quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Os perigos do aumento da renda

É típico. A pessoa recebe um aumento. Qual é o primeiro impulso? Agora ela pode arcar com serviços e objetos que não podia antes. É um sentimento de demanda reprimida. Tudo aquilo que você deixou de comprar ou fazer nos últimos tempos porque seu dinheiro não dava, agora ele dá. Então a tendência lógica é que, ao ter um aumento de renda, a pessoa tenha um aumento de gastos, e não de reserva.

Eu acabei de passar por isso. Fiquei poucos meses sem um emprego e, durante eles, gastei pouquíssimo. Parei de pagar por serviços que eu mesma podia fazer, nem pensei na possibilidade de comprar qualquer objeto novo, diminui as saídas e refeições caras. Posso falar que não senti falta de nada. As despesas com saúde, alimentação e habitação, e até uns luxos esporádicos, eu pagava com o que recebia dos meus freelas. Vivi muito bem, obrigada. 

Só que voltei a trabalhar em um emprego fixo, e a estabilidade + o stress + o salário induzem a gente a ter menos cuidado com o dinheiro que gasta. No começo, são pequenos luxos. Comer um dia em um restaurante melhor, outro comprar uma blusa, outro pegar um táxi ao invés de ônibus. Com o tempo, a gente começa a fazer essas coisas com mais frequência, e logo elas se incorporam na nossa rotina. Sem que a gente perceba, de repente, a gente acha que não dá para viver sem aquilo. Vira gasto fixo.

O aumento da renda tende a levar a um aumento do nível de consumo, o que, ao meu ver, é uma armadilha que nos prende eternamente em um ciclo de achar que não temos dinheiro o suficiente e que não podemos de jeito nenhum viver com um salário menor ou até mesmo um tempo sem receber.

Vai por mim, a gente pode sim. E melhor ainda é parar de gastar tanto mesmo tendo salários melhores. Assim você acumula menos tralha, perde menos tempo e pode ficar mais tranquilo. Não depender do dinheiro que vai entrar na conta no próximo mês é um alívio sem tamanho. É uma vida muito melhor.

20 comentários:

  1. Quando temos dinheiro não temos tempo e vice-versa. Quando ganhava bem, trabalhava tanto que não tinha tempo nem pra cuidar do dinheiro que tinha. A família se beneficiava mais com meu dinheiro do que eu mesma! Hoje não ganho bem, mas tenho mais tempo pra cuidar do (pouco) dinheiro de que disponho. E sinceramente: Me sobra mais dinheiro agora do que na época que ganhava bem. Mesmo ganhando hoje um terço do que ganhava. Bem melhor agora. Parabéns. Adorei o post.

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    1. É verdade! A questão do tempo é fundamental mesmo. Além dos motivos que você falou, quando nos falta tempo, acabamos pagando caro por coisa que podíamos fazer nós mesmos. Quando eu estava sem trabalho fixo, por exemplo, eu adorava ir a pé para os lugares.

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  2. Oi Fernanda, acho que você está certíssima. Quando eu entrei no meu primeiro emprego e recebi meu primeiro salário, eu não sabia o que fazer com tanto dinheiro, porque eu não tinha salário até então, eu vivia de uma pequena mesada e com isso não dava para desfrutar de luxos. Só que cerca de 6 meses depois de começar a trabalhar, eu já gastava quase todo salário com roupas, almoçava todos os dias perto do trabalho e não conseguia fazer poupança. Sigo trabalhando no mesmo lugar, e estou fazendo um movimento contrário, parando de consumir para conseguir poupar. É "barra" porque quando a gente se acostuma com "luxos" é bem como você disse, parece que não é possível ficar sem eles. É um ciclo vicioso!
    Gostei da sua reflexão e realmente é preciso ficar atenta mesmo!

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    1. Obrigada, Andreia! Que bom que você já está correndo atrás de reverter isso. Não desanime. Você vai ver que vale muito a pena.

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  3. Pior que é isso mesmo! Eu passei agora pouco por isso e me perdi, mas já me controlei novamente e agora está tudo ok haha

    beijosss

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    1. Que bom, Andressa! Eu estou voltando ao controle também. Sorte pra gente. Beijo!

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  4. Concordo plenamente. Confesso que eu acho que eu tinha muito mais controle das minhas contas e lidava muito melhor com meu dinheiro quando eu ganhava metade do que ganho hoje. Ao invés de poupar essa renda "extra" que passei a ter depois que troquei de emprego eu passei, na verdade, a gastar mais. Infelizmente. Sorte que no ano passado tomei consciência e continuo firme no meu projeto de passar um ano sem comprar nada que não seja necessário. Hoje eu uso muito melhor minhas roupas pois penso em maneiras novas de combina-las entre si e sinto uma enorme realização pessoal. A vida simples é incrível e a cada dia me encontro mais e descubro melhor quem eu sou.

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    1. Excelente, Bruna. Vai me contando sobre o seu caminho. Sei que nem sempre é fácil, mas vale a pena. E quando a gente começa a ver os resultados, aí sim a coisa deslancha. Beijo!

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  5. Pura verdade, Fernanda!
    Também já me peguei fazendo isso...pensava: ahh, trabalho e me estresso tanto, mereço gastar um pouco mais!
    E muitos desses gastos eram supérfluos e me arrependo de não ter poupado.
    Ainda bem que abri os olhos e agora me mantenho mais firme no propósito de não consumir desenfreadamente.

    Beijos

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    1. Que bom que você abriu os olhos. Eu também abri. Não precisa se arrepender porque o passado com certeza trouxe algum aprendizado. Só lembra desse arrependimento quando tiver algum impulso de consumo novamente. Hehe... Eu faço isso :)
      Beijo!

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  6. Dependendo do tipo de trabalho fica muito difícil viver sem essas pequenas concessões. No meu último emprego, lembro que gastava grande parte do meu salário em restaurantes e transporte... Isso porque me sentia muito abalada com as relações profissionais entre colegas, assim como entre chefes e subordinados, além da falta de perspectivas que meu cargo oferecia. Então, para me compensar, gastava tudo o que podia como forma de consolo.
    Hoje, mudei de rota... paguei o pão que o diabo amassou, mas após o sacrifício, consegui um ocupação com maior renda, menos estresse e menos gastos. Meus colegas me criticaram demais nessa época, mas hoje eles percebem que a minha decisão (antes rotulada de impulsiva) foi a mais benéfica e prudente.
    É muito difícil ser frugal num ambiente que testa, incessantemente, todos os seus limites.

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    1. Aí vale o exercício de pensar se está compensando trabalhar em lugar assim, que parece ter sido o que você fez, certo? Porque a gente acha que esses consolos compensam, mas a verdade é que o problema não desaparece, ele continua ali te incomodando, e além disso você vai ter ainda que lidar com as consequências desses consolos excessivos: problemas de saúde, sobrepeso, falta de dinheiro, casa lotada de tralhas. E a gastança faz você ficar ainda mais dependente do emprego horrível. No final das contas, parece que ajuda, mas isso só atrapalha. Eu larguei um emprego desses, e uma situação dessas, no meio do ano. Agora estou vivendo mais equilibradamente e mais feliz. Parece que você também está conseguindo fazer o mesmo, certo? Bom demais :)

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    2. Sou medica e essa questão de pressão do meio é muito evidente pois os colegas acham estranho se contentar com "pouco" e não dar plantões para "fazer mais dinheiro". Eu optei por não trabalhar à noite e futuramente pretendo nao trabalhar sextas e sábados. Rsrs assim espero...

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    3. Que coisa boa você poder fazer essa escolha. Eu estou no meio corporativo e aqui todos os colegas também acham estranha a minha escolha de gastar pouco. O outro lado ruim é que eles não aceitam um funcionário ter jornada reduzida, que é o que eu queria também. Boa sorte ;)

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  7. Oie Fernanda! Tudo bom! Gosto muito do seu blog, há tempos o acompanho, mas como fastaminha, lendo nas não comentando, chata né? Eu li este post, atrasada, mas em um momento importante, pois estou fazendo muitas reconsiderações; talvez uma sugestão sua - ou de alguém - possa me ajudar, se quiser, claro. Já fui compulsiva por compras, de gastar o salario do mês em uma hora no shopping, faço tto, estou beeeem melhor, as vezes esbarro, mas nada comparado com antes. Acontece q meu salário q não melhora e nem melhorará, sou func. publica de baixo escalão, ganho 2 pilas por mês, não tem como evoluir na "carreira". Almejo muuuuito viajar, não faço questão de pseudo luxo e glamour, como fiz no passado (gastando o q eu não tinha - leia cruzeiros), apenas privacidade, já q vou só... será q dá pra fazer isso com esse salário, ou estou me iludindo? Um abraço e maravilhoso 2014! =D

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    1. Olá! Fico feliz que você goste do blog. Escrevo com muita dedicação e receber comentários como o seu é uma das minhas principais motivações. Então muito obrigada. Vamos lá... Em primeiro lugar, parabéns por ter conseguido mudar e largar a compulsão por compras. Não deve ter sido fácil. Respondendo à sua pergunta, o que vai determinar se você vai conseguir ou não é o tanto de dinheiro que você consegue guardar por mês. Quando eu ganhava esse mesmo salário, consegui viajar para a Europa, mas eu gastava pouquíssimo no meu dia-a-dia, principalmente porque morava com os meus pais e ajudava pouco em casa. Então, se você tiver poucos gastos e conseguir juntar uns 40% do seu salário, dá sim para você viajar. Para fazer viagens mais baratas, eu recomendo pesquisar preços de passagens até achar uma promoção. Você falou que gostaria de privacidade, mas se tiver disposta a abrir um pouco mão disso, recomendo demais ficar em albergues. Pesquise e reserve com antecedência. Eu achei a experiência muito tranquila. Espero ter ajudado. Se tiver mais perguntas, pode falar. Um abração e um ótimo 2014 para você também :)

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    2. Oie Fernanda! Tudo bom?
      Onnn, que bacana!
      Muito obrigada pelas dicas! Que legal, então é possível, q lindo *_* ! Vou procurar os hostels já.
      Não foi fácil mesmo, não é tb. Tenho q ser muito racionar e ficar me perguntando "Eu preciso disso?" qtas vezes forem necessárias até eu me convencer e ficar tranquila... até agora estou pagando as dívidas do estrago feito no passado... compulsão por comprar é um perigo, e geralmente são bobagens... ainda bem q está acabando e em um futuro breve, com outra cabeça, conseguirei viajar. A gente leva da vida as experiências, não é? ;) Fiquei feliz com seu relato \o/
      Muito obrigada e tudo de bom pra ti!
      Abração =D

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    3. Com certeza, Camila. Não desanima não e nem se sinta culpada com o passado, porque foi ele que te proporcionou esse aprendizado. Vou juntar umas dicas aqui de como viajar barato e escrever um post sobre o assunto, ok?
      Abração

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  8. O ideal para muitos é ficar constantemente aumentando a renda...

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    1. Pois é.. Olha que dor de cabeça! Que stress!

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