuidados "de beleza". A solução que encontrei é arrumar uns produtos multiuso.

Não sou fã de hidratantes: tenho a maior preguiça de ficar passando aquele coisa visguenta no corpo. Mas pelas bandas de cá, com o frio, e a secura e as roupas justas, a pele tá pedindo socorro. Então, quando nosso sabonete acabou, arrumei um um gel de banho "com pérolas de óleo". É da Nívea e baratinho (custou 1,30 libra), mas parece que funciona. E tem outra vantagem: não precisa de saboneteira para ser transportado.  

Condicionador deixei de usar há vários anos, depois que descobri que ele não faz nada pelo meu cabelo, que é liso e fino. E como larguei as tintas/tonalizantes/luzes também, ele não precisa de ser restaurado/revitalizado/reconstruído. Xampu pra cabelo normal ou oleoso resolve. Mas bem que eu gosto quando ele está mais encorpadinho. Existem uns sprays e géis pra isso, mas se eu não uso nem condicionador, vou usar essas gororobas? Aí descobri que existe xampu volumizador. Tô achando uma beleza: o cabelo fica menos escorrido, e isso sem acrescentar nem um passo na minha rotina! E também não foi caro: 2 libras.

E pensar que há uns anos eu tinha prateleiras e prateleiras de produtos de beleza em casa. Humpf.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Como me livrei da escravidão das unhas feitas

Em uma fase da minha vida, ter as unhas feitas era sinal de sucesso e beleza. Eu tinha pouca paciência com salão de beleza, e sempre tiravam um bife da minha cutícula, mas eu achava bonito e importante.

Isso não quer dizer que eu fazia questão de ter as unhas perfeitamente esmaltadas o tempo todo, mas sentia obrigação de passar pela manicure antes de uma festa ou de uma viagem.

Foi que eu comecei a achar que eu estava entrando em uma furada. Fazer as unhas antes de viajar significava que, na véspera da partida, quando eu podia estar fechando a mala/me despedindo dos amigos/descansando, eu tinha de bater ponto no salão. Significava também que eu tinha de levar comigo acetona, algodão, lixa e esmalte para retoques. E que eu tinha muitas oportunidades de ficar brava quebrando a unha ao tirar a mala da esteira ou abrindo um pacote mais teimoso.

Aí larguei, junto com outras vaidades. Passei a cortar curtinho, umas duas vezes na semana, e só. Chato foi deixar as cutículas voltarem ao normal, porque elas cresciam soltas da superfície da unha. Mas fui passando hidratante e, hoje, elas são bem discretas.

E limpíssimas. Eu já ouvi mulheres comentando que unha feita é questão de limpeza ou higiene, e vou discordar. Todo dermatologista recomenda que a cutícula não seja cortada, porque ela funciona como proteção. E embaixo de unhas longas tem lugar pra sujeirinhas se acumularem, né não?

Não estou dizendo que pessoas que fazem as unhas não são limpinhas, tá? Só estou dizendo que quem não faz não é sujinha. Muito antes pelo contrário.

Vou pegar um voo amanhã. Se eu me preocupasse com as unhas, não aqui estaria escrevendo este post.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Na Europa, sem comprar

Estamos em Lisboa, e é época de liquidações. Vamos aproveitar para comprar uma máquina fotográfica de 99 euros, porque a nossa pifou, e uns equipamentos para o Sudeste Asiático (chapéu, capa de chuva). Mas, fora isso, a gente passa na frente das vitrines de roupas e eletrônicos, acha bonito, acha os preços bons, e segue em frente.

Faz tanto tempo que a gente não compra que parece que perdemos o hábito. Na sexta-feira demos uma passadinha no Armazéns do Chiado, um shopping bonitão que tem aqui perto do apê onde estamos ficando.

foto: www.armazensdochiado.com
Nos divertimos indo a um monte de lojas legais e coloridas, sem ambicionar nada. Acho que o fato de estarmos sem casa contribui: não temos onde guardar coisas! (Ok, confesso: lancei uns olhares furtivos para uns livros em papel e acariciei uns caderninhos, mas não passou disso.) 

O engraçado é que lojas que antes eu adorava não me dão mais emoção. Passeei pela Sephora sentindo o perfuminho gostoso (acho que eles usam o mesmo aroma em todos os estabelecimentos) e sinceramente não senti a menor vontade aquisitiva. 

Mas fiquei curiosa ao ver, logo na entrada da loja, aquele estojo de maquiagem gigante da marca em promoção. Era 39,90 euros (107 reais), e agora é 24,90 (67 reais). 

Não resisti: tirei foto para comparar com a Sephora Brasil. Chegando em casa, chequei o site nacional e caí pra trás: 250 reais! Mais que o dobro do preço! 
(Não me venham justificar a diferença com a desculpa da carga tributária brasileira, porque os impostos na Europa também são altos. Acho que preços extorsivos no Brasil são, muitas vezes, responsabilidade dos empresários gananciosos... e dos consumidores ingênuos, que pagam qualquer valor sem questionar. Se os produtos da Sephora no Brasil encalhassem, os preços cairiam, não tenho dúvida.)

Nem a sensação de "oportunidade" me fez querer tirar o escorpião, opa, o cartão do bolso.  Sabe o que é melhor que economizar 143 reais (a diferença de preços entre o estojo no Brasil e em Portugal)? Deixar de gastar 67!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Das vaidades

Um dos problemas das exigências sobre a aparência feminina é que elas não tem fim. Sempre tem algo a "melhorar": a gente devia ser mais magra, ou mais malhada, ou ter mais peito, ou ter mais cabelo, ou ser mais loura, ou mais bronzeada etc. etc.

Uma hora eu emburrei e decidi que eu não ia mais mexer com isso não. Parei de fazer um monte de coisa, deixei de usar roupa justa, cortei o cabelo curto e saí bem pimpona por aí.

Foi ótimo. E eu incentivo muito as pessoas a abrirem mão das vaidades "que o povo acha" que nós, mulheres, temos de ter. A ignorar as frases do tipo "que mulher não adora um sapato?", "beleza é fundamental", "sem salto não dá pra ficar elegante!", "tem de variar a roupa de festa" e outras pérolas do mesmo naipe.

Dito isso, meu cabelo começou a crescer. Eu não uso condicionador, parei de fazer luzes há um tempão e pretendo cultivar lindos cabelos brancos quando eles aparecerem. Mas seco o cabelo com secador, porque aí ele fica tão arrumadinho. Não uso maquiagem, mas quando umas espinhas de adulto apareceram, desenterrei um corretivo. E na última festa a que fui, me diverti bem passando sombra roxa no olho.

Mas quando não tem secador, corretivo e sombra roxa, não me abalo. Não fico achando que uma aparência menos que perfeita é uma ofensa pessoal às pessoas ao meu redor. E não deixo de fazer nada porque não estou "arrumada o suficiente".

Na festa da sombra roxa, fui de sapatilha e vestido repetido. Se alguém reparou, não sei e não me importo. O que importa é que encontrei pessoas queridas, dancei muito e me diverti de montão.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Assumindo os anelados

(Post que estava semi-escrito nos meus rascunhos há um tempão e que agora, inspirada pela Lud, resolvi terminar e postar)

Há cerca de um ano, resolvi que já estava forte o suficiente para assumir meus cabelos anelados.

Meu cabelo alisado.
É preciso força, porque não é fácil ir contra o que todos esperam de você. Não é fácil ver só cabelos lisos na TV, ouvir todo mundo te sugerindo escova progressiva o tempo todo, descobrir produtos que sejam voltados pro seu cabelo e como cuidar dele.

Eu sempre vejo todo mundo falar que cabelo enrolado é mais difícil de cuidar, mas isso só é verdade porque todas as dicas e os produtos que você vai encontrar são pra cabelo liso. E não adianta tenta aplicar no anelado que não vai dar certo.

Ter cabelo anelado não dá trabalho, a não ser o psicológico. A verdade (pelo menos pra mim) é que aprender a amar seu cabelo enrolado é um aprendizado. E ir achando produtos para ele, e como usá-los, idem. Mas vale tanto a pena!

Meu cabelo natural.
Só ficar livre da tortura da escova progressiva no salão já é uma maravilha. Deixar de gastar tempo e dinheiro com isso é uma coisa linda. Ficar livre do secador também.

Meu cabelo ficou mais saudável, quebra e cai menos, e eu mais livre e realizada. Acho até que ficou mais bonito, mas beleza é algo tão relativo. Toda nossa cultura eurocêntrica diz que cabelo liso (e de preferência loiro) é que é bonito. Mas eu não estou nem ligando. E ainda estou fazendo a minha parte colocando mais diversidade neste mundo. Estou feliz.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Minimalinda

Aprendi com o feminismo que eu não preciso ser bonita. Posso ser feia e, mesmo assim, mereço respeito. Mereço ser amada. Meu valor não está na minha aparência.

Para mim, foi uma grande revolução, porque achava minha aparência um fator importantíssimo. Parei com um monte de "cuidados de beleza". Acho que foi meu primeiro passo na direção do minimalismo: abri mão de várias coisas que o povo prega que são essenciais para a felicidade/sucesso das pessoas, e não é que fiquei mais feliz e mais bem-sucedida? Deixar de me preocupar em ser a pessoa mais atraente e bem-vestida do ambiente liberou minha atenção e energia pra ser mais interessada e mais esperta e mais legal.

Antes eu me preocupava em ser uma mulher linda. Hoje me preocupo em ser uma pessoa linda (inteligente, bacana, risonha. E modesta, né?).

Sabe a mala que vou levar para o meu sabático? Mesmo achando que no início, que vai ser inverno, a gente vai alugar um apezinho e usar como base para viagens próximas, continuo firme no propósito de levar muito pouca coisa.

Minha mala já foi bem maior do que a do Leo, porque eu "tinha" de levar vários sapatos e acessórios e cosméticos. Hoje ela é menor, rárárá.

Cada um tem a sua receita de minimalismo, mas acho que o campo das vaidades físicas pessoais merece uma boa exploração. Você precisa mesmo do produto fulaninho? Acha mesmo tão bom frequentar salão de beleza? Acredita de fato que é essencial ter a roupa da estação? Prefere gastar dinheiro em uma cintura fina ou em uma mente afiada?

(Dito isso, também tenho meus pontos fracos. Não dou conta de ter espinhas no rosto - elas ferem minha dignidade pessoal. Desenterrei um corretivo e o uso alegremente.)

Leve em vários sentidos

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Oi oi oi

Eu sempre fui acumulenta, mas do final de 2010 arrumei uma nova alegria: me desfazer das coisas. O que mostra que o ser humano (ou pelo menos o ser ludiano) é infinitamente adaptável, uma vez que ele tenha um objetivo a alcançar.

Existe uma grande sensação de liberdade em diminuir o número de objetos que eu tenho. É como se eu estivesse dizendo para mim mesma: eu dou conta, eu sei o que estou fazendo, eu não preciso possuir isso ou aquilo para me sentir segura.

Sim, eu tive momentos de dúvida. Jogo ou não jogo fora? Nas últimas semanas, descobri que posso confiar em mim mesma nesses momentos.

Precisei de umas gravuras (para tampar o estrago que eu fiz na parede de qualidade duvidosa com minha fita dupla-face) e de um corretivo (para esconder as minhas recém-adquiridas perebas) e eles estavam lá, guardadinhos (um dos corretivos já tinha passado da data de validade e, apesar de eu achar que data de validade é sugestão, o cheiro tinha mudado, então - lixo).

Falando das minhas perebas, cada uma delas dura tanto - um mês, mais ou menos - que vou começar a dar nome pras danadas. A mais velha e mais feia eu vou batizar, claro, de Nilo. Hihihi.

(A pessoa descobre que está se envolvendo demais com a novela das nove quando usa os personagens para nomear suas espinhas. E quando, ao dizer oi para alguém e o outro responder, ela repetir o oi. Oi oi oi.)


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Esses meus cabelos brancos

No fim de semana, o Leo contou oito lindos fios brancos na minha cabecinha. Daqui a pouco posso tirar do armário um xampu para cabelos brancos. Ele é roxo (imagino que seja para combater algum tom amarelado que queira se insinuar).

Estou alegre com a perspectiva. Já paguei muitos dinheiros no salão para enfiarem uma touca com buracos na minha cabeça e tirarem lá de dentro, com uma agulha de crochê, mechas que seriam clareadas. Agora a natureza está me dando, de graça e sem esforços, belos fios platinados. Como não ficar feliz?

Sim, isso quer dizer que não tenho a menor intenção de pintar os cabelos. Isso é muito minimalista: não gasto tinta, dinheiro e tempo, não me preocupo com raízes, não tenho de estabelecer um calendário de visitas ao salão de beleza (ou à farmácia) antes de viagens ou eventos.

E aqui tem um monte de cabelos brancos e grisalhos legais.

Ídola.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vestidos de festa: um curto, um longo

No ápice da minha rebeldia "não sou enfeite", decidi que eu  não precisava de muitos e variados vestidos de festas, assim como acessórios e saltos chiques. Concluí que, se muitos homens têm um único terno e um único par de sapatos festivos e trocam só a camisa e a graveta, eu podia fazer parecido.

Pensei seriamente em adotar um smoking feminino para eventos, mas desisti porque: 1) eu não tinha ideia de onde comprar um e 2) eu teria que comprar um.

Então fechei em dois vestidos pretos (uma das minhas cores preferidas, e fácil de repetir) confortáveis e um par de sapatilhas pretas. O longo é pra festas chiques, e o curto, para festas menos chiques.
Bailes de formatura, casamentos e o Oscar, quando eu for convidada
Coquetéis, aniversários e festinhas de fim de ano
Sei que daria para variar bastante com acessórios de cores diferentes, mas como não estou a fim de ter trabalho ou despesa, não uso nem bolsa: ponho meia fina preta, sapatilhas e estou pronta. Acho que botar maquiagem (que eu faço em cinco minutinhos) já é concessão suficiente às demandas sociais.

Agora que expliquei a manha, os amigos e os parentes que leem o blog podem perceber que eu uso os mesmos vestidos. Mas aposto que, até agora, eles não tinham nem ideia. Eu não lembro das roupas das pessoas da última festa a que fui - você se lembra?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Guest post: Descartando coisas e crenças

A Fer Santos deixou um depoimento ótimo nos comentários e eu pedi a ela para transformá-lo em um guest post. Achei muito legal encontrar alguém que faz os mesmos questionamentos - e encontra a mesma alegria nos resultados - que a Fernanda aqui do blog e eu.

Às vezes me parece que, para uma boa quantidade de mulheres, o minimalismo é complicado porque toca em um ponto nevrálgico: a aparência, e a nossa crença que precisamos ser belas para termos valor. Dá pra ser feliz sem um armário cheio de roupas e um banheiro cheio de cosméticos? Eu acho que dá, e a Fer acha também.

"Estou num processo intenso de avaliação dos meus valores como mulher e sobretudo como pessoa. E por isso estou te escrevendo pra dar um depoimento sobre a minha entrada no minimalismo.

Sempre fui uma criança peralta e curiosa. Gostava de ler. Tenho TDAH e por isso tinha hiperfocos de passar 3 dias seguidos lendo um livro sem querer fazer mais nada.Também gostei de Barbie, de brincar na rua, jogar futebol, fui uma criança feliz.

Mas aí chegou a adolescência e com ela todo tipo de encanações com a minha aparência. Eu não me achava bonita, nunca achei. Todo mundo dizia que eu tinha um corpo lindo, mas que meu nariz de batata e meu cabelo cacheado me deixava com cara de pobre. Sim, diziam ISSO. E hoje vejo q essa frase contém tantos absurdos (nariz e cacho classifica alguém socialmente? Ser pobre é defeito?) que prefiro nem me delongar nisso.

E nessa acabei crescendo com alguns valores bem distorcidos em relação a auto-imagem.
Maquiagem não era pra me sentir bonita, brincar com as cores. Maquiagem, pra mim, tinha uma função corretiva, de esconder meus “defeitos horríveis”.

Comecei a comprar muita roupa, andar super arrumada pra ficar “bonita”. Gastei fortunas nisso.

Sempre odiei salto, mas tinha vários pares pq “mulher sem alto não dá” e “tu tem corpão, mostra essas pernas que são o teu forte”.

Sempre gostei de ler, mas nos últimos anos percebi uma compulsão na compra de livros e não na leitura deles. Hoje vejo que comprava tantos livros porque eles representavam a imagem q eu queria projetar .

Tudo isso porque na minha cabeça, pra me sentir aceita eu tinha que estar adequada. E adequada, pra mim, era mais do q ser inteligente, culta, arrumada e bonita. ERA PARECER TUDO ISSO.

Só que esse ano fiz 34 anos. E começou a me bater um sentimento de PORQUE RAIOS EU VOU ME IMPORTAR COM QUEM SÓ VAI ME JULGAR? Por que eu preciso deixar de tomar cerveja com meus amigos pra passar o sábado no cabeleireiro? Por que é coisa de mulher? QUEM DISSE?

Resolvi adotar o minimalismo e está sendo libertador, porque eu não estou só descartando COISAS, mas sobretudo CRENÇAS que me aprisionavam.

Faz três meses que não compro NADA, doei várias coisas, sobretudo roupas q não combinavam comigo. Também parei de fazer as unhas, doei todos os meus saltos altos. Meu marido (q é única pessoa q me importa nesse contexto) me acha bonita e bacana de qualquer jeito.

Ainda uso corretivo, rímel. Adoro me maquiar, usar batom vermelho, acho lindo, teatral. Mas é um processo mais consciente, e sobretudo mais divertido. Curtição mesmo.

Mas é todo um processo. E teu blog me ajudou muito nesse sentido."

Gato feliz. Igual a gente.

sábado, 25 de agosto de 2012

Desapegando dos cosméticos

Ao longo da vida, eu ganhei trilhões de potinhos de tudo quanto é cosmético, e comprei alguns também. Aqueles kits de sabonete, hidratante e perfume então. Nossa!! Todo aniversário ganho uns dois. Quando me meto ainda a olhar a revista da Avon, volta e meia acho uma promoção, ou uma novidade, e compro. 

Resultado: tenho uns 15 hidratantes, uns 20 sabonetes, uns 10 perfumes, 5 protetores solares e uso pouquíssimo. Vão acumulando. Hidrante, uso muito pouco mesmo. Sabonete, fico com dó de usar os "chiques" ganhados e compro outros para o dia-a-dia. Perfumes, uso pouco e cada hora um.

Como meu armário é minúsculo e a poeira está sempre por aí, resolvi dar um jeito nisso antes de aparecer no "Acumuladores". Além do que, é um desperdício de espaço e dinheiro, o que vai totalmente contra minha nova filosofia de vida.

1. Diagnóstico. Pra ter certeza da gravidade da questão, juntei todos os cosméticos que estavam espalhados (armário do quarto, criadinho, banheiro...) e coloquei tudo em cima da cama. Vi que eu tinha mais ainda do que pensava.

Pra quê isso tudo?
2. Doar alguns hidratantes e perfumes. Dei pra minha mãe, pra minha irmã, pra uma menina no trabalho... Guardei só alguns que irei usar.

3. Usar o que já está aberto. Comecei pelos que tinham menos quantidade, para eles acabarem mais rápido e assim eu conseguir ocupar menos espaço em menos tempo. Vou indo na ordem, até que acabe com todos os abertos.

4. Parar de guardar para uma "ocasião especial". Depois de usar os abertos, vou colocar na roda aqueles sabonetes chiques, hidratantes importados e perfumes caros que fico guardando para uma data especial que nunca chega e que, quando chega, é uma vez a cada sei lá quantos meses. Se eu ficar esperando, esses produtos vão perder a validade, ressecar, evaporar, e enquanto isso eu fico lá gastando comprando novos. 

5. Não comprar mais. Uso os que tenho e os que eu inevitavelmente vou ganhar (o que é ótimo - presentes consumíveis são os melhores). Se eu tiver apenas um de determinado item, e não ganhar outro, aí posso começar a olhar as promoções pra comprar o próximo.

Agora estou numa luta pra convencer minha mãe a fazer isso também. No banheiro dela, tem uns 5 shampoos abertos pela metade. Por quê? Ah... Um ela comprou, usou, mas não gostou muito. Aí comprou outro melhor e estava usando até que pintou o cabelo e comprou um próprio para cabelos pintados. E lá foram se juntando os shampoos pela metade.

É ou não é produto em excesso?