terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Passando presentes pra frente

Segue abaixo um guest post de uma leitora que preferiu não se identificar:

Oi, eu sou uma admiradora do conceito de Minimalismo e vou escrever o que talvez seja uma das coisas mais polêmicas que já escrevi em toda a minha vida, mas eu tenho um problema com ganhar e dar presentes. 

Olha, não é para ofender ninguém. Eu acho linda a ideia de querer agradar. Linda mesmo! Tanto que é que, mesmo tendo problemas com o assunto, eu continuo oferecendo presentes pra muita gente. Mas eu não gosto de duas obrigações que estão ligadas a esse momento. O primeiro é que quando ganhamos o presente temos a obrigação de gostar. É falta de educação recusar um presente, assim como também trocar o presente é mal visto (isso quando é possível, pois muitas vezes não é). A outra obrigação é a obrigação de dar presentes. No natal tem que dar presentes, se o amigo casa, você tem que comprar um presentão, se é aniversário, manda outro presente, se você viajar, tem que levar presentes pro mundo inteiro. É obrigação demais em cima de uma coisa que deveria ser só prazer e gentileza. 

Aí, nessa loucura que virou presentear, além de eu perder boa parte do meu dinheiro quando meus amigos começaram a casar, ainda coloquei em ação uma ideia que não foi das melhores… Comecei a aproveitar presentes ganhados que não teriam utilidade para mim, para passar pra frente. Ou seja, o vestido rosa que ganhei de aniversário de uma amiga que não me conhecia muito bem e não sabia que eu não gostava dessa cor, doei para minha prima, que ficou linda com aquele vestido! No entanto, passei a ter que controlar encontros entre a minha prima e a minha amiga (conhecida!). Se elas se esbarrassem e descobrissem a minha tramóia, teria um problema diplomático. Mesma coisa aconteceu com um porta-retrato moderninho que recebi de um colega de trabalho e repassei para um tio do meu marido em seu aniversário. O porta-retrato não tinha muita função aqui em casa, até cheguei a separar um lugar pra ele, mas realmente não tinha nada a ver. Parecia uma ótima ideia, já que eu não sabia muito bem o que levar para o tio em seu aniversário. Pensei comigo que o colega nunca viria aqui em casa e passei pra frente. Mas o colega veio, e perguntou pelo porta-retrato quando eu já havia me esquecido do caso. E tive que inventar que estamos guardando as coisas novas numa caixa para usarmos depois da reforma (que reforma?). 

Algumas vezes eu até usava o presente e quando achava que já estava bom, passava pra outra pessoa. Mas sempre existia alguma cobrança e algum receio de que a pessoa descobrisse o feito. Era culpa demais pra quem não quer perder tempo nem espaço com coisa inútil. 

Eu entendo que quem dá o presente, quer que ele seja usado. É tão sem lógica investir em algo que não terá serventia nenhuma… por isso que hoje, quando dou um presente pra alguém, sempre faço a ressalva «se você não gostar, ou não servir, pode passar pra frente, eu entendo perfeitamente». Mas nem todo mundo entende e minha vida ficou muito mais complicada depois que achei que tinha tido uma boa ideia para descomplicá-la. 

Infelizmente, não são todas as pessoas que vão assimilar os nossos gostos e as nossas necessidades. Mas eu também preciso ficar mais aberta para ganhar as coisas. Pensei. Se alguém te dá um presente é porque gosta de você. E quer que você se lembre dele ao ver o presente (deve ser por isso que chama presente, né?!). Tudo bem que um vestido rosa não me atrairia em nada. Mas um vestido verde, que é outra cor que não costumo vestir, já me serviu em várias ocasiões inusitadas, e era presente também. Já descobri ótimas músicas ouvindo Cds que havia ganhado (na época em que se usava dar Cds de presente). Agora, se a coisa não serve mesmo, ou não combina em absolutamente nada comigo, o que vou fazer é tentar trocar discretamente, mas sem fazer segredo e se não for possível, esperar um tempo de segurança e depois passar pra frente. Não consegui pensar numa alternativa melhor. Alguém tem alguma sugestão?

17 comentários:

  1. É, isso de dar presentes é realmente difícil, acho que falei disso no meu blog, ou iria falar rsrs. Tenho medo de datas comemorativas por isso, sempre digo para não me darem nada porque realmente não preciso de mais nada, tanto que estou doando coisas e mais coisas desde o meio do ano passado! E quando tem algum aniversário ou data comemorativa eu simplesmente cozinho um prato que a pessoa goste, ou que a família inteira goste se for data em família. Fica mais simples!

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  2. Sempre faço isso, tanto com presentes como com embrulhos, laços, etc. Até agora não tive nenhum problema constrangedor. rs. Mas com certeza sei que economizei bastante e agradei pessoas com coisas boas e bonitas, mas que eu não iria utilizar.

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  3. Algumas considerações minhas sobre o assunto. Eu não gosto de ganhar roupa e objetos de decoração. Mas tem gente que me dá, então eu tento trocar, se eu não gostei ou acabo dando para alguém, dizendo a verdade, que eu ganhei e não faz o meu estilo.

    Para dar presentes, se eu não sei de algo que com certeza vai agradar, eu dou consumíveis (chocolates, sabonetes, creminhos, etc). Também dou livros, sempre com etiqueta de troca e deixo claro que a pessoa pode trocar se não gostar.

    No Natal, não damos presentes para os adultos, só para as crianças, e normalmente é alguma coisa que elas querem. Mas eu também peço para colocar etiqueta de troca, porque outra pessoa pode ter comprado a mesma coisa.

    Eu não passo presentes recebidos para outras pessoas porque não gosto de receber coisas assim (já aconteceu várias vezes). Dá para perceber de cara e normalmente é uma tralha da qual eu vou ter que me livrar. As pessoas fazem isso porque é uma forma de resolver três problemas: se livrar da tralha, economizar no valor do presente e no tempo que você gastaria comprando o presente.

    Sobre constrangimentos, eu jamais pergunto sobre algum presente que eu dei, e acho meio estranho perguntarem. Acho que não ficaria constrangida de mentir se isso acontecesse, porque acho meio invasivo a pessoa perguntar.

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  4. Essa é uma situação muito delicada e a atitude de passar à frente foi muito corajosa, já que muitas pessoas não entendem.
    Uma coisa que tenho feito é deixar sempre bem claro que não faço questão de presentes, ou sendo mais extremista, parar de dar presentes também, pois quando damos, a pessoa se sente um pouco na obrigação de retribuir. Ou então dizer que prefere ganhar de presente um passeio, uma refeição juntos, uma saída para o cinema, como se o presente fosse a experiência compartilhada e não um objeto. Com as pessoas mais próximas, talvez seja mais fácil ter esta conversa, alguns até podem gostar da ideia. Mas quando não há alternativa, uma opção é tentar usar o objeto por um tempo e depois doar para alguém. Pois ao menos em uma situação difícil, você pode dizer que aproveitou o presente por um tempo, mas depois preferiu dar um destino melhor. Eu faço assim com livros, muitos que eu ganho de presente, eu passo adiante depois de ler. E tiro uma foto da dedicatória para ter como recordação. O ideal é não precisar mentir, acho que a mentira quando descoberta, pega muito mal do que a verdade. E se você ao menos tentou usar o presente, a verdade é melhor aceita. Eu acho...

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  5. Eu geralmente prefiro dar de presente itens consumíveis como sabonetes em barra, sabonetes líquidos, cremes, chocolates, bebidas, comidinhas em geral, itens de papelaria, plantas, suprimentos que a pessoa possa usar para um hobby, etc. As grandes vantagens desse tipo de presente são: eles acabam; se o recipiente não gostar, provavelmente vai ter um filho, irmão, esposa, pai, alguém na casa que vai gostar e usar; eles costumam ser um pouco mais baratos e são relativamente fáceis de encontrar; como não duram muito tempo, a pessoa não fica presa àquele presente e, se não gostar, pode sempre dizer que já acabou e, por fim, as opções mais práticas ainda têm o potencial de gerar economia para o recipiente (por exemplo, se alguém me der um azeite diferente, uma caixa de cartões em branco ou sabonetes, estará me quebrando um galho).

    Sobre repassar presentes, sou super à favor. Eu já ganhei presentes que estavam sendo claramente repassados... eu soube disso porque estavam com a embalagem de presente em que foram dados pela primeira vez; porque estava na cara que foram escolhidos para a pessoa que me deu o presente e não para mim (uma vez ganhei num amigo oculto um conjunto de chaves de fenda minúsculas que são usadas para mexer com computadores; a pessoa que me deu o presente trabalhava com informática e usava ferramentas desse tipo E sabia que eu nunca usaria aquelas ferramentas); também fica claro que o presente foi repassado quando a pessoa te dá algo que vem com uma dedicatória ou quando o presente é personalizado (já ganhei um livro que tinha, na última folha, uma dedicatória extensa para a pessoa que tinha me dado o livro; na folha de rosto do livro, a pessoa que me deu o livro fez uma dedicatória para mim... logo, um livro com duas dedicatórias! ). Quando eu repasso presentes eu escolho algo que combine com a pessoa a quem estou presenteando, algo que eu mesma teria comprado. E eu reembrulho o presente, sempre! Não me importo de receber presentes repassados, o que me chateia é quando há falta de carinho (livro com dedicatória pra outra pessoa, chaves de fenda minúsculas que eu obviamente detestaria receber, etc).

    O que mais me incomoda nessa história de presentes é quando alguém me dá objetos decorativos e coisas que ocupam espaço e depois fica me perguntando do presente ou espera vê-lo na minha casa. Tem umas 3 pessoas na minha família que fazem isso e que ficam chateadas quando não vêem o objeto. Eu tento falar que não tenho espaço em casa sempre que surge uma brecha perto dessas pessoas, mas na maior parte das vezes não funciona. Grande parte desses presentes eu passo pra frente, doa para bazaes, para amigas... mas alguns eu uso, porque seria uma guerra me livrar de certos objetos.


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  6. Adorei a ideia de preparar um prato bem gostoso para a pessoa ou a família! Também repasso embrulhos e presentes (inclusive cremes que não dou conta de usar porque já abri outros). Minha vontade, muitas vezes, é dar dinheiro, para a pessoa comprar um mimo sonhado.
    Concordo que objetos de decoração e roupas são super pessoais. No momento mantenho um vasinho horroroso e um relógio usado e feio que ganhei uma senhora prontos para entrarem em cena quando ela vier em casa. E ela pergunta sempre! Dureza.
    Um brinde à autora do texto e às amigas apoiadoras (Érica, Giselle, Daniela, Aniram e Marina)! Estou nessa com vocês.

    Beijos especiais à Lud e à Fernanda, que mantêm esse espaço

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  7. Também não gosto dessa obrigação de dar presentes em datas comemorativas. Não me sinto bem com essa pressão. Sou daquelas pessoas que não sabem comprar presentes para o próximo, mesmo que familiares. Para se ter uma ideia, não sei presentear a minha mãe! Então, cheguei no nível de não comprar mais presentes para ninguém. Substitui por uma carta pessoal, álbum com fotos (físico ou feito pelo computador), um vídeo gravado com alguma mensagem especial para a pessoa.

    Por outro lado, também não gosto de ganhar presentes. Sempre erram! hehe. Sei que a culpa é minha por ser tão chata. Mas, como eu não sei disfarçar a cara de não gostei, fico em mal lençóis. Ano passado tive a ideia de passar o meu aniversário em outro país, me livrei de ganhar presentes e decidi me presentear com coisas que precisava.

    Agora, sobre repassar presentes... super concordo! Tiro foto para deixar de lembrança e repasso sem dó. O mais importante é o sentimento que tenho pela pessoa e não as coisas que ela me dá.

    Quero parabenizar as meninas Lud e Fernanda pelo ótimo trabalho com o blog. Aprendi muitas coisas sobre o minimalismo com vocês!

    Beijos.

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  8. Reduzi muito meu problema com os presentes, simplesmente deixando de dá-los. Aos poucos, as pessoas foram deixando de me presentear tbem. Hoje, troco presentes apenas com os familiares mais próximos.
    Mesmo assim, ás vezes ganho alguma coisa que não gosto, Nesses casos, uso uma ou duas vezes, garantindo que a pessoa que deu me vejo usando o presente, ou o veja em minha casa. Depois que a pessoa viu uma vez, considero cumprida minhas obrigações de gentileza, e me desfaço da peça. Mas nunca dou como presente para outra pessoa. Às vezes dou para instituições de caridade, às vezes para a diarista de casa, às vezes dou para alguem que acho que vá gostar, mas sempre deixando claro que é uma peça usada.

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  9. Se não gosto, sempre troco ou passo o presente adiante. Entendo a boa vontade da pessoa, mas se eu ficar com tudo o que ganho, minha casa vai virar um depósito! Agora, acho falta de educação da outra pessoa cobrar pelo uso do presente. Teve a cara de pau? Então eu também vou dizer na cara de pau que está guardado. Pronto. E olha que 90% das coisas que ganho e não gosto vêm da minha sogra!rs

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  10. Oi Fer!
    Acho que isso é comum acontecer... sempre ganhamos alguma coisa que não gostamos e acredito que sempre vamos dar alguma coisa que a pessoa também não vai gostar. Dai o jeito é manter a elegância para não magoar ninguém e acabar descartando o dito produto sem funcionalidade, rsrs
    Mas em pleno século 21 acho que se não conhecemos bem a pessoa, o ideal é dar um vale presente mesmo ou ir nas lojas indicadas em caso de festas maiores e comprar alguma coisa da lista de presentes!
    Beijão!

    "Construindo Minha Casa Clean"

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  11. Eu tirei o peso da consciência de trocar presentes que não gostei.
    Uma vez li em algum lugar "não gostou repassou". Não gosto do cheiro da maioria dos hidratantes, mas as pessoas insistem em me dar. Então guardo para "repassar" na próxima vez que precisar presentear alguém.

    Metade do que ganho troco e algumas coisas dou ou guardo para a próxima.
    Quando falo que não gosto muito de ganhar presentes as pessoas me chamam de ingrata e egoísta. Mas a questão é que eles nem sempre vêem na hora que precisamos. Ganhei uma bolsa horrorosa em um aniversário, que troquei por uma sapatilha. Minha tia já me perguntou onde estava a bolsa, precisei mentir que tinha emprestado pra minha irmã. Não sabia como dizer que a bolsa era muito feia e ainda não estava precisando de bolsa naquele momento.
    Sem contar no gasto desnecessário no Natal, só pq TEm que dar presente.

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  12. Dar momentos como presente é a melhor opção! Nós, minimalistas, escolhemos tão bem o que ter em casa ou não, receber presentes é que não "precisamos" é ir de encontro com o que acreditamos....

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  13. Minha mãe sempre usa a máxima "Não tenha vergonha de constranger quem te constrange".
    Se me perguntarem 'Cade o presente tal, que eu te dei?" Pode ter certeza que ouvirá um belo "Dei pro Fulano". No máximo, pra aliviar um pouco o clima, posso dizer "Ele veio aqui em casa e gostou tanto... Dei pra ele".

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  14. Lembrei do episódio Regifting do Seinfeld.

    Eu concordo com a mãe da Anne aí em cima, e tenho tentado levar essa ideia do constrangimento para outros setores da vida. Se estiver me constrangendo automaticamente está me autorizando a constranger também.

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  15. Sou como a Sarah, também não sei presentear. E não gosto de receber, me sinto envergonhada (!). Eu presenteio as pessoas mais chegadas (família, principalmente) quando sei que elas querem algo e isso independentemente de quando. E evito comprar em datas comemorativas.
    Eu repasso presente sem dó, ainda mais se for aqueles comprados por obrigação. Pessoal sabe que eu não gosto de ganhar coisas aleatórias, então se resolveu fazer gracinha, vai sobrar.

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  16. Postagem brilhante. è uma coisa tão simples, mas ao mesmo tempo pode causar muito "problemas diplomáticos" Aquele presente que não tem nada a ver com você e você se sentir obrigada a usar. Enquanto conhece alguém que tem tudo a ver. Achei sua solução bem legal!
    http://ensaioseresenhasdaedjane.blogspot.com.br/

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  17. Se eu dou um presente e a pessoa não usa entendo que ela não precisa ou não gosta de ganhar presentes e não dou presentes nunca mais a essa pessoa! Quando ganho um presente sou grata só não uso se não couber, uso um tempo pra pessoa ver que gostei e agradar e sugiro algo que tô precisando muito e acabo ganhando o que preciso... E todos vivem feliz sem problemas diplomáticos.

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