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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

... e feliz Ano Novo!

Quando eu era criança, adorava o Natal. Adolescente, idem. Hoje, adulta, confesso que não tenho mais aquela empolgação. Acho uma festa bonita e gosto das confraternizações (ok, não todas: sempre tem umas a que vou meio forçada. Mas essa sou eu, uma pessoa introvertida). E só.

Já o Ano Novo me agrada muitíssimo. E nem é por causa das festividades e dos fogos de artifícios: é porque a perspectiva de um novo início, de um recomeço, de um renascimento me encantam. Eu sei que é só uma convenção; que o fato de que o planeta completou mais uma volta em torno do sol poderia ser comemorado em qualquer data. Mas eu aprecio rituais, e acho bacana ter um momento, a cada trezentos e tantos dias, de parar pra pensar que já foi e no que será.  


Para dizer a verdade, não é uma tradição em minha vida. Mais jovem, eu ia vivendo sem planejar muito, seguindo a ordem "natural" das coisas (estudar-passar no vestibular-formar-arrumar emprego). Não é que eu não me esforçasse - é que não pensava muito onde queria chegar.

Nos últimos tempos, descobri que ter metas definidas e batalhar para alcançá-las é bacana. O resultado nem sempre vem do jeito que a gente imagina, ou da maneira que a gente sonha - mas é bem diferente, e gera muito mais autonomia, do que ficar esperando o que a vida traz.

 (Embora a vida possa ser muito generosa, e que às vezes a gente se lasque em nossas decisões, claro.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cortar o próprio cabelo - eu experimentei!

Da última vez que estive no Brasil, fui ao salão e pedi um corte que durasse, isto é, que mantivesse a forma enquanto crescia. Mas passaram onze meses desde então, e meu cabelo estava grandão, quase inteiro, e começando a dificultar a vida (prendia no cachecol, na mochila, uma chatice).


Pensei em procurar um cabeleireiro aqui em Madri, mas fiquei com medo da dificuldade de comunicação e de sair do salão com mullets. Então, busquei uns vídeos na internet para cortar o próprio cabelo, e mandei ver.

Primeiro cortei a franja, que estava gigante (quase no ombro). Cortei na altura do queixo, e achei que ficou bom. Jogada de lado, então, ficou joia.


Aí me animei: descobri a técnica do "faça um rabo de cavalo na testa" (é o número 3) e passei a tesoura.

Consegui eliminar uns 3 dedos de comprimento e ganhei várias camadas. Foi mais difícil do que eu esperava, porque a tesoura que eu possuo é terrível. No fim do corte, descobri uma tesoura melhor na gaveta do banheiro aqui da casa. Aí já era meio tarde, mas ela serviu para eu cortar fora mais uns 3 dedos (dividi o cabelo no meio, puxei cada metade para frente, prendi o cabelo com os dedos e cortei).


O cabelo ficou meio rebelde, como sempre acontece toda vez que ele é cortado em camadas. Em uns dias ele deve assentar. No geral, fiquei satisfeita.

Mas não sei se recomendo, viu? Meu cabelo é liso e fino, não é muito, e o corte em camadas ajuda a disfarçar pontas e imperfeições (e tem várias). Funcionou, mas não garanto que vá dar certo para todo mundo.

Por outro lado, sempre dá para correr no cabeleireiro depois, né? Que vai te xingar, mas não se abale: bote a culpa em mim e pronto. Deixo só duas dicas: use uma tesoura boa, específica para cortar cabelo, e corte sempre menos do que você acha que deveria (dá pra tirar mais depois, mas não dá pra botar de volta...).

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Desapegar de mágoas e rancores

Dia desses vi uma cena de filme na televisão na qual duas irmãs, velhinhas, se queixavam de mágoas e rancores da infância. Não, elas não tinham sido maltratadas ou negligenciadas. Quase sessenta anos depois, elas se lembravam com amargura de não terem tido um vestido bonito para a festa da amiguinha e que a mãe as obrigara a comer um prato de que elas não gostavam.

Tive um flash de reconhecimento: de vez em quando, eu me junto com minhas irmãs para resmungar do passado. E olha, vendo de fora, não é bonito.

Não estou dizendo que a gente não sofre quando é criança. Estou dizendo que, quando nos tornamos adultos, podemos mandar nas nossas próprias vidas e deixar de dar tanta importância a fatos ocorridos há tanto tempo.

O que achei chocante no filme é que, mesmo com décadas nas costas, as duas irmãs não tivessem conseguido criar lembranças boas para substituir - ou pelo menos diluir - as ruins. Tem uma terceira irmã na história: ao contrário das outras, ela saiu de casa cedo, trabalhou, viajou - e a gente não a vê reclamando do passado.

Acho que é importante, sim, a pessoa reconhecer as dificuldade e mágoas que vivenciou. Mas, depois de um tempo, em vez de se agarrar a elas e ficar remoendo, a gente podia deixá-las ir. Aí abrimos espaço para lembranças novas - e boas!

* * *

Falar é bonito, mas como é que faz?

Segundo meus livros sobre a felicidade, tão importante quanto o que aconteceu com a gente é como contamos nossa própria história. Quem teve vários empregos diferentes, por exemplo, pode se ver como uma pessoa feliz que explorou vários interesses - ou como um fracassado que não chegou a presidente da empresa. As pessoas deprimidas tendem a se lembrar de suas vidas como uma sucessão de insucessos - enquanto a galera otimista foca no que deu certo.

Então, a gente pode tentar colocar as coisas em perspectiva.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O vazio

Aí você (quer dizer, eu) vende tudo, repensa amizades, se afasta do trabalho, abandona certos hábitos e... quer saber? Dá um vazio, sim.


Mas é um vazio principalmente positivo. Rola uma angústia de vez em quando, mas como somos seres humanos, isso é normal. É positivo porque, como diz o ditado (chinês?), "para beber vinho, primeiro é preciso esvaziar a taça de chá". Então a gente tem de desocupar certas áreas das nossas vidas antes de reformulá-las.

(Dito isso, ninguém precisa ser radical: dá pra ir aos poucos, uma área de cada vez.)

Diante do vazio, a gente se reconhece como realmente é: com nossas qualidades, preferências e defeitos. O reflexo no espelho nem sempre é bonito, mas é o nosso reflexo. Aceitá-lo é o primeiro passo para começar a trabalhar nele. Só dá pra mudar o que a gente conhece. Se você nunca se deu conta de que era, por exemplo, egoísta, como é que vai se tornar mais generosa?

O autoconhecimento é um caminho longo e, às vezes, doloroso. Mas as paisagens são bem, bem bonitas.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O dilema da beleza, pela última vez (espero)

Por um lado, para mim é muito claro que espera-se que as mulheres gastem muito mais tempo, dinheiro e energia em sua aparência do que os homens. Por outro lado, a gente tem de viver nesse mundo, e há mulheres que de fato têm prazer em atividades relativas a moda/maquiagem. Parte do movimento feminista se recusa a se conformar aos padrões estabelecidos pelo patriarcado (o que eu acho validíssimo), e isso é causa de muita briga e discussão. Tem muita moça que acredita na igualdade de gêneros, mas não se intitula feminista porque acha que o movimento não permite que ela passe esmalte.

Depois de muito ler e quebrar a cabeça a respeito, acho, como várias outras mulheres, que passar esmalte não é feminista, mas também não é necessariamente anti. Não vamos nos iludir, mas também não vamos nos massacrar (ou massacrar as colegas). Coerência perfeita seria ótimo, mas a vida é complexa e nós também.

Dito isso, acredito que é importante termos consciência de que sim, espera-se que as mulheres gastem muito mais tempo, dinheiro e energia em sua aparência e isso é uma sacanagem, porque a gente poderia estar gastando isso tudo em muitas outras atividades divertidas ou lucrativas. (Sem falar que, se você segue as regras desse jogo, é uma fútil; se não segue, é uma baranga. Não tem como ganhar, gente!). Então a minha estratégia é:

1) não julgo mulheres pela aparência, ponto (é um exercício constante, porque a mídia e a sociedade ensinam que o primeiro objetivo na vida da mulher é ser bonita, mas sigo me esforçando e aprendendo).

2) evito revistas, sites e programas que só mostram mulheres dentro do padrão de beleza (é difícil, viu?). Estou tentando "destreinar" o olhar.

3) encaro meus cuidados com a aparência que vão além da higiene como um hobby, não como uma necessidade ou um definidor de personalidade. Ou seja, vigio o tempo, dinheiro e energia dedicado a isso. Não, não é razoável que as mulheres gastem uma grande fatia de seus salários (que já é menor do que o dos homens) com acessórios e produtos de beleza. Nunca vou me esquecer de uma colega de trabalho (que ganhava muitíssimo bem) contando que estava no vermelho aquele mês por causa do monte de roupa que tinha comprado, sendo que ela já tinha um armário recheado. A declaração foi recebida com muita tranquilidade na mesa. Se fosse um colega homem dizendo a mesma coisa a respeito de, sei lá, sua coleção de vídeo games, acho que o povo tinha se agitado mais, não?

4) faço o mínimo. Acho que jamais voltarei a usar salto alto de novo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ah, mas pra você é fácil!

Acho que quase todo mundo já deve ter ouvido isso. É assim: você toma uma decisão um pouco fora do roteiro e logo vem alguém correndo dizer: ah, mas pra você é fácil!

Largar um monte de vaidades: ah, mas pra você é fácil, porque você é casada!

Não pintar os cabelos brancos/raspar a cabeça: ah, mas pra você é fácil, porque você já tem emprego!

Tirar um sabático: ah, mas pra você é fácil, porque você conseguiu uma licença do trabalho!

Viajar pelo mundo: ah, mas pra você é fácil, porque você não tem filho!

Sem entrar no mérito se é "fácil" ou não, eu sinceramente fico sem reação. Querem que ninguém faça nada, nunca, porque é " fácil"? Ou preferem que a gente desfie um rosário de lamentações pra explicar que na verdade é difícil e que estamos sofrendo muito?

Talvez não seja nada disso, né? Pode ser que o comentário seja feito quando a pessoa está na defensiva, e quer justificar a razão dela mesmo não tomar aquela decisão.

Mas ninguém disse que os outros têm de fazer o que a gente está fazendo, poxa!

Só se acharem que é uma boa ideia. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mas o que os outros vão pensar

Mas o que os outros vão pensar se eu começar a me desfazer dos objetos em excesso e repetir roupa nos eventos? Que eu fiquei doida? Que eu fiquei pobre? Que eu tô pagando promessa?

Como a gente vive em sociedade, e é normal se preocupar com a opinião alheia, a maior parte das pessoas quer ser admirada e querida pelos seus iguais, né?

Só que não podemos deixar a vontade de agradar ser obstáculo a mudanças que não prejudicam ninguém e só nos beneficiam. Eu sei, é difícil - ainda mais para as mulheres, que são educadas para fazer que os outros gostem dela. Mas vamos lá, coragem - a gente dá conta.

Principalmente se lembrarmos que...

1) as pessoas se ocupam dos outros, mas se preocupam mais consigo mesmas. Então, depois de um suspiro ou de um olhar de reprovação (que audácia você querer sair "do esquema" que todo mundo segue), elas vão cuidar dos seus próprios problemas, que obviamente são muito mais importantes (pra elas).

2) há quem se ocupe muito dos outros, é verdade. Mas geralmente é quem gosta de botar defeito em tudo. Se você parou de comprar, tá inventando moda; se compra, tá esbanjando. Se trabalha muito, é workaholic; se quer trabalhar menos, é preguiçosa. Então a gente pode largar mão.

3) às vezes a desaprovação vem do fato da pessoa ficar apavorada pela existência de um modo de vida diferente. Como assim, tem outro jeito de fazer as coisas? Ela se mata pra trocar de carro todo ano/ter o celular mais moderno/usar as últimas tendências e você não acha importante? Pra onde que esse mundo está indo, meu deus do céu?

Ao fim e ao cabo, no fim do dia a gente tem de prestar contas é pra si mesmo. Eu não quero que as palavras no meu epitáfio sejam "todo mundo achava que ela era um sucesso. Mas ela não era muito feliz, não."

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Desapego do cabelo

Eu já fui cabeludíssima, daquelas às quais a cabeleireira diz, num tom quase acusatório: "você tem muito cabelo!". Aí, há uns dez anos, ele começou a cair muito e alegremente.

Passei por alguns dermatologistas, que me recomendaram aplicações tópicas (duas vezes por dia: usei uma semana e larguei) e complementos de ferro (funcionou só enquanto eu estava tomando). Li uns artigos e discussões em fóruns sobre o assunto, e o que vi foi 1) a luta contra a calvície feminina é constante e desanimadora, porque pelo jeito nada funciona de verdade; e 2) as moças se angustiam muito com isso.

Então eu larguei mão. Eu já estava na fase feminista na qual tinha descoberto que eu não sou só minha aparência. E concluí que... cabelo? É só cabelo.  

Olha, eu entendo perfeitamente que os cabelos estão ligados à auto-imagem das pessoas, principalmente das mulheres. Longe de mim criticar quem não quer ficar careca. Mas estou preferindo evitar a fadiga.

Hoje eu não sou tão cabeluda quanto um dia fui, mas ainda estou dentro da normalidade capilar (média baixa, digamos). No entanto, se meu cabelo continuar caindo como está (e olha que eu tomo um anticoncepcional que em tese ajuda no cenário), daqui a uns 10 anos não terei muitos fios.

Aí minha ideia é passar máquina e pronto. Melhor do que ficar ajeitando uns fiapos no crânio e torcendo para que as pessoas não percebam que eu estou ficando careca. Elas vão ver que eu sou careca.

Estou pensando se eu aproveito minha temporada sabática e raspo o cabelo agora pra ver como é que é (porque se eu odiar com todas as forças posso pensar em reconsiderar a minha recusa a tratamentos) ou se aproveito meus últimos anos cabeludinha.

Bebês também são carecas e ninguém reclama

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Faça você mesma

Agora que estou com tempo livre e com poucas entradas financeiras (só dos meus investimentos), resolvi tomar um passo lógico: fazer eu mesma algumas coisas que eu pagava para alguém fazer para mim.

Já estou fazendo meu almoço e limpando a cozinha (antes eu almoçava em restaurantes, no trabalho). Já fiz faxina também, o que consome um tempo e uma energia danada, diga-se de passagem. Meu próximo passo foi fazer minhas próprias unhas.

Eu demorei cerca de duas horas para fazer as unhas do pé. Sim. Duas horas. Ainda bem que eu estava vendo TV ao mesmo tempo ou seria muito monótono. A ideia é que eu melhore minhas habilidades com a prática e diminua esse tempo para uns 40 minutos. Ou então que eu não melhore nunca e simplesmente resolva deixar as unhas ao natural. Qualquer uma das duas coisas está bom por mim.

Meus apetrechos para fazer unha.

A mão já foi bem mais fácil. Um dos motivos é que eu resolvi deixar as cutículas. Não vou arrancá-las mais. Demorei uns 40 minutos para fazer a mão e fiquei orgulhosa do resultado.



Próxima coisa que eu farei eu mesma: lavar meu carro.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Carreira: seguir o sonho X buscar segurança

Eu não tive dúvida: busquei segurança. Porque eu sempre achei que um dos ingredientes da felicidade é ter autonomia financeira - isto é, independência dos pais, do cônjuge, da família - e é difícil ser feliz morando com o pai e com a mãe, mesmo tocando em barzinhos toda noite. Só tendo o próprio dinheiro a gente é livre para fazer as próprias escolhas - e são bem poucos os catapultados dos barzinhos para a fama.

Dito isso, vamos explorar o conceito de autonomia financeira? Pra mim, já foi ganhar muitos milhares de reais por mês - ter grana para comprar um apartamento bala, um carro bacana e roupas da moda, ou seja, "ser um sucesso" aos olhos dos outros. Depois percebi que as minhas vontades eram outras. O desejo de ser proprietária de imóvel passou rápido depois que casei, faz anos que eu não dirijo, e ficar acompanhando os lançamentos dá um trabalho sem fim.

Pra mim, autonomia financeira é ter grana para se manter com um pouco de conforto, comprar chocolate e livros e viajar. Não dá pra fazer com o salário mínimo, concordo, mas também não preciso ser presidente de empresa ou juíza. Depois que eu e o Leo decidimos não ter filhos, então, ficamos mais tranquilos ainda.

Um dos objetivos do nosso sabático é pensar o que queremos das nossas carreiras. Se vamos continuar optando pela segurança - e sendo felizes ao fim do expediente e nos fins de semana - ou vamos partir para outras opções, menos estáveis e mais divertidas.

Tipo seguir o sonho.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Grace Kelly não era feliz


Não sou eu que estou dizendo: são os amigos da princesa, que foram entrevistadas no livro "Grace Kelly: les derniers secrets (os últimos segredos)".


Grace era linda, filha de milionário, atriz de sucesso e de talento (ganhou um Oscar). Aí aceitou a proposta de casamento do príncipe Rainier e... se deu mal.

(Parêntese explicativo: Mônaco era - é - um balneário de luxo. Como a frequência estava diminuindo, Aristóteles Onassis, o armador grego, sócio de Rainier, sugeriu a ele que se casasse com uma atriz de Hollywood, em um belo golpe publicitário, para chamar a atenção do mundo para o principado. Marilyn Monroe foi sondada, mas como ela insistia em chamar Rainier de Reindeer (rena), foi descartada.)

Grace foi apresentada ao príncipe. Eles trocaram cartas durante alguns meses. Então ele foi aos Estados Unidos encontrá-la pela segunda vez... e pedi-la em casamento. Ela aceitou, e o pai dela pagou 2 milhões de dólares de dote (!).

Então ela virou princesa, mas a família real monegasca achava que ela não estava à altura do Rainierzinho e ele, basicamente, era um chatão: machista, não ligava a mínima para os interesses culturais da esposa, não deixou que ela retomasse a carreira de atriz e não demorou muito para começar a traí-la.

E por que ela não largou o príncipe Rena? Um dos motivos foi o fato do contrato de casamento estabelecer que, em caso de separação, ela não poderia levar os filhos - e ela já voltou da lua-de-mel grávida. O outro, eu acho, é que ela não conseguia admitir a própria infelicidade -  como é que ela podia ser linda, rica, famosa, princesa e infeliz? - e fazer algo a respeito.

Essa historinha toda é pra dizer que dinheiro e sucesso não são garantia de felicidade. Eu sei, é muito irritante. Cada vez mais me convenço que para ser feliz, a gente precisa só de recursos suficientes para ser autônomo (e há quem seja feliz com menos que isso!). O resto é por nossa conta.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Desapego de opiniões

Eu já fui aquela pessoa que achava muito importante ter, como diz o Raul Seixas, "opinião formada sobre tudo". Como eu ia participar de uma conversa sem ter um lado para defender, gente? Ainda mais sendo estudante de (e depois formada em) Direito?

Mas é aquela coisa: quanto mais vivo, mais leio e mais aprendo, mais vejo quão complexo o mundo é, e quão difícil é estabelecer quem está certo e quem está errado em diversas situações. Sem falar que a gente muda de ideia. Eu não acho que isso seja sinal de incoerência, mas de amadurecimento.

O resultado é que larguei mão de sentenciar verdades em vários assuntos. Prefiro escutar, refletir, e às vezes não chegar à conclusão alguma. Antes isso me afligia, mas agora estou em paz com esse resultado.

Prefiro ser essa metamorfose ambulante.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O meu (e o seu) verdadeiro eu

Uma das coisas boas do minimalismo é que a gente faz um trabalho de auto-conhecimento. Sim, porque para se livrar do que não é essencial, rola toda uma análise interna. E não adianta mentir para si mesmo, porque senão o propósito se perde.

Eu gostaria de dizer que tive uma revelação luminosa sobre o meu interior, mas basicamente o que estou descobrindo é o que eu já desconfiava:

- eu não sou timida, eu sou antissocial. Quer dizer que eu gosto das pessoas que eu gosto, e não tenho paciência de travar conhecimento com que eu nunca vi para eventualmente descobrir se ela é bacana ou não. (Nessa hora valem as recomendações de amigos, os blogs que as pessoas escrevem ou interesses em comum. Quer dizer, tem de ter um ponto de partida.)

- a principal razão pela qual eu gosto de aprender línguas não é me comunicar, é poder ler um monte de livros em outra língua. É, eu sou viciada em leitura. É, isso provavelmente reforça a antissocialidade. Paciência.

- quanto menos a gente liga para a opinião "das pessoas", mais independente e feliz somos. A gente recebe muito menos elogios/aprovação, mas se diverte muito mais. Não é fácil, principalmente para as mulheres, que são ensinadas a buscar que todo mundo goste delas, mas é possível. Coragem!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Imposto de Renda: faça você mesmo

Declaro meu próprio imposto de renda há dois anos, quando decidi parar de gastar com contador para fazer algo de que eu sou plenamente capaz.
Vem cá, leãozinho.
Vou te domar.

Parece ser uma coisa complicadíssima, mas não é tanto assim não. E olha que eu tenho investimentos, o que dificulta um pouco.

Além da autonomia e da independência dessa atitude, a economia financeira é real. Aí você me pergunta: mas e a economia de tempo? E eu te respondo: o que mais demora é juntar toda a documentação, e você vai ter que fazer isso mesmo que contrate um contador (ou peça para outra pessoa fazer pra você). A primeira vez pode ser um pouco mais demorada, porque você vai ter que aprender tudo, mas depois fica tranquilo.

1. Juntar documentos.
- Recibos. Compre uma pasta e, durante o ano, guarde ali tudo que você vai precisar pro imposto de renda: recibos de médico, de escola, de compra ou venda de apartamento etc.
- Informes de rendimentos. Quando chegar fevereiro, crie uma pasta no computador e vá em todos os sites de instituições financeiras onde você tem conta. No meu caso, tenho conta em um banco, poupança em outro e a corretora para lidar com ações. Todas têm que emitir os informes. Às vezes elas mandam por correio, mas eu acho mais prático pegar online e guardar.
- Comprovante de rendimentos. Pegue os comprovantes de rendimentos do seu empregador ou de quem mais te pagou pela prestação de algum serviço.

2. Baixar e instalar o programa.
Faça o download no site da Receita Federal. São dois programas. Um pra você declarar, outro pra transmitir.

3. Preencher os campos no programa.
Tendo os documentos em mãos, é bem tranquilo. No caso de dúvidas (e elas vão surgir, mas é fácil esclarecer):
- Clique no botão de ajuda do próprio programa.
- Veja se não tem as explicações no próprio site da receita, nesta área.
- Pergunte ao Google.
- Vou recomendar aqui dois posts que me ajudaram muito, ambos do Blog do Investidor: Dicas para Declaração de Imposto de Renda e Como declarar Ações no Imposto de Renda.

4. Transmitir.
Quando terminar de preencher, é só usar o programa da receita para transmitir. Gere o comprovante e guarde no seu computador. Ah! Não deixe para a última semana, que os servidores da receita ficam meio sobrecarregados, podendo demorar e até dar erro.

5. Guardar os documentos.
É bom manter a papelada toda organizada nas pastas física e digital, para o caso de você cair na malha fina. No caso do comprovante da declaração (são duas folhas só), eu guardo uma versão impressa e uma digital, por via das dúvidas.

PS: Declarar o próprio IR dá muita tranquilidade para quem é meio obsessiva e controladora como eu :)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Peso: saúde X padrão de beleza

Antes de me desapegar dos objetos, me desapeguei de muitas noções bobas que só serviam para me prender. Entre elas, a noção de que mulheres tem de estar sempre belas, ou de que beleza feminina = valor pessoal.

Para mim, foi muito libertador. Entre outras coisas, decidi que nunca mais perderia tempo fazendo dieta (porque eu já quis ficar mais magra, mesmo já o sendo) ou frequentando academia de ginástica (que eu odeio).  

O que é ótimo. Só que, se deixar por minha conta, meus grupos alimentares básicos são chocolate, batata frita e sorvete. Nesta viagem ao Sudeste Asiático, então, estou aproveitando para matar a fome, toda vez que a comida local é suspeita (e eu acho quase tudo suspeito), como batatinhas Pringles e barras de Mars.

Imagino que isso estejam se refletindo na minha taxa de colesterol ruim, que nunca foi muito santo. Mas, como eu não pretendo fazer um exame de sangue enquanto estou viajando, o reflexo visível é mesmo na calça jeans, que começa a ficar difícil de fechar.

Aí fico naquele dilema: diminuir os doces e as frituras é me curvar às exigências da sociedade quanto à aparência feminina ou é cuidar da saúde? Porque vocês sabem: quando o assunto é mulher, a mídia (e o "senso comum") vende saúde e beleza como a mesmíssima coisa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tudo ao mesmo tempo agora

Um pouco depois de virar adulta, descobri que eu podia ser qualquer coisa, mas não podia ser tudo. A gente tem de escolher se quer ser advogada ou engenheira, porque o dia só tem 24 horas. Há várias identidades que dá para conciliar (advogada/fã de livros/bilíngue/tia), mas tem outras que não.

Junto com minha adesão ao minimalismo, fiz uma descoberta fantástica: não dá pra ser um monte de coisas AO MESMO TEMPO. Mas pra ser um monte de coisas SE FOR UMA DEPOIS DA OUTRA!

Assim, eu me formei, arrumei emprego, casei, montei casa. Oito anos depois, esse estilo de vida deixou de fazer sentido - e então, depois de pensar muito e me preparar bastante, eu mudei. Continuo casada e continuo formada, mas me desfiz da casa e dei um tempo na vida profissional. Deixei de saber o que vai acontecer mês que vem. E olha, tem sido bom.

É claro que essa escolha tem um preço, como todas as escolhas. Mas a percepção que a gente pode viver várias vidas em uma só, que as decisões não precisam ser definitivas, e que o amanhã pode trazer surpresas, é uma maravilha.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meus brincos de brilhante

Lá em 2006, quando eu ainda achava que bens materiais eram prova de sucesso, pus na cabeça que eu queria ter brincos de brilhante. Quando estive em Amsterdã, achei que era uma "oportunidade" comprar os brincos direto do fabricante - isto é, mais barato do que no Brasil. Na época, eu não sabia que a De Beers estocava diamantes para aumentar artificialmente o preço, e também não conhecia o drama dos diamantes de sangue.

Enfim. Fui na lojinha e espiei os brilhantes.  Enquanto pensava, vi na saída brincos iguaizinhos, só que de zircônia, isto é, muito parecidos e milhares de vezes mais baratos.

Os brincos
O pão-durismo ganhou: comprei os brincos de zircônia (por 10 euros, se não me engano) e saí por aí.

Hoje eu morro de rir dessa história. Fico feliz de não ter gasto uma grana em um produto cujo preço, devido a estratégias de mercado, não corresponde a seu valor intrínseco. E tem outra: como eu vivo perdendo brincos, provavelmente meus brilhantes ficariam eternamente na gaveta.

Aproveitando o gancho da Fê, que falou de bijuterias no último post: faz um tempo que eu deixei de usar balangandãs. Já houve um momento em minha vida em que considerava anéis, pulseiras e colares acessórios importantes, e até quando viajava carregava umas opções para trocar. Sem falar que, como a maioria das mulheres, vivia ganhando bijus em datas festivas.

Fui diminuindo e gostando, até porque sempre achei chato aquele ritual de abrir fechos pra tomar banho e dormir. Também me livrei da preocupação de combinar a roupa com o estilo e o metal dos blingue-blingues.

Agora só uso a aliança e meus brincos de brilhante, opa, zircônia. Gosto de pérolas também (eu tinha um par de brincos de de pérolas de Maiorca, aqueles que não é de verdade verdadeira, mas só recobertos de nácar: eram lindos e ótimos, mas um deles descascou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Como me livrei da escravidão das unhas feitas

Em uma fase da minha vida, ter as unhas feitas era sinal de sucesso e beleza. Eu tinha pouca paciência com salão de beleza, e sempre tiravam um bife da minha cutícula, mas eu achava bonito e importante.

Isso não quer dizer que eu fazia questão de ter as unhas perfeitamente esmaltadas o tempo todo, mas sentia obrigação de passar pela manicure antes de uma festa ou de uma viagem.

Foi que eu comecei a achar que eu estava entrando em uma furada. Fazer as unhas antes de viajar significava que, na véspera da partida, quando eu podia estar fechando a mala/me despedindo dos amigos/descansando, eu tinha de bater ponto no salão. Significava também que eu tinha de levar comigo acetona, algodão, lixa e esmalte para retoques. E que eu tinha muitas oportunidades de ficar brava quebrando a unha ao tirar a mala da esteira ou abrindo um pacote mais teimoso.

Aí larguei, junto com outras vaidades. Passei a cortar curtinho, umas duas vezes na semana, e só. Chato foi deixar as cutículas voltarem ao normal, porque elas cresciam soltas da superfície da unha. Mas fui passando hidratante e, hoje, elas são bem discretas.

E limpíssimas. Eu já ouvi mulheres comentando que unha feita é questão de limpeza ou higiene, e vou discordar. Todo dermatologista recomenda que a cutícula não seja cortada, porque ela funciona como proteção. E embaixo de unhas longas tem lugar pra sujeirinhas se acumularem, né não?

Não estou dizendo que pessoas que fazem as unhas não são limpinhas, tá? Só estou dizendo que quem não faz não é sujinha. Muito antes pelo contrário.

Vou pegar um voo amanhã. Se eu me preocupasse com as unhas, não aqui estaria escrevendo este post.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Truques de beleza fáceis e rápidos

Bom seria se a gente não tiver que se preocupar em ser belas, só em ser. Enquanto trabalhamos nisso, umas dicas rápidas para aumentar nossa alegria quanto à aparência.

1) Tenha poucos espelhos em casa. E mal-iluminados.

2) Evite revistas femininas. Eu era fã, mas descobri que elas de fato distorcem nossa realidade. A gente fica achando que todas as mulheres são brancas, magras, jovens e de cabelo liso. E não são.

3) Fuja de espelhos aumentadores como o diabo da cruz. Ninguém enxerga a gente daquele jeito mesmo.

4) Se você quer se inspirar em alguém, escolha uma pessoa que você possa admirar em outros sentidos além da aparência. Eu gosto da Madeleine Allbright, ex-ministra americana de Relações Exteriores, para escolher roupas de trabalho e da Christine Lagarde, presidenta do FMI, como exemplo de chiquê generalizado. E o Leo é meu ícone de moda e beleza: ele tem poucas roupas, todas parecidas, não faz tratamentos estéticos e está sempre feliz.

5) Sabe as marcas que vendem produtos de beleza? Elas dizem que estão interessadas no seu bem-estar e em sua auto-confiança, mas não é verdade. Elas estão interessadas no seu dinheiro. Não quer dizer que elas não vendam bons produtos, mas quer dizer que você não deve acreditar em tudo que elas dizem.

6) Faça o mínimo possível. Minha mãe é da opinião que "quanto mais mexe, pior fica".

Só sendo


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vivenciando os gastos

Uma das minhas estratégias para não gastar desnecessariamente e para ter maior controle das minhas finanças é vivenciar todos os gastos que eu faço. Por isso, não parcelo compras e não uso o débito automático.

Quando a gente divide um pagamento em parcelas, a gente se ilude achando que não gastou tanto assim. Afinal, é apenas uma parcelinha de R$ 200,00 e eu vou ter uma televisão chiquérrima em casa! O problema é que gastou sim. E a gente vai perdendo a noção do que já pagou e do que vai ter disponível no futuro. E vai gastando mais, comprometendo um dinheiro que a gente ainda não tem. E assim vamos construindo nossas próprias amarras, para ficarmos dependentes de salários e de chefes. Será que vale mesmo a pena? Eu acho que não.

Outra armadilha que tira nossa noção e nosso controle é o débito automático. Como a gente não tem que ir lá ao internet banking ou ao caixa eletrônico e ativamente pagar a conta, saber o valor que pagamos e ver o dinheiro que temos na conta diminuindo, a gente não sente o impacto do gasto.

Além disso, ficamos com a impressão de que aquele gasto é obrigatório, como se fosse o pagamento de Imposto de Renda, que é debitado automaticamente do nosso salário. De repente, nossa internet, conta de celular, conta de luz, cartão de crédito... Tudo isso parece ser inquestionável. Mas não é. Estamos pagando por um produto ou serviço que escolhemos consumir. E precisamos saber disso.

Para alguém que deseja ser consciente da própria vida e fazer as próprias escolhas, vivenciar os próprios gastos e ter controle sobre eles é fundamental. O efeito é mais psicológico do que prático, mas é real.

PS: Ainda estou analisando meus gastos de 2012. Estou consolidando tudo porque mudei de ferramenta no meio do ano. Em breve o post vem. Prometo.