terça-feira, 17 de setembro de 2013

Desapegando de julgar o estilo de vida alheio

Quando a gente toma atitudes diferentes da maioria, é natural recebermos um monte de julgamentos. Refletir sobre isso é fundamental (como fizemos aqui e aqui). Mas acho importante a gente dar um passo além e pensar sobre quando é a gente que julga a maneira de levar a vida dos outros.

Eu acredito que muitas vezes a gente faz isso por bem. Eu acho que o minimalismo é tão fantástico que eu gostaria que todos o seguissem, como eu. Sem contar que eu acho que o mundo seria um lugar bem melhor de se viver, com menos desigualdade e desperdício. Eu sou bem mais feliz assim. O que não quer dizer que isso vá acontecer com qualquer um.

Eu tenho feito um esforço de não julgar o coleguinha que gosta de comprar, fica feliz com celular novo e não tem controle nenhum do cartão de crédito. Outro dia fiquei horas tentando convencer uma pessoa de que ela devia viajar pelo mundo ao invés de trocar de carro. Bobagem...

As pessoas são diferentes. É preciso entender e respeitar isso. Cada um vai viver de acordo com suas escolhas. Pode ser que lá na frente a pessoa mude de ideia, ou não. Se ela precisar de ajuda ou me pedir conselhos, eu vou dar, mas sem julgar.

Quando vejo alguém fazendo escolhas bem diferentes das minhas, antes de ir lá falar que ela está errada, tento lembrar que tem gente que gosta de quiabo (eca) e de micareta (argh).

16 comentários:

  1. Oi Fernanda,

    Não julgar é muito difícil. Eu sempre tento analisar porque algumas escolhas de outras pessoas me afetam tanto. Acho que é porque colocam em cheque as minhas próprias escolhas. Então, às vezes, eu tenho que respirar e pensar, epa, eu não tenho nada a ver com isso. Cada qual faz da sua vida, do seu tempo e seu dinheiro, o que quer.

    Eu não sei se as minhas escolhas são tão diferentes da maioria assim. Eu consumo menos do que já consumi, eu tento levar uma vida mais simples, mas na real, eu sou completamente integrada ao "sistema". Então não é o fato de gastar meu dinheiro em viagem em vez de trocar de carro que me faz tão diferente assim. Talvez só indique que eu não possa fazer as duas coisas. E não tem nada de errado com isso, nem com uma coisa nem com outra. Achar que as nossas escolhas são melhores é uma armadilha perigosa para achar que somos melhores que os outros. Conscientemente eu sei disso, mas volta e meia tenho que repensar esse assunto para me dar conta disso de novo.

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    1. É muito difícil mesmo, Daniela. Nem me fala... E acho que você tocou na chave da questão: a gente se sente ameaçada quando são escolhas diferentes das nossas. Lá no início do blog eu escrevi sobre isso: http://minimalizo.blogspot.com.br/2012/09/a-dificuldade-de-fazer-diferente.html.

      Eu não sou totalmente diferente de todo mundo também não. Sou até bem integrada na sociedade. Hehe... Faço e penso algumas coisas diferentes, mas nem tudo.

      Bem pensada essa questão de a gente começar a se achar melhor do que os outros. É preciso tomar cuidado mesmo.

      Obrigadinha pelo comentário ;)

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  2. Tenho pensado cada dia mais nisso... Na minha própria dificuldade em controlar a língua... "Thais, vc não precisa falar tudo o que pensa", já me disseram. Minimalismo nas palavras pra mim, já!

    Em casa eu sou diferente de todo mundo, e escuto muita coisa. Sempre fico chateada pelo fato de escutar tanto. Acho que, se não gostam do que eu faço ou visto, deveriam pelo menos respeitar. Por outro lado, também eu sempre arranjo alguma coisa pra criticar (filho de peixe...). Acho que já passou da hora de essa mudança de atitude começar por mim.

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    1. É difícil mesmo. Na minha casa, percebo que meus irmãos e minha mãe ficam um pouco intimidados comigo, e isso é bem chato. Por isso estou buscando ficar mais caladinha, quando não é algo que me incomoda demais. O problema é quando atrapalha a minha vida, sabe? Dividir espaço tem dessas coisas...

      Boa sorte pra gente ;)

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  3. Esse é um exercício que tento fazer todo dia, porque julgar os outros é muito fácil e as vezes até nos sentimos "melhores" fazendo julgamentos.
    Como disse minha xará aí em cima "Achar que as nossas escolhas são melhores é uma armadilha perigosa para achar que somos melhores que os outros. Conscientemente eu sei disso, mas volta e meia tenho que repensar esse assunto para me dar conta disso de novo."

    *tb não gosto de quiabo e micareta. ;B

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    1. Exatamente, Dani. É uma armadilha. É preciso muito cuidado. Vou passar a ficar atenta para isso.

      Quiabo e micareta: eca! Hehe...

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  4. Olha, pessoal. Concordo com tudo dito até agora. Mas, às vezes, dá uma preguiça ouvir usn papinhos bobos por aí, na empresa, na roda de amigos. É um que fala de carro, de dieta, de shopping... ninguém sabe falar de outra coisa a não ser consumo, consumo e consumo. Não é questão de julgar, mas as pessoas se limitam demais :(

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    1. Deixar de julgar não quer dizer gostar. Tem papo que eu não gosto também. Quando é assim, eu prefiro me afastar, mesmo que apenas mentalmente. Hehe...

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  5. Eu faço questão de respeitar o estilo de vida alheio. O problema é fazer eles respeitarem o meu... A propósito eu amo quiabo...e jiló... e jurubeba. E odeio melão. E morango também...rs

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    1. Adoooro melão e morango. Nunca encontrei uma fruta que eu não gostei. Hehe... Eu já escrevi aqui sobre quando são os outros nos julgando. Tenho pensado muito nisso também.

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  6. Eu não julgo a vida de ninguém, mas devo admitir que às vezes critico. Mas faço isso porque também gosto de ser criticada, acho que isso nos ajuda a nos deparar com aspectos mal resolvidos e negligenciados das nossas vidas, além de derrubar nossas certezas mais restritivas sedimentadas através do tempo.

    Não acho que sua sugestão (de viajar ao invés de trocar de carro) tenha sido invasiva ou impertinente. O problema, na verdade, é como essa sugestão é feita: se não for uma imposição de um estilo ou filosofia de vida pessoal, na minha opinião, é mais do que válido.

    Mas também há os melindrosos e os megalomaníacos: nesses casos, acho melhor ficar quietinha mesmo.

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    1. Tem razão. Cada situação é diferente. E acho que vale a pena a gente tentar perceber até quando está fazendo um sugestão, e quando está se impondo e sendo uma pessoa chata. Não é fácil, mas acho que é aprendizado mesmo.

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  7. Adoro quiabo!!! E adoro minimalismo!

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  8. Gostei muito do post! Temos que ter cuidado sim. Se não vira o minimal-chato, o eco-chato, o vegetariano que quer proibir os outros de comer carne, e por aí vai...
    Algumas coisas são realmente pessoais. Conheço um casal (com muito dinheiro, aliás)que não viaja. Acham cansativo, preferem ir todo santo fim de semana para o mesmo sitio nos arredores de SP. Estão errados? Não: curtem ver as plantas crescendo, a mudança das estações, receber visitas para belos almoços. Não trocam isso por nenhuma paisagem em país estrangeiro. Acho que são pessoas bastante simples, da maneira deles.
    Tenho convicção de que o excesso de consumo não traz nenhuma felicidade, nenhuma alegria permanente, e ainda acaba com nosso planeta. Mas embora eu consuma bem menos que meu círculo de relacionamento, certamente ainda consumo demais para um minimalista linha-dura...rsrs.
    Estamos todos em processo, em evolução. Todos nós!

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    1. Adorei e concordo com tudo que você falou, Vania. Obrigada por contar esse caso. Faz a gente pensar mesmo ;)

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