Mostrando postagens com marcador casos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador casos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Você é dono da empresa de energia elétrica?

Uma lembrança clara que eu tenho do passado é meu pai andando pela casa, apagando as luzes que a gente deixava acesas mesmo sem estar nos cômodos, e gritando:

- Por acaso vocês são donos da Cemig? 

A Cemig é a empresa de energia elétrica de Minas Gerais. E o que meu pai queria dizer com isso é que a gente estava gastando energia elétrica desnecessariamente, e que ele tinha que pagar por ela, já que não éramos donos da empresa fornecedora.

Eu achava graça nessa fala, e hoje eu até brinco com os meus irmãos quando eles deixam a luz acesa usando a mesma frase. No entanto, é legal perceber que eu criei o hábito de apagar as luzes ao sair de um aposento. Educar uma criança não deve ser fácil, mas não é que elas até escutam e aprendem? Essa foi uma das muitas coisas que eu aprendi com meu pai.


Curiosidade: hoje eu tenho ações da Cemig, então eu até que sou uma das donas dela, mas tenho que pagar a conta do mesmo jeito.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Disney: minha primeira experiência minimalista

A irmã I. foi me visitar! Essa foto não mostra a parte de baixo
do uniforme: uma calça cor-de-burro-quando-foge, que não
combinava em nada com a blusa lilás-desbotado, o colete
azul-correio e o casaco de frio prata-estelar.
Eu nunca tinha pensado nisso até a Fê falar, mas nosso período de trabalho na Disney foi um primeiro experimento com o minimalismo. A gente tinha pouca coisa (só o que coube em uma mala) e a casa, embora confortável, era simples. Posso dizer que aprendi muitas lições nesses três meses na Flórida:

1) Uniforme para trabalhar é o que há: embora eu achasse o uniforme da minha loja medonho, ele era confortável. Eu ficava pronta em 10 minutos e não gastava roupas "civis" no batente. Ressuscitei a ideia anos depois, com a combinação camisa social + calça social + sapato baixo para trabalhar.

2) Diversão fora de casa faz com que você não fique muito tempo nela: a gente usava o tempo livre passeando nos parques (é, podíamos entrar de graça em todos eles). Isto é, o lar ser pequeno não importa se perto dele houver entretenimento: praça, praia, bosque, museu.

Na graduation, a cerimônia que
marcava o fato de você ter sobrevivido
ao programa. Sorrindo. 
3) Transporte público que funciona é pura alegria: a Disney punha à nossa disposição várias linhas de ônibus que faziam os trajetos casa-parques e casa-supermercado. Eu ficava pronta para trabalhar em 10 minutos, corria até o ponto e ia tranquila até o trabalho (e às vezes até tirava uma soneca). Não tinha preocupação com carro, combustível, estacionamento ou rota.

4) Quem não tem cão caça com gato: na hora da necessidade, a gente se vira. Suporte de pratos e talheres da máquina de lavar vira escorredor. Copo vira porta-escova de dente. Camiseta vira pijama. E pizza vira café da manhã, né, Fê?

5) Roupa preta combina com tudo, principalmente com mais roupa preta!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A experiência da Disney: compras desenfreadas

Quando cheguei para trabalhar na Disney, minha vida era lindamente minimalista. Poucos objetos, poucas tralhas, muitas experiências e diversão.

Até que foram chegando meus primeiros pagamentos (a gente recebia por semana) e eu fui descobrindo as maravilhas dos outlets e do property control. Este último então... Era um galpão enorme cheio de produtos com pequenos defeitos que não passaram no controle de qualidade da Disney. E quem trabalhava lá, caso meu e da Lud, podia comprar tudo com 75% de desconto. Era muito barato.

Resumindo, fui com um tiquinho de posses e voltei com toneladas de roupas, objetos dos mais diversos e enfeites da Disney. Eu cheguei ao absurdo de comprar 3 caixinhas de música. Eu falava para mim mesma que eram para dar de presente, mas acabei trazendo tanta coisa que a maior parte dos tais presentinhos ficaram comigo.

Além disso, eu sempre ficava pensando que era uma oportunidade, já que eu tinha desconto em qualquer coisa que comprasse lá, por ser funcionária. A grande e conhecida ilusão chamada promoção (hoje não me pega mais).

É... Eu fui com uma mala cheia até a metade, e voltei com duas lotadas e um ursinho Pooh na mão.

Gosto de acreditar que atualmente eu sou mais sábia.

Eu e um vizinho no dia em que fomos embora da Disney. As minhas malas são as duas (a preta e a verde) na minha frente. Dá para ver que estão lotadas. Chocante, não?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A experiência da Disney: vivendo com pouco

Dez anos atrás, eu e a Lud moramos juntas por alguns meses em Orlando, na Flórida, enquanto a gente fazia um programa de trabalho na Disney.

Eu levei na mala (e era mais ou menos o que todo mundo levava também):
  • 10 fotos para lembrar da família e dos amigos; 
  • 2 calças jeans; 
  • 2 saias; 
  • 1 short; 
  • 1 casacão de frio; 
  • 1 sapato preto; 
  • 1 bota marrom; 
  • 1 par de chinelos; 
  • 10 blusas (mais ou menos); 
  • 1 toalha; 
  • 1 biquini; 
  • 1 pijama; 
  • 1 diskman com uns 10 CDs de música; 
  • 2 livros;
  • algumas poucas roupas íntimas e meias. 
Lá eu precisei e comprei um tênis para trabalhar e uma câmera fotográfica digital (era novidade na época). As compras no supermercado eram de comida, produtos de limpeza e de higiene.

Fiquei 4 meses com isso e fiz coisa pra caramba! Trabalhava (de uniforme da Disney, o que facilitava a vida), passeava nos parques, ia em boates e festas, fui até em parque aquático e fiz um cruzeiro para as Bahamas. Li livros da biblioteca da Disney e dos colegas, troquei de roupas com as amigas, usava o computador do condomínio, lavava e secava as roupas quando elas sujavam. Aproveitei muito! Fui muito feliz!

A gente tinha uma TV em casa, mas vimos uns dois filmes no tempo todo em que estivemos lá. Era mais legal ir ao cinema, aos parques ou passear. Ou então a gente ficava lendo ou conversando.

Senti falta das pessoas e até dos lugares daqui, mas nunca de objetos. A verdade é que a gente precisa de muitas poucas coisas para viver bem e ser feliz.

Eu, a Lud e uma de nossas roommates no pavilhão da França, no Epcot.
PS: mas nem tudo na Disney foram flores minimalistas, depois conto o lado perverso da coisa.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Grace Kelly não era feliz


Não sou eu que estou dizendo: são os amigos da princesa, que foram entrevistadas no livro "Grace Kelly: les derniers secrets (os últimos segredos)".


Grace era linda, filha de milionário, atriz de sucesso e de talento (ganhou um Oscar). Aí aceitou a proposta de casamento do príncipe Rainier e... se deu mal.

(Parêntese explicativo: Mônaco era - é - um balneário de luxo. Como a frequência estava diminuindo, Aristóteles Onassis, o armador grego, sócio de Rainier, sugeriu a ele que se casasse com uma atriz de Hollywood, em um belo golpe publicitário, para chamar a atenção do mundo para o principado. Marilyn Monroe foi sondada, mas como ela insistia em chamar Rainier de Reindeer (rena), foi descartada.)

Grace foi apresentada ao príncipe. Eles trocaram cartas durante alguns meses. Então ele foi aos Estados Unidos encontrá-la pela segunda vez... e pedi-la em casamento. Ela aceitou, e o pai dela pagou 2 milhões de dólares de dote (!).

Então ela virou princesa, mas a família real monegasca achava que ela não estava à altura do Rainierzinho e ele, basicamente, era um chatão: machista, não ligava a mínima para os interesses culturais da esposa, não deixou que ela retomasse a carreira de atriz e não demorou muito para começar a traí-la.

E por que ela não largou o príncipe Rena? Um dos motivos foi o fato do contrato de casamento estabelecer que, em caso de separação, ela não poderia levar os filhos - e ela já voltou da lua-de-mel grávida. O outro, eu acho, é que ela não conseguia admitir a própria infelicidade -  como é que ela podia ser linda, rica, famosa, princesa e infeliz? - e fazer algo a respeito.

Essa historinha toda é pra dizer que dinheiro e sucesso não são garantia de felicidade. Eu sei, é muito irritante. Cada vez mais me convenço que para ser feliz, a gente precisa só de recursos suficientes para ser autônomo (e há quem seja feliz com menos que isso!). O resto é por nossa conta.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

As revistas do meu pai

Desde que eu me entendo por gente, meu pai colecionava revistas Veja. Não vou nem entrar no mérito da qualidade (ou falta dela) da revista. O fato é que ele assinava a revista e guardava todas.

Lembro de inúmeros trabalhos de escola em que a professora pedia para a gente recortar alguma coisa de revistas, mas eu não podia cortar das Vejas do meu pai. Ele tinha que guardá-las intactas, oras! Eu queria o quê? Que ele estragasse a coleção mantida há anos por causa de um trabalhinho de escola. Então ia eu pedir para os tios, os vizinhos...

E os anos foram passando, eu crescendo, e meu pai encaixotando as revistas e mandando para o sítio da família, onde elas ocupavam já um quarto inteiro. A revista é semanal. Ele assinava há mais de 20 anos. Façam as contas.

Um belo dia, precisaram usar o tal quarto do sítio ocupado pelas caixas. Foram então descobrir que elas estavam tomadas por traças e outros bichinhos e que muitas das revistas estavam destruídas.

As revistas do quartinho foram então sendo jogadas fora aos poucos, porque eram muitas e estavam no sítio. Meu pai tentou doá-las, mas ninguém quis (tentamos bibliotecas e amigos). Em eras de internet, para quê?

Todo fim de semana, meu pai voltava do sítio com uma caixa de revistas para colocar junto com o lixo da casa. Ainda hoje tem algumas traças e revistas lá no sítio.

A Veja ainda chega lá em casa, mesmo meu pai não morando mais lá. Na maioria das vezes, elas ficam dentro do plástico. Ninguém tem interesse nem de abrir. Algumas vezes, minha mãe as leva para a escola onde dá aula para os alunos recortarem. Meu pai nunca perguntou das revistas, nem cancelou a assinatura.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Gastar em experiências, não em posses

A partir do meio de 2010, eu e o marido paramos de comprar, ponto. (Ok, compramos leitores digitais, depois de refletir longamente sobre como eles nos ajudariam a nos desfazermos de nossa biblioteca, e como seria bom pedir vale-livros eletrônicos nas datas festivas. Estávamos certos nos dois casos.)

Não foi tão difícil, porque já éramos pessoas econômicas, mas houve alguns momentos que eu senti vontade de consumir, sim. Mas aguentei firme, e conseguimos fazer um bom pé de meia para nosso período sabático.

Em Phuket, sentimos uma vontade louca de ficar em um lugar bacana, em uma praia de cartão postal - diferente das outras cidades, em que escolhemos opções em conta. E, como a gente tinha economizado muito, durante meses, a grana deu.

O biquíni é velhinho, o chapéu comprei com desconto, os óculos custaram 2,90 euros em uma barraquinha em Singapura, mas a praia... é tudo isso aí mesmo.