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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Quando vale a pena gastar tempo (ou não): hobbies

Hobbies são uma parte importante da vida. A gente se distrai, aprimora habilidades, socializa... Acho fundamental cultivarmos alguns. Mas é preciso ter cuidado para, como tudo na vida, não exagerarmos ou não escolhermos mal.

Para começar, acho importante avaliar quais são os hobbies que realmente queremos ter na nossa vida. Às vezes começamos um porque alguém que gostamos nos chama. Ou porque fazia sentido em uma determinada época. Ou porque o lugar ficava perto de casa. Ou porque era a única coisa que dava para fazer no horário livre. Ou simplesmente porque parecia algo legal de fazer. Sei lá... Mil motivos. Qualquer um tão válido quanto o outro.

Mas essas situações podem mudar. Ou então podemos perceber depois de um tempo que o benefício não está compensando. Ou o lugar onde praticamos pode fechar. Enfim... A vida muda. E tempo é o recurso que mais nos falta hoje em dia. Então, para começar, acho sempre necessário pensar se aquele hobbie é importante mesmo. Se ele merece estar entre as coisas às quais queremos dedicar parte da nossa já-tão-cheia-de-coisas vida.

Se a resposta for sim, o próximo passo é realmente inclui-lo no dia a dia. Não adianta falar que sim e praticar uma vez ou outra. Se você gosta, porque não tornar constante? Além de ter mais daquilo que se gosta na vida, ainda temos a chance de melhorar naquilo, e de aproveitar melhor seus benefícios. Que seja praticar um esporte, cozinhar, escrever, jogar, desenhar...

Eu cultivo a disciplina de estar sempre praticando meus hobbies, como a capoeira, a corrida e os jogos. É justamente para ter tempo de fazer essas coisas, que eu amo e que me fazem tão bem, que me esforço tanto para não gastá-lo com bobagens. É uma das maiores contribuições do minimalismo para a minha vida.

Capoeirando

Capoeirando de novo
Jogando 7 Wonders

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Seja generoso com o passado, mas aprenda com ele

Quando a gente escolhe levar uma vida consciente, precisamos ficar sempre refletindo, analisando, tentando entender se cada passo que damos está de acordo com o que acreditamos ou é apenas a decisão mais automática.

Acho a melhor maneira de levar a vida e não conseguiria ser de outro jeito. Mas dá trabalho. É um exercício diário e nem sempre simples. E a gente aprende todos os dias. Testa umas coisas, dá errado e aprende. Testa outras e dá certo. Fala uma bobagem, alguém explica que está errado. Lê mais um pouco, conversa com outras pessoas, revê conceitos, muda de ideia...

Tudo isso é maravilhoso e louvável. Como dizia um professor meu quando eu reclamava que não estava conseguindo aprender algo novo: "Consegue sim. Quando nasceu, você não sabia nem andar".

A gente vai aprendendo, e evoluindo. Então é normal a gente lembrar de atitudes e atos nossos do passado e se envergonhar. Ou ficar pensando: se eu não tivesse feito tal coisa, estaria bem melhor hoje.

Mas precisamos ter a humildade e a generosidade para reconhecer que naquela época a gente não sabia que estava errado, que fizemos o melhor de acordo com o conhecimento que tínhamos na época. Não adianta nadar ficar se martirizando. 

Por outro lado, ficar grudado em ideias antigas, sem se abrir pra aprender e evoluir, por ter muitas certezas, é um erro maior ainda. Reconhecer um erro do passado é um bom sinal de que temos senso crítico e que estamos melhorando a cada dia.

Mudar é lindo. Aprender é uma das nossas maiores dádivas. Não vamos desperdiçá-la.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Retrospectiva e minhas metas de 2015

Todo fim de ano, eu olho as metas que defini no início dele e faço uma análise. Ao olhar as de 2015, percebi que aquelas que eu consegui atingir e as que não demonstram bem o que foi meu ano.

Minha meta financeira foi superada. Trabalhei em excesso este ano. Tanto que nem tive tempo para gastar. Coloquei uma meta bem ambiciosa e a superei. Parece bom, mas estou começando a perceber que o custo foi muito alto.

Eu tinha planejado terminar o ano com colesterol bom, e terminei com ele alto. Fui à médica na semana passada e ela me indicou começar a tomar remédio para controlar o colesterol, que no meu caso é genético.

Não consegui correr 10 km. Na verdade, eu pouco corri em 2015. Consegui me manter na capoeira, o que é bom. Ainda estou na dúvida se puxo a meta de corrida para este ano ou se fico só na capoeira mesmo.

Consegui ler alguns livros, mas bem menos que nos anos anteriores. Chegava em casa tão cansada que nem conseguia abrir um livro antes de desmaiar na cama.

Não consegui escrever no blog duas vezes por semana. Nem sempre consegui uma.

Devo fazer uma menção honrosa aqui para a meta de socializar. Fiz um esforço este ano para encontrar mais as pessoas que gosto. Disse sim para vários convite que me fizeram, marquei eu mesma alguns encontros.

Para este ano, ainda estou pensando em como lidar com metas. Na verdade, isso só reflete o tanto que eu estou pensando em como lidar com a vida como um todo.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lidando (e saindo) de momentos de desespero

Sabe quando tudo está difícil e pesado? Tenho passado por um momento bem complicado da minha vida e tive alguns momentos de desespero completo. 

Uma coisa que eu já percebi é que nessas horas não adianta tentar buscar soluções. A gente não consegue ser racional. A tendência é cair na auto-piedade, que por mais justificada que seja não leva a lugar nenhum.

Então eu acredito que o jeito é tentar sair daquela. Cortar a sensação e deixar pra tentar resolver os problemas depois, com mais serenidade. Vai por mim... Tentar tomar decisões em momento de desespero não é uma boa ideia.

O que eu tenho feito para me tirar dessas situações é: 
  • Chorar. Sozinha, sem conversar com ninguém, sem pensar nada, sem fazer planos. Só chorar. Deixar sair toda aquela angústia. 
  • Tomar um banho demorado, lavando o cabelo e o corpo inteiros. 
  • Colocar roupas limpas, que ainda não foram usadas depois de lavadas, inclusive as meias.
  • Beber um copo cheio de água gelada de uma vez. Dá uma energizada. 
  • Comer alguma coisa leve e que não dê trabalho: uma fruta, um suco, uma sopa, um omelete. A ideia é alimentar sem ficar pesada.
  • Deitar em algum lugar confortável. Soltar totalmente o corpo.
  • Ligar o ventilador se estiver calor. Entrar debaixo das cobertas se estiver frio.
  • Rever um filme que me deixa feliz ou bater papo com alguém sobre assuntos leves e divertidos. A ideia aqui é não pensar nos problemas.
  • Ler um livro bem fantasioso até não aguentar mais de sono.
  • Dormir.
No outro dia, com a energia e a racionalidade recuperadas, já dá para conseguir começar a pensar em como sair da situação que levou ao desespero. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Por maior que seja a tentação, se entregar não é a solução

Lembra quando eu contei que eu estava em uma fase com muito stress e muito trabalho, e que agora as coisas iam melhorar? Que inocência a minha! As coisas não melhoraram muito. Eu continuei trabalhando loucamente e tudo na minha vida continuou corrido, difícil e exigente. 

Eu me entreguei. Achei que podia ser a solução. Achei que eu precisava concentrar toda a minha energia no trabalho e parar de usá-la para o resto. Achei mais fácil. Então parei de me organizar, parei de escrever pro blog, parei de fazer um tanto de coisas que eu gostava e principalmente parei de resistir a estímulos  e tentações. 

Comprei um tanto de coisa, comi um tanto de bobagem, baguncei meu sono, deixei minha rotina ir por água abaixo.

Na hora sempre parece uma boa ideia. Se entregar... É tão gostoso não ter que resistir e poder comer um cheddar duplo. Parece ótimo deixar de ir para a capoeira e ir para casa mais cedo. E precisar comprar uma blusa, gostar de duas e comprar as duas mesmo? Tudo uma delícia. Parece... Mas logo depois, saindo do Mc Donalds ou da loja de roupas, aquela sensação boa já começa a sumir. Rapidamente acaba. Mas não as consequências daquelas escolhas.

Tudo acumulando: os gastos, os quilos, a desordem e as frustrações. E vai só piorando. E a gente se sentindo pior, vai dependendo cada vez mais dessa satisfação rápida, que cada vez ajuda menos. A compulsão está logo ali na esquina.

Eu não quero ser essa pessoa. Vai contra tudo que eu acredito e venho buscando nos últimos anos. Estou procurando forças dentro de mim para reverter essa situação. Mas uma coisa eu já decidi: por maior que seja a tentação, eu não vou mais me entregar.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Aprendendo a ser grata por estar com saúde

Quando eu estava com faringite, fiquei sentindo fraqueza, dor de gargante e febre. Já contei o caso aqui em detalhes.

Quando cheguei em casa, tomei o remédio que melhorava a dor e a febre. Deitei debaixo das cobertas e fui aos poucos sentindo o efeito. A dor foi melhorando, fui ficando mais confortável. E de repente eu me senti tão grata, tão aliviada.

A verdade é que a gente não dá valor para a saúde a não ser quando é privado dela. Estou generalizando, eu sei, mas é um comportamento que vejo em mim e na maioria dos que estão à minha volta. E isso leva a um outro comportamento: não cuidamos da saúde como deveríamos. Forçamos o nosso corpo achando que não vamos sofrer nenhuma consequência, porque às vezes não sentimos muito, e às vezes as consequências demoram a aparecer, e aí já é tarde demais.

Pretendo ser mais grata por ter saúde, e meu jeito de demonstrar isso será cuidando cada vez mais dela para que não me falte.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

As fotos que eu não tirei

Desde que a Lud voltou para o Brasil, temos nos encontrado com frequência. E todas as vezes que a gente combina, eu penso: vou tirar umas fotos e escrever um post. 

Queria falar sobre como é bom aproveitar o tempo que a gente economiza com outras coisas para encontrar com os amigos, bater papo, desabafar os problemas, trocar ideias e experiências. Eu sempre saio mais leve, mais feliz e um pouco mais sábia. 

Mas toda vez que eu chego lá e a gente começa a conversar, eu esqueço de tirar a foto. Um assunto emenda no outro e, quando eu vou perceber, já está na hora de ir embora. E só quando eu já estou chegando em casa, pensando em como foi legal, que eu lembro da foto. 

Pensando bem, é um bom sinal. A conversa e o encontro estavam tão bons que fiquei absorvida, e consegui aproveitar cada momento. 

Já que não tiramos fotos, vai uma antiga. De 2008.
Da época em que eu ainda alisava o cabelo. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aprendendo a respeitar o ritmo do corpo

Uns dias atrás eu acordei com a garganta doendo.

A verdade é que eu ando em um ritmo muito puxado de trabalho, tanto que nem tenho conseguido escrever para o blog e responder comentários com a mesma agilidade que gostaria. O ritmo está tão puxado que, não só eu não tinha muito tempo para fazer outras coisas, como minha energia foi acabando. E chega uma hora em que o corpo pede trégua.

Mas eu não escutei. Eu fui trabalhar mesmo com a garganta doendo. E novamente meu corpo deu seu recado piorando ainda mais. Resolvi escutar, fui  a uma clínica e o diagnóstico: faringite. Estava com febre e a faringe inflamada.

Fui para casa, mas durante vários momentos eu ainda pensei em lutar. Pensei em trabalhar de casa no primeiro dia. No segundo, já trabalhando, pensei em fazer hora extra para terminar algumas coisas urgentes. No terceiro, já sem sentir tanta dor por causa dos remédios, pensei em beber um pouco de vinho. E uns dias depois ainda pensei em ir para a capoeira.

Resisti, já tendo aprendido a lição. E fiquei pensando em como a gente força o nosso corpo além do que deveria o tempo todo. Seja ficando acordado mais do que deveria, na força de vontade. Seja usando café, guaraná em pó e até remédios. A gente se mantém em estado de alerta o tempo inteiro para ser mais produtivo.

O fato é que eu, e acredito que grande parte da nossa geração, exagera. E é preciso desacelerar de alguma forma. Eu já venho tentando há muito tempo, mas ainda preciso melhorar muito. Muito. Ou meu corpo pode me obrigar de novo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A casa, o tempo e a aceitação

É então que novamente eu me deparo com um dos meus grandes demônios: a realidade de que eu não sou capaz de tudo que gostaria. Há limites.

A verdade é que o tempo realmente é um recurso escasso, e que não só eu devo escolher como vou gastá-lo; mas também que, por mais que eu simplifique e priorize, ele nunca vai ser suficiente para fazer tudo que eu gostaria. Então o jeito é aceitar.

Foi mais uma vez que aprendi muito com os comentários, que me fizeram ver que eu estava encarando a questão toda da casa e do tempo de uma maneira inadequada.

A Andreia Rodrigues comentou algo que me tocou bastante: "Casa perfeita e com tudo no lugar, só em foto de revista! Casa de verdade, funciona, as coisas são usadas e isso é o normal, faz parte!".

Fiquei pensando sobre isso, e sobre como uma casa mostra sinais de que pessoas estão vivendo e fazendo várias coisas nela. E como isso na verdade é uma coisa linda, e não deve ser motivo de estresse.

Outra ideia que me fez mudar a maneira de pensar foi: "Serviço de casa não acaba nunca, mas não deve ser um fardo. É como escovar os dentes ou tomar banho.", da Lu Monte.

Realmente o cuidado da casa não é um item da minha lista de pendências que eu vou conseguir riscar, pois ele é constante. Então o jeito é ir lidando com isso de acordo com minha disponibilidade, mas sem neurose ou ansiedade.

A mesa lá de casa. Não está arrumadinha, mas não vou deixar isso me atormentar mais.

terça-feira, 31 de março de 2015

A chuva e a gratidão

Na busca para melhorarmos como pessoas e sermos mais felizes, é normal que foquemos nos problemas, já que eles precisam ser resolvidos. O que já está bem, não precisa de atenção. Então acho normal que na vida cotidiana a gente pense e foque tanto no que falta e no que não está bom.

Acredito ainda que quem nega o lado ruim das coisas, nunca vai ter a chance de trabalhá-lo e então ele continuará sempre lá, não resolvido. Mas nem por isso acho que devemos nos esquecer das coisas boas que temos. 

Nos últimos dias, tem finalmente chovido no sudeste. Estava precisando. E saber disso já diminuiu muito a raiva que às vezes eu sinto da chuva porque ela atrapalha meu dia-a-dia. Mas foi mais que isso...

Eu cheguei em casa por volta de 22:00 horas. Estava caindo uma chuva leve. Tomei banho para tirar o frio do corpo. E deitei na minha cama quentinha, debaixo do cobertor. Foi quando a gratidão bateu forte. De ter um lugar onde morar, de estar protegida da chuva dentro da minha casa, de poder dormir sem preocupações enquanto a chuva, que a essa altura já tinha aumentado bastante, caía lá fora.

É importante ser grato e não esquecer das coisas boas que temos na vida. Parece muitas vezes que não é nada demais. Mas é sim.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A questão dos presentes

O post anterior gerou muita discussão, como imaginei que aconteceria. Não irei responder os comentários, como faço sempre, já que não fui eu quem escrevi o texto; mas li todos e agradeço muito. Deu muito o que pensar...

Essa questão dos presentes tem me incomodado muito já tem um tempo. Cada vez me causa mais estranhamento demonstrar carinho pelos outros por meio de consumo. Como eu não gosto de consumir, e até evito, me incomoda os outros consumirem para mim ou eu para eles como se fosse algo bom e positivo.

Eu ainda não sei direito como agir em relação a isso. Minhas ideias ainda não estão muito bem delineadas.

Por mim, eu nunca daria e nem ganharia presentes. Eu demonstraria carinho e atenção com as minhas ações, durante o dia-a-dia, e não só por aqueles com que eu tenho uma relação próxima. Eu tento mesmo agir de acordo com que eu acho que seria melhor para a coletividade, para o mundo. Um pouco idealista, eu sei.

Mas as pessoas pensam e sentem de maneira diferente. Então não tenho como negar o valor que presentear tem para a maioria delas. E, como eu falei, tento pensar no melhor para todos. Fico então nessa situação sem saída.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ser autêntica

Uma coisa que tenho percebido é que, em geral, os europeus são bem mais diretos do que os brasileiros. Se ele te convida pra ir na casa dele, é porque ele quer que você vá à casa dele. Se ele marca um horário, é porque ele espera que você chegue naquele horário. E, se você pergunta pra ele "se ele quer alguma coisa", ele vai achar que a pergunta é genuína e pode querer, sim (vide o caso do holandês que respondeu com "sim, um belo tecido japonês para decorar minha casa").

Isso faz com que eles sejam bem menos simpáticos do que os brasileiros, claro. E é claro que tem brasileiros que são genuínos em seus convites e desejos. Mas eu acho que a gente tem toda uma cultura de "passa lá em casa" e "vamos combinar qualquer coisa" que é só palavrório. Tenho uma prima (adorável, por sinal) que, toda vez que a gente se encontra em uma festa de família, fala "vamos nos encontrar sem falta, eu te ligo esta semana". E nunca liga.

Então, como eu também nunca fui muito boa nesse jogo social, estou tentando trocar as palavras vazias por vontades verdadeiras. Até porque o "vamos combinar" é tão automático que eu não paro pra pensar se quero ficar mais próxima da pessoa. Se sim, tenho de fazer um esforço extra, né? Como ligar para a minha prima, em vez de ficar esperando que ela faça isso.

Enfim, esse papo todo é pra dizer que tenho tentado ser mais autêntica, mais em contato comigo mesmo. E ser direta com as pessoas é uma boa maneira de fazer isso. Ao mesmo tempo, quero também ter mais empatia, e acho que conhecer a mim mesma é um bom primeiro passo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Minimalismo e conforto

Eu sempre me surpreendo quando eu mudo de ideia, mesmo sendo uma pessoa bem mudadora de ideias. Isso acontece porque eu sempre acho que a última ideia é a melhor de todas, a resposta para todos os problemas, o sentido da vida. E nunca é, né?

Eu entrei no minimalismo de cabeça e virei uma minimalista espartana. Daquelas que tem o mínimo de objetos, só compra o estritamente necessário e acha que está acima de necessidades materiais tolas como, por exemplo, conforto. Precisei de vááários meses para perceber que, pra mim: 1) conforto é muito bom e 2) dá para ter conforto sem ser uma consumista desenfreada. A virtude está no meio, como dizia Aristóteles, mais de dois mil anos atrás.

O que também não quer dizer que conforto é tudo na vida, e que a gente não deva fazer nada porque vai ficar um tanto desconfortável (literal e metaforicamente). Muito antes pelo contrário: passar uns perrengues ajuda demais a valorizar o que temos. É fácil se habituar ao conforto e achar que aquilo ali não é nada demais.

Quando morei no mini-apê de 25 metros quadrados, o que mais me incomodava era a mesinha quadrada meio bamba - nenhum calço resolveu - com suas cadeirinhas anti-ergonômicas. Era a única mesa da casa, o lugar de comer e de estudar, e não tinha posição que fosse confortável. Hoje, eu acho que pode ser interessante ter uma única mesa na casa (em oposição a uma mesa de jantar, mais uma mesa na cozinha, mais uma outra no quarto de estudos/escritório, digamos) mas gostaria que ela fosse como a do apartamento em que estamos ficando agora: o tampo é largo, os pés são firmes e as cadeiras são excelentes.

E a mesa e as cadeiras ainda são em preto e branco, meu esquema cromático preferido! 
Foi muito bom termos (eu e o Leo) morado seis meses no mini-apê, para além do aspecto econômico, porque ele nos preparou para diversos tipos de estadia. Sabe, às vezes encontramos gente de férias reclamando da dureza da cama, do tamanho do travesseiro, da pressão do chuveiro. E elas não estão ficando em albergues ou em hotéis baratos - muito antes pelo contrário. E eu entendo: às vezes, as pessoas estão tão acostumadas ao conforto de seus lares, onde é tudo adaptado aos seus hábitos e vontades, que tudo que é um pouco diferente incomoda.

Então, a lição do episódio do He-man de hoje é esta: conforto é bom, mas a gente é que manda nele, não ele que manda na gente.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2015, a volta ao mundo real

Os últimos dois anos não passaram, voaram. A impressão que eu tenho é que faz só uns seis meses que eu e o Leo demos um "até logo" para a família e os amigos e começamos a viajar. Na verdade, a gente saiu do Brasil em 31 de dezembro de 2012, o que significa que... 2015 é o último ano de licença do trabalho.

Já estou começando a sentir aquele gostinho de reta final. A cabeça (e o coração) começa a dar voltas. Como é que vai ser? A gente vai se adaptar? Ou vamos ficar eternamente divididos, com um pé no Brasil e um pé fora, como contam alguns expatriados?

E mais: como fica o minimalismo? Morando longe, focando nas experiências e carregando tudo que a gente tem em duas malas, não é tão difícil evitar o consumo - e as comparações. Mas, quando voltarmos "à vida real", a tendência é cair nos padrões de antigamente - até para nos "recompensarmos" por termos voltado à rotina e ao trabalho e nos encaixarmos de novo nos relacionamentos e amizades. Não é o que a gente quer, mas o que pode acontecer se não ficarmos atentos. 

Ou seja: muita calma nesta hora. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Um pouco de história

Nessa nossa viagem, visitamos um monte de castelos, palácios e mansões. E é impossível não refletir como as pessoas mais ricas e poderosas da Idade Média, ou todo mundo menos os mais ricos e poderosos de 100 anos atrás, tinham vidas muito mais limitadas e muito menos confortáveis que a gente.

Duas palavras: água quente, gente. Água quente! E iluminação. E aquecimento. E transporte. E roupas e alimentos que vamos à loja comprar, em vez de produzir nós mesmos. Sem falar de comunicações, entretenimento, internet...

Isso não quer dizer que a gente deva ficar satisfeito da vida e largar mão de todos os projetos (sempre sou a favor da ambição), mas é legal se dar conta do que temos e ficar grato por isso.

Catarina de Médici foi rainha da França no século XVI e morava num castelo, mas não tinha luz elétrica nem água encanada.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Reflexões sobre o minimalismo e a coletividade

Quando eu comecei a estudar e a tentar colocar em prática o minimalismo, meu principal objetivo era melhorar a minha própria vida. Achava (e continuo achando) que eu seria mais feliz e mais livre assim.

Com o tempo, e as reflexões que esse novo estilo de vida me rendeu, eu comecei a perceber que uma mudança real só pode acontecer em conjunto. Para que cada um consiga trabalhar menos e viver com mais qualidade, consumir e desperdiçar menos, ter mais liberdade e menos preocupações.

Tem um limite no que dá para fazer sozinho. Para eu ficar sem carro, eu preciso ter transporte público de qualidade. Para trabalhar menos, tanto a legislação quanto as empresas precisam mudar suas regras, além de mudar a mentalidade de que quem não é workaholic ou é preguiçoso ou não gosta do trabalho. Para consumirmos menos, é preciso que existam produtos mais duráveis, que é a contramão do que está acontecendo.

Além disso, poder contar com biblioteca pública de qualidade é importante para que se deixe de comprar livros, como a Lud mesma já falou. Poder ter segurança para ir a praças e parques permite que se abra mão de um clube, ou condomínio com área de lazer. Eventos culturais gratuitos permitem que se gaste menos com entretenimento.

Cada vez tenho acreditado mais que a liberdade e o bem estar só são possíveis se forem para todos.

Engraçado que o minimalismo e o autoconhecimento tenham me dado essa noção de coletividade e comunidade.

PS: eu estou com esse post semi-escrito nos rascunhos há tempos. Ainda queria ter as ideias mais claras e articuladas antes de postar, mas estou achando que isso é construção e.. quem sabe... colocar o texto como está pode ajudar :)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Reflexões de aniversário

Ontem eu fiz 34 anos e, como pessoa que gosta de rituais que eu sou (óbvio que não de todos), curto aproveitar a data para comemorar e refletir. 

Um ano atrás, o momento para mim não era bom. Eu estava no hiato entre o emprego que eu deixei e o que eu tenho agora. Estava desgastada pelos últimos meses no trabalho anterior, e com incertezas quanto ao futuro. Apesar de ter minha reserva financeira, o que me garantia uma certa tranquilidade, eu estava ansiosa. 

Assim que saí do trabalho antigo, ter um tempo para me recuperar mental e emocionalmente foi importantíssimo. Eu precisava daquilo para conseguir me reequilibrar. Depois começaram a vir os frilas, e criei uma nova rotina. Foi muito bom, mas no fim de setembro esse formato estava se esgotando para mim. Sintia falta de me envolver mais de uma maneira mais permanente com o trabalho que eu fazia, e de algumas certezas.

Além do que, eu sou uma pessoa extrovertida, ao contrário da Lud, e um pouco tímida. Então eu sentia falta do convívio com outras pessoas no ambiente de trabalho, algo que um frila não proporciona na mesma medida.

Já este ano eu estou morando em um apartamento que montei com o companheiro que escolhi pra mim, em um trabalho que eu gosto muito e que tem muita gente legal, em paz com minha família e com meu poucos mas tão queridos amigos, praticando o tênis que tanto curto, voltei para a capoeira que me fazia muita falta, estou lendo livros e assistindo filmes e seriados que me divertem, alegram e fazem pensar... São tantas coisas que eu gosto que me falta tempo, e nisso entra o minimalismo para me ajudar a cada vez mais equilibrar essa equação. 

Eu andava um pouco desanimada nos últimos dias. Pensando aqui acho que é justamente o cansaço. Mas, ao refletir melhor sobre onde estou na vida, caí na real de que estou bem.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Introvertida ou antipática?

Andei lendo uns livros e artigos sobre introversão, e aprendi uns detalhes importantes. Embora muitas vezes a gente use a palavra "introvertido" para falar do tímido, em várias teorias psicológicas esse traço de personalidade quer dizer apenas que a pessoa se direciona mais para seu mundo interior do que para o exterior, ou que o nível de estímulo que ela aprecia é mais baixo do que o dos extrovertidos.

Isso me ajudou a me entender melhor: me reconheço como introvertida (gosto de ficar sozinha, prefiro passatempos solitários, não faço questão de companhia pra almoçar), mas ninguém em sã consciência vai dizer que sou tímida. Na escola, eu sempre corria para me escrever no teatro anual e no coro de crianças. Apresentar trabalho na frente da sala? Sou voluntária. É verdade que, adolescente, tive a fase de ficar nervosa em eventos, mas depois de ir a muitos deles, passou.

Embora sejam mais focados em seu mundo particular, isso não quer dizer que os introvertidos não gostem de pessoas. Eles gostam, sim - mas em doses moderadas. Enquanto os extrovertidos se enchem de energia e ânimo quando estão em grupos, os introvertidos - que também ficam felizes ao interagir - se sentem cansados, e precisam de um tempinho a sós para recarregar as baterias.

Sim, eu me divirto em festas - mas, quando elas acabam, vou dormir toda contente, em vez de ligar para os amigos para combinar uma esticada até o amanhecer.

Talvez o maior problema dos introvertidos seja o fato de sermos minoria: mais ou menos um quarto da população, segundo algumas projeções. Então, a chance de estarmos cercados por amigos e familiares extrovertidos, que acham que nós somos uns antipáticos - ou pelo menos uns bobos que não sabem se divertir - é grande.

Minha sorte é que o Leo também é da turma dos introvertidos. Então, não rola pressão - de nenhum dos lados - para que a gente vá pra balada, curta o carnaval ou visite Ibiza na alta temporada.

Dito isso, acho bom ter uma irmã extrovertida que me leva pra sair, me convida pra shows e me apresenta a pessoas. Depois de uns dias com ela, eu socializo o suficiente para pelo menos um semestre - e isso me deixa feliz da vida. Obrigada, Isa!

* * *

Quanto à pergunta do título do post, a resposta, é claro, poderia ser "ambos". Mas eu acho que sou até simpatiquinha.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Política é importante

Desapegar do supérfluo só faz sentido para que possamos focar no essencial. Não é? E um desses essenciais que tem sido deixado de lado com muita frequência na nossa sociedade é a participação política. 

Ela é importante. Por mais que a gente mude nossa própria vida, há um limite para o que temos poder de fazer individualmente. A única maneira de expandir nosso impacto e ajudar a criar o mundo no qual queremos viver é se envolver politicamente.

O momento é de eleições, então é fundamental que cada um pesquise, se informe e busque entender melhor sobre os candidatos, os partidos e as propostas. Entrar naquela bobagem de que político é tudo igual não resolve nada, muito pelo contrário. As decisões estão sendo tomadas e afetam a vida de cada um. Se você não votar, não estará tomando nenhuma atitude revolucionária, e sim deixando que outras pessoas escolham por você. Eu sei que não quero isso para mim.

Mas o envolvimento não pode ser restrito a esse momento, e nem apenas no acompanhamento das notícias políticas. A participação em associações, coletivos e outras mobilizações em grupo são fundamentais. É a única maneira que cada um tem de realmente participar e se fazer representar.

Imagem copiada de: http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014

PS: Não vou declarar meus candidatos aqui. Não acredito que seja o espaço para isso. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Fazer o que se ama é a mesma coisa que não trabalhar?

Sabe aquela frase "Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida"? Eu sempre desconfiei e achei que tinha uma pegadinha aí. Parecia uma coisa boa demais para o capitalismo e pouco realista para as pessoas comuns. Além disso, minha percepção subjetiva é que isso não é possível. 

Sabe... Eu adoro meu trabalho. Gosto mesmo. Sou boa no que eu faço e geralmente trabalho com alegria e entusiasmo. Mas tem dias que eu estou de saco cheio, que eu preferia dormir, ler um livro ou tomar sol. Mas aí você me pergunta: "Então por que você não arruma um trabalho que envolva ler livros no sol?". E eu respondo: "Porque vão ter dias em que eu não vou estar a fim de ler, ou de tomar sol." Só para começo de conversa...

Claro que eu acho que a gente deve trabalhar com aquilo que a gente goste, mas criar uma expectativa nas pessoas de que é possível achar um trabalho que seja só alegria e diversão todos os dias é muita pressão, e só pode criar ansiedade e frustração. A vida (e acredito que todas as profissões) tem coisas chatas. Fazer o quê?

Até profissões teoricamente super legais devem ter coisas chatas: reuniões, negociações, obrigações quando não se está a fim, burocracias... 

Parece que não tem nada que a gente possa fazer, certo? Mas eu desconfio que tem sim. 

Começa pela escolha (se for possível, porque é importante lembrar que nem todo mundo tem esse luxo) de um trabalho do qual se goste e no qual se seja bom (o que pode ser aprendido, não precisa ser uma vocação nata). E passa pela aceitação de que nem tudo no trabalho (e na vida) vai ser um mar de rosas. Assim a gente lida melhor com as dificuldades e as chatices da vida, e não fica com essa expectativa louca de felicidade constante.


Comecei a refletir sobre isso depois de ler o começo da entrevista "Só um imbecil gostaria de fazer o que não curte". Lá pro meio da entrevista eles começam a falar de outros assuntos, mas o começo é muito interessante.