quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Minimalismo no guarda-roupa

Resolvi começar a redução de posses pelo guarda-roupa, porque todas as decisões finais nessa área são minhas (ao contrário do resto da casa, que também é do maridinho).

Li um monte de sites e blogs sobre guarda-roupas mínimos e pus mãos à obra. O desafio: manter só as peças essenciais. Só que eu tinha muita roupa, né? (Não sou de comprar muito, mas não jogava nada fora, nunca.) Achei que ia dar um trabalho danado. E não sabia se esse tal de minimalismo ia dar certo.

Então fui fazendo um desapego em camadas: passando o olho em todas as gavetas e cabides e tirando tudo que saltasse aos olhos que estava velhinho/do tamanho errado/sem uso.

Enchi uma mala. E levei para minha mãe, que sempre tem para quem doar.

No fim de semana seguinte, fiz outra rapa. Experimentei um monte de coisa. E tudo que incomodava, estava apertado ou largo ou feio foi embora. Dessa vez, doei uma sacola cheia para a igreja perto de casa.

Uns dias depois, percebi que não tinha sentido falta nem precisado de nada que tinha doado. Continuei me desfazendo das roupas. E continuo sem sentir falta, mesmo hoje, com o guarda-roupa muito mais reduzido (duas portas de armário e quatro gavetas para mim E para o Leo).

Tem truque? Tem.

O truque é não dar às roupas mais significado do que elas têm. Eu não sou o que eu visto. Eu sou o que eu sou (viajenta, pão-dura, chocólatra, curiosa) e não os que as roupas dizem que eu sou.

Eu sei, eu sei. Tem um monte de programas, revistas e lojas jurando justamente o contrário. Que se vestir de um jeito assim ou assado é essencial para você se exprimir.

Faz até sentido se você se veste como uma tribo específica. Aí roupa/acessórios/maquiagem é uma maneira de se expressar e de reconhecer os seus iguais. Mas se não, você está só exprimindo o fato de que compra e usa o que a moda diz pra você comprar e usar. E a moda não tem coerência interna nenhuma: um dia ela te fala pra botar caveira, outro dia ela te diz pra botar flor.



Quer seguir tendência? Segue. Mas não fica achando que tá explorando seu eu interior, não.

15 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Esse truque do "não dar às roupas mais significado do que elas têm" é perfeito!

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    1. Às vezes não é fácil, mas eu me esforço...

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  3. Eu lembro daquele filme "A Duquesa", sabe? Tem uma hora que ela fala que a única forma que mulheres têm de se expressar é pelas roupas. Mas isso naquela época. Hoje a gente pode, por exemplo, criar um blog. Hehe..
    Beijo!

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    1. Pois é, Fê! Eu acho que fazer um blog é a resposta para todos os problemas, rs.

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  4. Adorei o post e adoro o blog. Muito inspiradores!

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  5. Conhecer o próprio estilo é fundamental pra não se deixar levar pela pressão da moda. Aí, dá até pra usá-la a favor, completando o guarda-roupas quando a moda bate com o estilo pessoal.

    Parei de comprar roupas em 2010, e comecei a reduzir o guarda-roupas. Não contei no início, mas devia ter mais de 300 peças. Em julho, tinha 195. Continei descartando e ontem separei mais 15. Agora, estou com 173... e ainda tenho muita coisa!

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    1. Lu,
      concordo! Mas como não estou comprando, não estou nem acompanhando o que está disponível no mercado.
      Seu comentário me deu vontade de contar quantas peças eu tenho. Acho que já me livrei de dois terços do guarda-roupa original... mas ainda há espaço para cortes1

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  6. Lud concordo em tudo, menos na parte “O truque é não dar às roupas mais significado do que elas têm. Eu não sou o que eu visto.”
    Pq pra mim, esse lance da roupa está servindo sim, como forma de expressão. Pra exprimir q eu não preciso me esforçar pra ser a gostosa e linda do pedaço,pq isso faz parte do “ser mulher”.
    De q que que eu não preciso de salto, nem de 30 pares de sapato, nem de roupas justas e desconfortáveis. De que eu sou muito mais q um corpo, sou um ser humano inteligente, bacana e q pode passar por essa vida mais preocupada com o mundo do que com a marca da minha bolsa.
    Hj meu armário basicamente é feito de camisas lisas, calças jeans, alguns vestidos e sapatos baixos. E essas roupas neutras e básicas estão me ajudando a me focar no que realmente importa pra mim. Ou seja, me ajudando a definir minha identidade e encontrar minha própria essência, antes perdida no meio de crenças bobas e limitantes.
    =)

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    1. Fer,
      eu entendo o que você quer dizer. Eu acho que as roupas neutras e básicas (é o que eu uso também!) deixam a gente livre pra mostrar quem a gente é de verdade. Não precisamos de usar o que está nas vitrines (o que, pra mulher, costuma ser justo e revelador) para sermos bacanas, certo?

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  7. Lud, eu acho que a roupa ajuda sim a gente a se expressar, mas não é a única ou a mais importante forma de fazer isso.

    O que eu percebo é que as pessoas são muito inseguras e sentem que as características das roupas vão passar para elas por osmose. Aliás, as pessoas consomem muito pensando que os tributos de praticamente todos os produtos passarão para elas por osmose.

    Beijo!

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    1. Marina,
      é exatamente isso: as empresas de hoje não vendem celulares ou refrigerantes, vendem estilos de vida. O que eu quis dizer é que usar o que está na moda não é uma maneira eficiente de dizer como você é. Um coisa é você vestir uma camiseta de uma banda que você adora; outra, muito diferente, é vestir uma camiseta de banda que você nunca ouviu falar (ou tocar!) porque é tendência!
      Beijos!

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  8. vejo isso com os acessórios também. Não sei como vocês são, mas esses dias estava reparando em correntes com pingentes. Existiam pingentes até de cupcake, afora os de santos, sem contar naqueles de nomes. Fico pensando, toda a moda é para a representação de um papel, ou, melhor dizendo, cada objeto usado no corpo, tem uma função, ou um papel a representar. Parece loucura, mas devo usar uma correntinha com pingente de cupcake, por que gosto do bolinho? hahaha, abraços

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