segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Prazeres e culpa

A prática do minimalismo passa por tentar definir se as coisas (objetos, pensamento, comportamentos) são essenciais, e nesse caso vamos querer mantê-las, ou supérfluas, aí a gente desapega. Na hora de fazer essa escolha, geralmente me pergunto se elas são necessárias para a minha sobrevivência ou pelo menos me dão algum retorno palpável (dinheiro, praticidade, saúde etc.).

Mas eu acredito que quase todo mundo tem aquelas coisinhas que a gente guarda, mesmo sabendo que não são úteis/necessárias. Sabe a expressão guilty pleasure? Significa algo que você sente culpa de gostar. Pode ser fumar um cigarro vez ou outra (faz mal) ou gostar de ler romances de banca (dizem que é fútil), por exemplo.

Meu grande guilty pleasure, que afeta meu minimalismo, é minha obsessão por alguns filmes, livros e seriados. Quando eu sou fã de alguma obra, eu fico um pouco obcecada, e isso se traduz em horas de dedicação e no acúmulo de objetos.

Por exemplo, eu sou fã de Anne Rice, e por mais que eu tenha todos os livros dela no kindle, eu guardo todos em papel também, e não quero me livrar deles. Lembra quando eu fiquei com uma culpa danada por ter comprado o box completo com todas as temporadas de Arquivo X? Eu tenho ainda um card game do seriado e um broche. Eu faço essas coisas. 

Além do dinheiro investido, do espaço ocupado e de todas as mil horas que eu perco assistindo aos mesmos filmes e seriados (ou lendo livros repetidos), eu gasto um tempão lendo fanfiction, navegando no tumblr, participando de fóruns.

Volta e meia eu me encho de culpa, e fico pensando se eu não devia parar de me ocupar com essas coisas, mas é algo que eu gosto tanto e me dá tanto prazer que, se eu abrir mão disso, todo o minimalismo me parece sem sentido. Eu faço todo o esforço para economizar tempo, espaço e dinheiro justamente porque quero usá-los da melhor forma possível para mim. 

Eu quero o minimalismo para melhorar a minha vida, não para limitá-la. Eu quero liberdade, não me prender mais. Quero uma vida mais leve e feliz.

Quando eu e meu namorado fomos para Salzburg, eu dei um jeito de ficar no hotel em que foram filmadas as cenas externas da casa da família Von Trapp, do filme A Noviça Rebelde, um dos quais eu sou fã.

14 comentários:

  1. Boa reflexão, Fernanda.Vou precisar matutar um bocado...a principio, ter bem pouco aumenta muito nossa mobilidade/ facilidade para morar num espaço menor, que são duas coisas que tenho prezado bastante.Mas, via de regra, acho que tudo o que vc curte muito e usa muito não é tralha.Nem desperdício. Nem perda de tempo.

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    1. É... Fico pensando bastante também, Ana. O que eu tenho feito é abrir mão de outras coisas para poder manter essas. Hehe... E eu uso bastante, viu? :)

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  2. Ai, que fofas! Agora fuçando coisas para ler percebi que estou na barra de blogs de vcs, uauuuuuu, valeuuuuuu! ;-) hehe

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  3. Perfeito! O tempo que a gente perde fazendo o que gosta não é tempo perdido.

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    1. Tenho tendido a pensar assim, Vania. Se não, qual é a graça, não é?

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  4. Meu guilty pleasure com certeza é de maquiagem. Não tenho muuuita, mas com certeza tenho mais do que preciso. Tenho 5 blushes (incluindo o bronzer). Para muitas é pouquíssimo, mas pensando pelo lado prático 2 seriam suficientes, já que na bochecha fica quase tudo igual.
    Então estabeleci que só comprarei algo de maquiagem quando um item acabar.

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    1. Acho que é uma boa ser minimalista no guilty pleasure também. Bem pensado. Obrigada pela ideia ;)

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  5. Olá, Fé:

    Para mim, o mais importante seria você pensar no porquê de ter «absorver» TUDO de uma série, de um autor, de um realizador. Uma hipótese que me ocorre,porque a vivo também, é a dos psicanalistas junguianos que afirmam que, quando queremos ouvir-ver-ler repetidamente uma determinada história ou nos apegamos em absoluto a uma personagem, isso quer dizer que essa história ou essa personagem são muitíssimo significativos para nós. E que eles nos estão a ajudar a resolver inconscientemente e devagarinho um determinado problema, uma mágoa, um vazio interiores. Só depois depois de o conseguirmos, estamos prontos a libertarmo-nos dessa ligação tão forte. Será isso o que se passa contigo?

    Bj grande.

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    1. Ei, Maria! Eu penso tanto nisso que foi o tema da minha monografia da graduação. Hehe... Tem algumas explicações possíveis, como a de que a gente se afeiçoa às narrativas ficcionais porque nelas existe uma coerência e uma justiça que não encontramos no caos do mundo real. Outra explicação é que a gente gostaria de saber mais sobre aquela história, mas como não tem mais, a gente vê de novo. Outra ainda é que a gente tenta sair de uma posição de passividade de ficar só assistindo e agir se engajando em fandoms e por aí vai. Outra ainda é que os personagens e as histórias representam algo que a gente queria ser e viver. E por aí vai. Acho muito interessante esse tema, e acho que ele seja bem complexo. Mas não acho que seja um problema, sabe? Eu me sinto bem livre! Hehe... É só algo que eu gosto. É algo bom.
      Beijão!

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  6. Bacana a reflexão! Também acho que já existe muita regra no mundo para seguir, regras que ninguém nos perguntou se concordamos ou não, muitas cobranças e limitações. Acho que quando a gente começa a caminhar no minimalismo é uma escolha, e que se ficar se limitando e dizendo: isso pode, isso não pode atrapalha o processo. Eu amo fazer aulas de dança, gosto de ler a respeito, de ver vídeos e de fazer cursos. É um prazer e para não abrir mão dele, minimalizei várias coisas na minha vida. Deixo de comprar roupas e outras besteira para fazer um curso, penso que é algo que me acrescenta enquanto pessoa e que vale à pena cada centavo que invisto nisso.

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    1. Adorei e concordo com tudo que você escreveu, Andreia. Dançar é muito bom, não é? É algo que eu larguei pela vida, nem sei direito por que, mas que eu gostava muito.

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  7. Oi Fernanda: 1º morri de inveja dessa foto! Adoroa noviça rebelde, quero mt conhecer o cenario e tb ter uma familia enooorme assim rs
    2º tinha mt tempo que não vinha aqui, adorei voltar e ver que esta sendo suuuper atualizado (tenho lido mais o de viagens da lud rs).
    Olha, eu acho que esses prazeres que pra uns são superfluos sempre existirão, ne? cada um sabe qual sua paixão. e uma felicidadezinha na alma é o melhor beneficio que o dinheiro pode trazer e deveria ser sempre o colocado em primeiro lugar afinal ne?
    Adorei a reflexão.
    beijos,

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    1. Você tinha sumido mesmo! Que bom que voltou!
      Salzburg é uma delícia. Fui em vários cenários do filme. Os jardins do Castelo Mirabel, a praça principal, o convento... A cidade é uma gracinha e vale muito a pena pra qualquer um. Para quem é fã do filme então...
      Família grande deve ser uma delícia, mas no mundo de hoje acho tão complicado. Deixo para a ficção. Hehe...
      Também acho que buscar nossas paixões é válido. Se não, qual o sentido?
      Obrigada pelo comentário e por ter aparecido :)
      Beijo!

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