sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Como manter os e-mails sob controle

Depois de algum tempo de dedicação, consegui deixar minha caixa de entrada de e-mail do jeito que eu queria: limpa. Como o próprio nome já diz, o objetivo dessa caixa é ser uma porta de entrada para o que chega de novo, e não acumular todos os nossos e-mails já recebidos na vida.

Para começar, criei um sistema de marcadores para arquivar os e-mails que eu queria guardar. Já usei pastas, mas hoje em dia prefiro marcadores porque facilitam as buscas e porque posso colocar mais de um no mesmo e-mail. Uso no gmail e no outlook. No pessoal, tenho marcadores como: cadastros, fotos, documentos, compras, blog e outros. No profissional: um pra cada projeto, administrativo etc.

Para o primeiro combate, criei ainda um marcador que chamei de organizar. Selecionei todos os e-mails que estavam na caixa de entrada, apliquei esse marcador e arquivei.

Escolhi agir assim porque organizar tudo de uma vez fica muito desgastante e acaba não virando um hábito. Prefiro ir aos poucos e sempre.

Diariamente, comecei então a fazer como o Leo Babauta fala no livro Zen to Done:

1. Pego o primeiro e-mail da caixa de entrada e escolho imediatamente o que fazer com ele. É o hábito mais importante e que precisa ser sedimentado. É o que vai garantir a organização a longo prazo. Não vale pular o e-mail, nem jogá-lo para a longa de lista de organizar depois. 

2. Se não for fazer nada com o e-mail, deleto.

3. Se for para responder, respondo na hora. Depois, deleto ou aplico um marcador e arquivo. Se for uma resposta mais longa ou que exigir que eu faça alguma outra coisa antes, deixo na Caixa de Entrada e coloco, na minha lista de tarefas do dia, responder aquele e-mail. Para que eu seja mais rigorosa comigo mesma e não use essa desculpa para acumular, defini um limite de 5 e-mails na Caixa de Entrada.

4. Se for algo para delegar, já encaminho. Se eu precisar acompanhar e talvez cobrar depois, anoto na minha lista de tarefas de acordo com o prazo. Depois de encaminhado, o e-mail é arquivado ou deletado.

5. Se for pra arquivar (uma referência, lembrança, informação etc.), aplico um marcador e arquivo. Nada de usar o "organizar", que é temporário para lidar com a bagunça acumulada. Se for pra criar nova bagunça, não vai adiantar nada.

Depois de fazer isso com todos os e-mails novos, parta para o marcador organizar. Por dia, recomendo fazer o mesmo processo acima com eles por um tempo determinado, como 20 minutos. Eu já venci os e-mails a organizar e até já deletei o marcador.


Depois, como disse o Leo Babauta: "Comemore quando sua caixa de entrada estiver vazia! É uma sensação maravilhosa." Ah... E cheque sua caixa de entrada com uma certa frequência para não acumular. "Pilhas são suas inimigas".
organizar e-mails

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Pequenas vitórias do desapego (sobre e-mails e esmaltes)

Uma caminhada minimalista é cheia de desafios, e são muitos mesmo e diversos. Alguns são mais impactantes, principalmente no início quando começamos a cortar todo o excesso que sem perceber fomos acumulando ao longo da vida. Doamos caixas e caixas de roupas, de livros, de enfeites... 

Mas o tempo vai passando... Vamos comprando com mais consciência... Os excessos já foram descartados... Nossa atenção começa a ser direcionada para não acumular novamente... E para aqueles pequenos desapegos que passaram despercebidos nos primeiros momentos. Este post é pra falar desses últimos.

Compartilhei com vocês quando me lancei o desafio de limpar minha caixa de entrada. Consegui ir trabalhando aos poucos e agora já tem algumas semanas que eu tenho mantido no máximo 5 e-mails ali, juntando todas as abas. Lindeza.

Minha caixa de e-mail antigamente (com 27 emails na aba Principal, 16 rascunhos e um tanto ainda em Social e Promoções)...
... e minha caixa hoje (com 3 emails na aba Principal, e as outras lindamente vazias).
Contei aqui ainda que estava repensando meus esmaltes. Fui usando e dando aos poucos. E agora estou com 6 cores, além da base e do ultra brilho.

Os esmaltes que eu tinha...
... e os que tenho agora.
Vou seguindo na minha caminhada. Devagar e sempre. Não deixando nenhuma dimensão da minha vida sem o cuidado de simplificar. E com isso indo colhendo cada vez mais os frutos de ter uma vida concentrada naquilo que realmente importa para mim.

domingo, 14 de agosto de 2016

Respeitar e ser respeitado

Quando você desencana de tentar fazer os outros viverem como você e ao mesmo tempo de tentar se defender se eles te julgam, parece que uma barreira se dissolve entre você e as outras pessoas. De repente, o diálogo é possível e parece que as outras pessoas te ouvem mais, mesmo que você esteja falando consideravelmente menos.

Claro que eu gostaria que todos fossem minimalistas. Seria muito melhor para o planeta, que não teria seus recursos naturais tão desgastados, e para a sociedade como um todo, que teria menos desigualdade social. Logo, seria muito melhor para todas as pessoas, eu inclusive. É nesse mundo que eu gostaria de viver. Mas percebi que ficar tentando convencer os outros a viverem assim é a pior forma de conseguir tal coisa.

Acredito que não há nada que funcione tão bem quanto o exemplo. Acredito também que é importante assumir os seus valores, falar que não concorda com certas coisas e concorda com outras. É diferente de ficar convencendo os outros. Mas é importante se posicionar. Isso porque você pode estar plantando uma sementinha de ideia na cabeça de alguém que nunca pensou naquilo. Além disso, pode ser que a pessoa já tenha algumas ideias parecidas, e ouvir de outra os mesmos pensamentos ajudará a dar mais um passo no caminho (eu sei que isso já me ajudou muito).

Eu acho interessante quando vejo pessoas que convivem comigo chegam para me contar que desapegaram de algo ou fizeram uma escolha consciente e lembraram de mim. O legal não é terem lembrado de mim, mas sim saber que fiz alguma diferença e que estamos um pouquinho mais perto do mundo em que eu acredito.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O dia que resolvi parar de tomar remédios

Desde quando meus exames apontaram colesterol alto e minha médica me prescreveu medicação para controlá-lo, estou pensando sobre a relação da nossa sociedade com os remédios.

Eu não quis tomar. Primeiro porque teria que consumir para sempre, depois porque o meu colesterol ruim não chega a estar tão alto assim, e outro motivo é que já pesquisei sobre o tema e não há consenso de que o colesterol seja esse vilão todo.

Aliás, já tem algum tempo que eu tenho desconfiado da indústria farmacêutica. Desde que comecei a reparar no tanto que ganham dinheiro e no tanto de representantes com suas pastas de couro com rodinhas lotando todos os consultórios médicos onde vou. Um dia ouvi dois conversando sobre as convenções e os bônus que eles ganhavam por desempenho, e sobre como os médicos também tinham acesso a esses "agrados".

Comecei a pensar ainda sobre meu uso de anticoncepcional. Conversei com amigas e fiquei sabendo de inúmeros problemas que os remedinhos causam, como trombose, dores de cabeça e o consenso sobre a diminuição da libido. Fiquei impressionada e fui pesquisar, mas é muito difícil achar informações precisas sobre esse tipo de medicamento justamente pela força da indústria farmacêutica.

Li ainda o texto Exaustos-e-correndo-e-dopados da Eliane Brum e fiquei pensando em como a gente tenta resolver nossos problemas todos tomando remédio.

"O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo."

Porque se alimentar bem, ter hábitos saudáveis, praticar atividade física... Tudo isso dá trabalho e toma tempo. E, no nosso ritmo louco de correria, acabamos por deixar isso sempre para depois. E tentamos resolver comprando remédios.

Então parei de tomar anticoncepcional. Não vou tomar o remédio pro colesterol. Vou me dedicar cada vez mais a ter hábitos saudáveis, para que tomar remédio seja uma exceção e não a regra.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Seja generoso com o passado, mas aprenda com ele

Quando a gente escolhe levar uma vida consciente, precisamos ficar sempre refletindo, analisando, tentando entender se cada passo que damos está de acordo com o que acreditamos ou é apenas a decisão mais automática.

Acho a melhor maneira de levar a vida e não conseguiria ser de outro jeito. Mas dá trabalho. É um exercício diário e nem sempre simples. E a gente aprende todos os dias. Testa umas coisas, dá errado e aprende. Testa outras e dá certo. Fala uma bobagem, alguém explica que está errado. Lê mais um pouco, conversa com outras pessoas, revê conceitos, muda de ideia...

Tudo isso é maravilhoso e louvável. Como dizia um professor meu quando eu reclamava que não estava conseguindo aprender algo novo: "Consegue sim. Quando nasceu, você não sabia nem andar".

A gente vai aprendendo, e evoluindo. Então é normal a gente lembrar de atitudes e atos nossos do passado e se envergonhar. Ou ficar pensando: se eu não tivesse feito tal coisa, estaria bem melhor hoje.

Mas precisamos ter a humildade e a generosidade para reconhecer que naquela época a gente não sabia que estava errado, que fizemos o melhor de acordo com o conhecimento que tínhamos na época. Não adianta nadar ficar se martirizando. 

Por outro lado, ficar grudado em ideias antigas, sem se abrir pra aprender e evoluir, por ter muitas certezas, é um erro maior ainda. Reconhecer um erro do passado é um bom sinal de que temos senso crítico e que estamos melhorando a cada dia.

Mudar é lindo. Aprender é uma das nossas maiores dádivas. Não vamos desperdiçá-la.