quarta-feira, 4 de maio de 2016

Desapegando da fetichização dos produtos

Nossa sociedade consumista fetichiza produtos. A publicidade faz isso para vender. Somos levados a acreditar que um produto vai dizer ao mundo - e a nós mesmos - quem a gente é. Se queremos parecer bem sucedidos, usamos tais e tais produtos. Se queremos parecer descolados, usamos tais e tais. 

O curioso é que o sistema é tão forte, e está tão integrado com a nossa cultura e a nossa sociedade, que ele tenta acomodar até quem foge dele.

É o que acontece com quem se julga livre do consumo de roupas de marca, de celulares novos, de carros chiques, e diz que o que tem valor na vida é o conhecimento - mas cai de novo no sistema ao começar a fetichizar livros, comprar livros, ter estoques de livros, e mostrar isso ao mundo para parecer uma pessoa que dá importância para conhecimento.

Mas um livro na estante não significa ter conhecimento. Se você já leu, o conhecimento está na sua cabeça e o livro estar na estante não significa nada além de que você acumula objetos. Se não leu, pior ainda. 

Outra maneira que as pessoas que acham que não fetichizam produtos o fazem é usando o mote do "caro, mas de qualidade". A desculpa é que é caro, mas eu vou comprar porque dura muito e logo eu não estou sendo consumista. É a desculpa preferida dos apaixonados pela Apple.

Enfim. É difícil mesmo fugir de algo tão intrincado na nossa cultura assim. Eu mesmo fico lutando para não fetichizar os produtos que são muito úteis para mim e que os valores combinam com os meus. Já ia citá-los aqui, mas vou me segurar. Já estou praticando o desapego.

23 comentários:

  1. E aí entra o consumo conspícuo, né, Fê? Produtos com a logomarca ou o nome em letras gigantes, pra todo mundo saber que o produto é da marca total.

    A pessoa tá fazendo propaganda sem ganhar nada e ainda se orgulha disso.

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    1. Tem isso ainda! Bem lembrado! Esse povo que vende é esperto mesmo, não? Ou talvez quem consome é meio bobo? Acho que é um meio termo juntando as duas coisas, né? Hehe...

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  2. ai ai .. eu sou assim ... sempre acabo me "apaixonando" por algo por conta dessas coisas... enfim ...

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    1. A notícia boa é que você pode controlar e mudar isso, se quiser ;)

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  3. E a coisa pega a gente de jeito que me pego achando que não estou me valorizando se não comprar a marca X ou me sentindo insegura quando não uso a marca Y.
    Difícil sair dessa armadilha.

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    1. Difícil mesmo, Debora! Esse discurso de se valorizar e se premiar é difícil de resistir. Mas é só a gente pensar no que realmente tem valor e importa pra gente, colocar em perspectiva, que fica mais... não vou dizer fácil, mas possível.

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  4. Você tem algum texto sobre o apego digital?

    Meu problemas não é apenas o consumismo, porque acabo me apegando até a arquivos "grátis" (livros, apostilas...).

    Parabéns pelo blog! Esse conceito de minimalismo está me ajudando muito.

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    1. Muito obrigada, Francisco. E fico feliz em saber que o minimalismo está te ajudando. Me ajuda muito também.

      Eu tenho um post sobre coisas grátis: http://minimalizo.blogspot.com.br/2012/09/desapegando-dos-brindes-e-das-coisas.html

      Tenho esse aqui sobre arquivos digitais:
      http://minimalizo.blogspot.com.br/2015/05/nem-so-de-tralhas-fisicas-se-faz-um.html

      Este idem:
      http://minimalizo.blogspot.com.br/2015/03/desafio-limpar-caixa-de-entrada.html

      E principalmente este aqui:
      http://minimalizo.blogspot.com.br/2013/03/computador-minimalista.html

      Espero que ajude :)

      Se não, me conta suas dificuldades... Posso refletir e tentar escrever sobre isso.

      Abraço

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  5. Tenho praticado o desapego todos os dias, aos poucos a gente chega lá, as vezes é difícil, mas faz parte.

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    1. Exatamente, Susany! Também estou nesta ;)

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  6. Eh uma armadilha mesmo Fernanda..e como a gente é expert em enganar a si próprio...Esse exemplo da Apple que vc citou é um clássico. "Uso pela qualidade e durabilidade" e tal (eu dizia isso pra mim mesma), mas honestamente lá no fundo, tem aquela coisa da ostentação neh? Outro ponto que concordo em absoluto com o que escreveu, sobre os livros...até isso alguns usam para exibição.
    Temos que fazer um exercício de franqueza com nós mesmos viu...pq é fácil cair na armadilha.
    Beijos, excelente texto.

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    1. Exatamente, Jane. E o apelo da ostentação existe, às vezes sem a gente nem perceber ou assumir. Temos que ser francos com nós mesmos, e isso dá trabalho. Mas no final das contas acho que é a melhor opção. Porque, quando a gente se engana, somos nós mesmos que pagamos o preço e enfrentamos as consequências das nossas escolhas.
      Obrigadinha :)
      Beijo!

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  7. Tenho observado uma fetichização do produto "viagem". Tornou-se comum pensar que, se for em viagem, é válido gastar o que for, sem remorso, sem pensar. Naquela linha "não gaste em coisas, gaste em experiências".
    Embora eu goste muito de viajar, percebo que isso se tornou um produto de mercado, como outro qualquer. Da mesma forma que algumas pessoas colecionam bolsas, outras colecionam países que já conheceram. O mercado se apropriou disso, e transformou num produto. Obviamente, passar 4 dias num pais e 3 em outro tem muito pouco de "conhecer outras culturas".

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    1. Penso exatamente o mesmo e nem precisa passar 4 dias , basta tirar uma foto que identifique de alguma forma o pais visitado que já vale.
      Minha irmã tem uma amiga que trabalha como garçonete em cruzeiros e ela tem várias fotos dos paises que conheceu, minha irmã ficou deslumbrada e quando foi trabalhar viu que a realidade não é nem um pouco parecida, as pessoas podem sair ni máximo por 4 horas e ficar perto do porto, tanto que em quase todas as fotos só se vê água kk.
      Mas as vezes nem precisa sair do pais, basta ir em outra cidade, eu trabalho viajando com um projeto educacional por cidades do sudeste, na maioria bem pequenas e vejo meus companheiros de trabalho tirando mil fotos (mesmo quando a cidade não tem literalmente nada) e não procuram conhecer nada, no máximo compram alguma coisa no comércio local(obrigação) e param para beber num bar.

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    2. É mesmo estranho isso, de pregar o "não gaste em coisas, gaste em experiências" e transformar as experiências em "coisas" quase palpáveis, como postagens em redes sociais, em busca da identificação como alguém bem sucedido, descolado, ou rico mesmo... exatamente o que se queria evitar ao deixar de "gastar com coisas". Eu adoro viajar, e gasto parte considerável da minha renda com isso, mas gosto de questionar o que as viagens representam para mim. Creio que esse é um questionamento bom para se fazer sempre...

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    3. Oi Vania até entendo o seu questionamento, mas vou t falar uma coisa: fui criada por minha avó e ela viajou muito com meu avô, viagens pequenas pelo brasil mesmo, no fim da vida ele se foi e ela ficou mais tempo comigo e só o que ela gostava de falar era das viagens e das festas que ela organizava na igreja... ela teve sim bastante dinheiro, varias bolsas e vestidos morou numa casa com 11 comodos... mas enfim o que sobrou foram as experiencias... e por isso eu compro pouco e gasto em experiencias, e outro motivo é que consumindo menos poluimos menos e o turismo gera emprego... mas dou preferencia por viajar no brasil e a cada 5 anos }+ / - vou pro exterior (mas não compro em exagero lá)...

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    4. Concordo, Vania! O mercado é esperto e se adapta a quem quer fugir dele. Precisamos tomar cuidado para conseguir saber até que ponto estamos realmente dando valor pra algo que gostamos, e a partir de qual estamos só sendo levados a comprar um produto por status ou porque tá todo mundo comprando. Seja esse produto um bem físico ou uma viagem.

      É como fizeram com a corrida. Eu adoro o esporte justamente por ser algo democrático. Não tem que pagar alguém, não precisa de equipamento e nem de estrutura física pra correr. É só sair de casa e correr. Dá até pra correr sem tênis, dependendo do lugar. Mas o que o mercado fez? Monetizou o esporte. Hoje pessoas pagam caro por tênis metidos a besta, por personal runner, pra participar de corrida que dá uma medalhinha no final.

      Enfim... A gente tem que ficar esperto mesmo. Não é porque gostamos da coisa (viajar, ler, correr...), que devemos submetê-la a essa lógica do consumo e do dinheiro.

      E também não é porque todo mundo acha legal (vale pras mesmas coisas: ler, correr, viajar e outras) que a gente deve gostar também. As pessoas gostam de coisas diferentes.

      Não é fácil, mas vale a pena.

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  8. Vania, concordo com você. Viajar virou símbolo de status. E às vezes a pessoa nem curte tanto, mas faz questão de ir (pra postar no Facebook, será?). E volta de Paris dizendo que o que mais gostou foi do Starbucks (história real).

    Quanto à questão dos dias, permita-me ver a questão de outro ângulo. Claro que o ideal é ficar mais do que 3 ou 4 dias, mas se o viajante se prepara (pesquisa, lê, investiga), mesmo esse pouco de tempo pode ser suficiente para entrar em contato com outra cultura. Claro que você pode contra-argumentar que para quem faz isso a viagem começou muito antes de o avião decolar, rs.

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    1. Oi, Lud! Também acho que não existe regra pra viajar. Se a pessoa gostar de conhecer um lugar rapidão ou até mesmo que seja só pra exibir no facebook, deixa ela ser feliz (ou achar que é... enfim...). O perigo é a gente achar que porque todo mundo tá fazendo a gente tem que fazer também. Essa problematização que eu faço. Sempre tentando refletir sobre nossas escolhas e suas motivações.

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    2. Siiiim! Problematizar sempre!

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  9. Olá Fer, desde que conheci o minimalismo e percebi como minha vida seria melhor se colocasse-o em prática, venho desapegando de muitas coisas, mas os livros ainda são meu ponto fraco, apesar de não ter muitos. Mas a maioria dos livros que eu já li, foram emprestado de bibliotecas e das amigas ;)
    Beijos

    http://lovelyplacee.blogspot.com/

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    1. Oi, Renata! Todos temos nossos pontos fracos e cabe a nós decidir se queremos mantê-los ou superá-los. E quando. Eu escolhi superar o impulso de juntar livros e tem sido maravilhoso. Continuo adorando ler e lendo muito, mas hoje eu sei (e sinto isso) que o livro objeto é uma coisa, e o conteúdo dele é outro.
      Se você não tem muitos e lê livros emprestados, provavelmente já percebe isso ;)
      Beijos!

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