domingo, 14 de agosto de 2016

Respeitar e ser respeitado

Quando você desencana de tentar fazer os outros viverem como você e ao mesmo tempo de tentar se defender se eles te julgam, parece que uma barreira se dissolve entre você e as outras pessoas. De repente, o diálogo é possível e parece que as outras pessoas te ouvem mais, mesmo que você esteja falando consideravelmente menos.

Claro que eu gostaria que todos fossem minimalistas. Seria muito melhor para o planeta, que não teria seus recursos naturais tão desgastados, e para a sociedade como um todo, que teria menos desigualdade social. Logo, seria muito melhor para todas as pessoas, eu inclusive. É nesse mundo que eu gostaria de viver. Mas percebi que ficar tentando convencer os outros a viverem assim é a pior forma de conseguir tal coisa.

Acredito que não há nada que funcione tão bem quanto o exemplo. Acredito também que é importante assumir os seus valores, falar que não concorda com certas coisas e concorda com outras. É diferente de ficar convencendo os outros. Mas é importante se posicionar. Isso porque você pode estar plantando uma sementinha de ideia na cabeça de alguém que nunca pensou naquilo. Além disso, pode ser que a pessoa já tenha algumas ideias parecidas, e ouvir de outra os mesmos pensamentos ajudará a dar mais um passo no caminho (eu sei que isso já me ajudou muito).

Eu acho interessante quando vejo pessoas que convivem comigo chegam para me contar que desapegaram de algo ou fizeram uma escolha consciente e lembraram de mim. O legal não é terem lembrado de mim, mas sim saber que fiz alguma diferença e que estamos um pouquinho mais perto do mundo em que eu acredito.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O dia que resolvi parar de tomar remédios

Desde quando meus exames apontaram colesterol alto e minha médica me prescreveu medicação para controlá-lo, estou pensando sobre a relação da nossa sociedade com os remédios.

Eu não quis tomar. Primeiro porque teria que consumir para sempre, depois porque o meu colesterol ruim não chega a estar tão alto assim, e outro motivo é que já pesquisei sobre o tema e não há consenso de que o colesterol seja esse vilão todo.

Aliás, já tem algum tempo que eu tenho desconfiado da indústria farmacêutica. Desde que comecei a reparar no tanto que ganham dinheiro e no tanto de representantes com suas pastas de couro com rodinhas lotando todos os consultórios médicos onde vou. Um dia ouvi dois conversando sobre as convenções e os bônus que eles ganhavam por desempenho, e sobre como os médicos também tinham acesso a esses "agrados".

Comecei a pensar ainda sobre meu uso de anticoncepcional. Conversei com amigas e fiquei sabendo de inúmeros problemas que os remedinhos causam, como trombose, dores de cabeça e o consenso sobre a diminuição da libido. Fiquei impressionada e fui pesquisar, mas é muito difícil achar informações precisas sobre esse tipo de medicamento justamente pela força da indústria farmacêutica.

Li ainda o texto Exaustos-e-correndo-e-dopados da Eliane Brum e fiquei pensando em como a gente tenta resolver nossos problemas todos tomando remédio.

"O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo."

Porque se alimentar bem, ter hábitos saudáveis, praticar atividade física... Tudo isso dá trabalho e toma tempo. E, no nosso ritmo louco de correria, acabamos por deixar isso sempre para depois. E tentamos resolver comprando remédios.

Então parei de tomar anticoncepcional. Não vou tomar o remédio pro colesterol. Vou me dedicar cada vez mais a ter hábitos saudáveis, para que tomar remédio seja uma exceção e não a regra.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Seja generoso com o passado, mas aprenda com ele

Quando a gente escolhe levar uma vida consciente, precisamos ficar sempre refletindo, analisando, tentando entender se cada passo que damos está de acordo com o que acreditamos ou é apenas a decisão mais automática.

Acho a melhor maneira de levar a vida e não conseguiria ser de outro jeito. Mas dá trabalho. É um exercício diário e nem sempre simples. E a gente aprende todos os dias. Testa umas coisas, dá errado e aprende. Testa outras e dá certo. Fala uma bobagem, alguém explica que está errado. Lê mais um pouco, conversa com outras pessoas, revê conceitos, muda de ideia...

Tudo isso é maravilhoso e louvável. Como dizia um professor meu quando eu reclamava que não estava conseguindo aprender algo novo: "Consegue sim. Quando nasceu, você não sabia nem andar".

A gente vai aprendendo, e evoluindo. Então é normal a gente lembrar de atitudes e atos nossos do passado e se envergonhar. Ou ficar pensando: se eu não tivesse feito tal coisa, estaria bem melhor hoje.

Mas precisamos ter a humildade e a generosidade para reconhecer que naquela época a gente não sabia que estava errado, que fizemos o melhor de acordo com o conhecimento que tínhamos na época. Não adianta nadar ficar se martirizando. 

Por outro lado, ficar grudado em ideias antigas, sem se abrir pra aprender e evoluir, por ter muitas certezas, é um erro maior ainda. Reconhecer um erro do passado é um bom sinal de que temos senso crítico e que estamos melhorando a cada dia.

Mudar é lindo. Aprender é uma das nossas maiores dádivas. Não vamos desperdiçá-la.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Economizar aproveitando benefícios, pontos e fidelidades

Dia desses o chuveiro lá de casa parou de aquecer a água. Depois de uma tentativa frustrada de consertar por conta própria (do Roberto, que tem essas habilidades, não minha), estava pensando no que fazer quando recebi a apólice do seguro do meu carro pelo correio e, folheando o catálogo, reparei que um dos benefícios aos quais eu tenho direito é o atendimento de um eletricista em casa. Não sei vocês, mas eu nunca tinha usado. 

A verdade é que a gente sabe pouco sobre os benefícios que os serviços que a gente contrata nos dão. Subaproveitamos também programas de fidelidade. Eu costumo usar mais do que a maioria das pessoas com que convivo, mas ainda acho que é pouco. 

Vou dar alguns exemplos daquilo que já usei, e recomendo demais:

1. Pontos do cartão: eu e Roberto concentramos nossos gastos em um cartão de crédito só. Ano passado, transferi pra um programa de milhagens e compramos passagem de ida e volta para Buenos Aires para os dois. Tudo com os pontos.
(Dica: volta e meia as companhias aéreas dão bônus para troca - troque agora e ganhe 50% a mais de pontos, coisa e tal. Sempre aproveito.)

2. Seguro viagem: quando se compra passagem aérea para viagem internacional pelo cartão, a maioria deles dá de brinde o seguro de viagem. Lindeza! Uso sempre.

3. Meia entrada: descobri há pouco tempo que meu plano de celular me dá direito a meia entrada em alguns cinemas. Depois descobri que meu cartão de crédito dá em outros. Isso é válido para shows, peças de teatro e outros eventos culturais também. Antes de comprar um ingresso, vale sempre a pena dar uma pesquisada se você se encaixa em algum dos requisitos pra meia entrada.

4. Fidelidade em posto de gasolina: muitas redes têm programa de fidelidade. Escolhendo um para concentrar seus pontos, dá para trocar por coisas bem legais, como ingressos para shows e jogos de futebol.

5. Fidelidade em restaurante: muitos restaurantes fazem promoção de juntar pontos, carimbos, adesivos e tal para trocar por alguma coisa no futuro. Na minha gaveta do trabalho, guardo cartões de fidelidade de um tanto de restaurante onde costumo almoçar. Já comi muitas vezes de graça. Lá em casa, aproveitamos essas promoções de delivery também.

6. Programas de pontos: já paguei compras inteiras com pontos acumulados no mesmo supermercado onde acumulei os pontos. Economia fácil.

Em tempos de crise, mas mesmo fora deles, recomendo demais aproveitar todas essas possibilidades. E agora que me toquei que poderia usufruir mais ainda, vou ficar mais atenta.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Ajude as pessoas a manterem seus hábitos

Cena comum: um colega está de dieta há alguns dias e comenta que está com vontade de comer algo que não deveria. Logo aparece alguém para incentivar. Mesma coisa para quem tenta economizar. E também para quem tenta manter quase todo tipo de hábito. Já repararam como nunca aparece alguém para falar: "come esse sorvete não, você precisa continuar na dieta"?

Ninguém quer ser o chato que fica podando os outros. É normal então tentar ser o colega legal que dá força para quem quer se entregar a um prazer momentâneo, mesmo que vá contra o interesse da pessoa.

Além disso, quando alguém se entrega a um impulso, nos sentimos menos mal por fazermos o mesmo, validando nossas escolhas de vez ou outra enfiar o pé na jaca. Se o outro consegue resistir, isso coloca uma pressão maior em nós mesmos para resistir também. E ninguém gosta de pressão.

Mas já reparam como é muito mais fácil manter hábitos quanto os outros nos incentivam a fazê-lo? Então queria propor que, quando alguém perto de você vier com essa de...

"Eu estou estressado/cansado/chateado e por isso mereço comer esse chocolate/comprar esse celular novo/faltar na academia hoje."

... ao invés de falar "Isso mesmo", a gente comece a falar...

"Isso só vai fazer você se sentir pior depois. O que você merece mesmo é cuidar de você, da sua saúde/suas finanças/seu objetivo a longo prazo.".

Pode parecer difícil de falar e de ouvir, mas eu prefiro imensamente as pessoas que realmente se preocupam comigo o suficiente para enfrentar os meus impulsos chutadores de baldes e me ajudar a manter minhas resoluções e meus hábitos.