terça-feira, 16 de setembro de 2014

Fazer o que se ama é a mesma coisa que não trabalhar?

Sabe aquela frase "Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida"? Eu sempre desconfiei e achei que tinha uma pegadinha aí. Parecia uma coisa boa demais para o capitalismo e pouco realista para as pessoas comuns. Além disso, minha percepção subjetiva é que isso não é possível. 

Sabe... Eu adoro meu trabalho. Gosto mesmo. Sou boa no que eu faço e geralmente trabalho com alegria e entusiasmo. Mas tem dias que eu estou de saco cheio, que eu preferia dormir, ler um livro ou tomar sol. Mas aí você me pergunta: "Então por que você não arruma um trabalho que envolva ler livros no sol?". E eu respondo: "Porque vão ter dias em que eu não vou estar a fim de ler, ou de tomar sol." Só para começo de conversa...

Claro que eu acho que a gente deve trabalhar com aquilo que a gente goste, mas criar uma expectativa nas pessoas de que é possível achar um trabalho que seja só alegria e diversão todos os dias é muita pressão, e só pode criar ansiedade e frustração. A vida (e acredito que todas as profissões) tem coisas chatas. Fazer o quê?

Até profissões teoricamente super legais devem ter coisas chatas: reuniões, negociações, obrigações quando não se está a fim, burocracias... 

Parece que não tem nada que a gente possa fazer, certo? Mas eu desconfio que tem sim. 

Começa pela escolha (se for possível, porque é importante lembrar que nem todo mundo tem esse luxo) de um trabalho do qual se goste e no qual se seja bom (o que pode ser aprendido, não precisa ser uma vocação nata). E passa pela aceitação de que nem tudo no trabalho (e na vida) vai ser um mar de rosas. Assim a gente lida melhor com as dificuldades e as chatices da vida, e não fica com essa expectativa louca de felicidade constante.


Comecei a refletir sobre isso depois de ler o começo da entrevista "Só um imbecil gostaria de fazer o que não curte". Lá pro meio da entrevista eles começam a falar de outros assuntos, mas o começo é muito interessante.

4 comentários:

  1. Concordo plenamente com você!

    Parabéns pelo blog, sempre leio ele.

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  2. Sempre senti essa pressão da "escolha", como se fosse a decisão mais importante da minha vida. E se trabalho tem a ver com amar o que se faz, escolher aquilo que se gosta mais de fazer é muito difícil, ou quase impossível...

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    1. Concordo, Aniram. Essa pressão é real mesmo.

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