quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Reflexões sobre o minimalismo e a coletividade

Quando eu comecei a estudar e a tentar colocar em prática o minimalismo, meu principal objetivo era melhorar a minha própria vida. Achava (e continuo achando) que eu seria mais feliz e mais livre assim.

Com o tempo, e as reflexões que esse novo estilo de vida me rendeu, eu comecei a perceber que uma mudança real só pode acontecer em conjunto. Para que cada um consiga trabalhar menos e viver com mais qualidade, consumir e desperdiçar menos, ter mais liberdade e menos preocupações.

Tem um limite no que dá para fazer sozinho. Para eu ficar sem carro, eu preciso ter transporte público de qualidade. Para trabalhar menos, tanto a legislação quanto as empresas precisam mudar suas regras, além de mudar a mentalidade de que quem não é workaholic ou é preguiçoso ou não gosta do trabalho. Para consumirmos menos, é preciso que existam produtos mais duráveis, que é a contramão do que está acontecendo.

Além disso, poder contar com biblioteca pública de qualidade é importante para que se deixe de comprar livros, como a Lud mesma já falou. Poder ter segurança para ir a praças e parques permite que se abra mão de um clube, ou condomínio com área de lazer. Eventos culturais gratuitos permitem que se gaste menos com entretenimento.

Cada vez tenho acreditado mais que a liberdade e o bem estar só são possíveis se forem para todos.

Engraçado que o minimalismo e o autoconhecimento tenham me dado essa noção de coletividade e comunidade.

PS: eu estou com esse post semi-escrito nos rascunhos há tempos. Ainda queria ter as ideias mais claras e articuladas antes de postar, mas estou achando que isso é construção e.. quem sabe... colocar o texto como está pode ajudar :)

6 comentários:

  1. Muito legal, Fernanda! Concordo em tudo com você. Inclusive escrevi um pouco sobre isso num texto chamado "Os problemas do minimalismo" (http://jesusnaoecristao.wordpress.com/2014/10/18/os-problemas-do-minimalismo/)

    :)

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    1. Adoreeeeei seu texto. Não poderia concordar mais :)

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  2. Uai, no carro você inverteu a lógica: na verdade para se ter um transporte público melhor é preciso que se deixe de usar o carro. O problema é que aí entra a necessidade, assim como no caso do trabalho e dos livros.

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    1. A qualidade do transporte público não depende de eu apenas parar de usar o carro, pois não é só o trânsito o problema. Pelo menos aqui em BH, não temos linhas o suficiente e as que existem não são integradas (eu tenho que pagar duas passagens ou, se tiver cartão, uma e meia). Além disso, o metrô é a melhor solução possível para trânsito hoje nas grandes cidades, e BH tem uma única linha com tipo 7 paradas. É ridículo. A verba para a construção do metrô de BH já existe e a porcaria do governo de MG não faz um projeto para a construção. Nesse sentido, a luta pela melhoria é muito mais política do que individual, que é muito o que eu quis dizer com o texto, sabe? ;)

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  3. Entendi seu raciocínio, Fê. Bjos!

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