sábado, 15 de setembro de 2012

Investimento é diferente de gasto

Tem mais de um ano que sou investidora. Explicando: resolvi usar o dinheiro que iria gastar comprando um apartamento investindo em renda fixa, imóveis e ações. Tem sido um caminho muito interessante, cheio de quedas e erros, mas que já vem mostrando uns bons resultados e trazendo muitos aprendizados.

Por exemplo, a gente tende a achar que investir é sinônimo de um "gasto bom". Seguindo essa lógica, pagar conta de luz é gasto, mas comprar uma roupa ou um celular novo é investir em si mesmo. Não é. 

Investir é colocar seu dinheiro em algo que vai trazer mais dinheiro diretamente. É o que se chama de ativo, na contabilidade. O ativo gera dinheiro, o passivo consome dinheiro. Por exemplo, se você comprar um apartamento pra morar, não é um investimento (veja uma matéria ótima sobre o assunto aqui). Você vai gastar com ele (IPTU, condomínio, manutenção etc. etc.) e não ganhar dinheiro. Muita gente até vende o apartamento, mas geralmente é pra comprar um melhor, mais bem localizado ou maior ainda, e geralmente mais caro. Então você não vai ganhar dinheiro com isso.

Mas, se você comprar um apartamento pra vender quando ele valorizar, é um investimento. Pode ser até um investimento ruim, se ele não valorizar (leia aqui), mas, se ele foi comprado com esse objetivo, é um investimento.

Por mais que comprar um celular, um carro ou uma roupa vá te fazer se sentir bem, facilitar sua vida, trazer mil vantagens quaisquer, não vai te gerar retorno financeiro. Então não é investimento.

É interessante saber a diferença para não se enganar, para não justificar para si mesmo gastos superflúos.

Gastos são necessários. Aliás, a gente investe justamente pra ter mais dinheiro no futuro para gastar. Não tem como evitar todos os gastos também. Alguns, na verdade, são até bons de se ter, como diz a Lud aqui.

O problema é se enganar. E se você, como eu e a Lud, busca liberdade, minimalismo e independência financeira, é importante gastar menos e investir mais.

Esqueminha "lindo" que eu fiz no powerpoint.
O primeiro  representa investimento. O segundo, gasto.


PS: Post interessante que fala sobre o mesmo assunto aqui.

9 comentários:

  1. Morro de rir quando revista de moda falam que comprar a roupa tal ou bolsa tal é "investimento"... pode ser tudo, mas investimento é que não é!
    Beijos

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    1. Revista de moda é a que mais quer fazer a gente gastar. Hehe.. Tentam nos convencer de qualquer maneira.

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  2. Tô precisando aprender essa diferença, viu. =/
    Beijos.

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    1. Pelo seu site, dá pra ver que você já está no caminho certo ;)
      Beijo!

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  3. Olha só como é o ser humano. Tenho um ap espaçoso e antigo, quitado e reformado. Q fica a 700 mts do meu trabalho. Q fica num bairro legalzinho e perto de tudo (escolas, supermercado, barzinhos, academia, tudo mesmo)
    E mesmo assim, to querendo me mudar pra um condomínio estilo alphavile a 15km de lá. Pq vc olha aquele folder lindo, vê o parque, vê a planta linda da casa, começa a pirar naquelas revistas de decoração e programas de tv. Aí vc quer aquilo, aquele lifestyle q nunca vai ser aquilo, mas vc quer pq quer. Mesmo q tenha q trocar um bem quitado q não te dá despesa alguma (fora manutenção) por uma dívida de 20 anos na Caixa.
    Diz se não é irracional e bobo? Eu sei q é. E mesmo assim, to quase fazendo isso.
    Não to pedindo dicas nem nada. Só admitindo como ainda sou suscetível a vários apelos de consumo.
    #vergoinha

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  4. Mas Fer, os apelos de consumos são feitos pra convencer a gente mesmo! Temos de fazer um esforço consciente para examinar o que realmente queremos e o que nos convenceram que é legal/importante/bacana querer. Só de você conseguir identificar a situação já é meio caminho andado, acredite.
    Beijos

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  5. É, mas tem algumas coisas que são básicas. Ter onde morar é um exemplo. Se você não tem, vai gastar com isso. Vai pagar aluguel ou prestação. Pode optar em morar em lugares menores e mais simples, mas mesmo assim, vai ter gasto com isso.

    No meu caso, ninguém ainda conseguiu me convencer que eu teria poupado mais pagando aluguel do que comprando o meu apartamento (já tentaram algumas vezes, torturando bastante os números). Claro, eu comprei o apto antes da bolha, mas mesmo assim, só fecha se você comparar um aluguel de um apto da metade do tamanho.

    Eu optei em morar em um apto novo e pequeno, mas perto do trabalho. Eu sei o que importa para mim, é pouco tempo no trânsito e conforto. Não aquele conforto das revistas, com salas imensas e closets, etc, mas o conforto de poder pagar, viajar nas férias e ainda sobrar um pouco para poupar. Não quero ser rica, nem nada, nem comprar carros enormes, nem roupas e sapatos caros. Então eu acho que se conhecer ajuda bastante na hora de tomar decisões desse tipo.

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    1. Não é porque é gasto, e não investimento, que é desnecessário. Eu falei sobre isso no post. A gente precisa gastar com várias coisas na vida sim, e outras a gente não precisa mas gosta. Normal.

      A gente tem que se conhecer mesmo. Essa é a chave. Além de pensar em todos os fatores da nossa realidade. A minha, com certeza, é diferente da sua. Normal. A vida é assim mesmo :)

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  6. Investimento e menos gastos me parece na contramão do minimalismo. Sobretudo, quando os tais gastos são consumidos em bens não duráveis. Minha visão minimalista me avisa cada vez mais do modo de pensar capitalista, e esse modo de pensar nos comduz de volta ao ciclo materialista do modo de pensar capitalistas e todas as suas lógicas derivadas das quais os que se dizem minimalistas pretendem transgredir. Desse jeito, fica parecendo que o minimalismo é apenas um discusso bonitinho pras amansar pessoas sem grana.

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