terça-feira, 2 de setembro de 2014

Evitando a fadiga (e brigas desnecessárias)

Eu tinha um vizinho cuja a garagem ficava ao meu lado da minha. Um belo dia ele resolve comprar uma caminhonete gigantesca cabine dupla e colocar na vaga que foi projetada para um carro de passeio.

Começou a ficar muito difícil sair da minha vaga. Eu tinha que manobrar umas três vezes. Mas tudo bem. É a vida de quem vive (e convive) em sociedade.

Eis que um dia, ele deixou um bilhete mal humorado no meu carro dizendo que eu estava estacionando muito para a frente da minha vaga e que estava atrapalhando-o a sair.

Na hora, meu primeiro impulso foi de raiva. Primeiro porque eu estava parando dentro do espaço demarcado, e tinha uma pilastra do meu lado que o atrapalharia de qualquer jeito. Segundo que era eu quem tinha direito de reclamar, mas estava me contendo. Terceiro que ele devia ter pensado na dificuldade de estacionar antes de comprar o dito carro enorme.

Enfim... Fui trabalhar, contendo minha raiva e meus planos maquiavélicos. Depois de um tempo, pensei: para quê caçar confusão?

Claramente o vizinho estava tentando descontar a raiva de não conseguir parar o carro em mim. Se eu descontasse a minha nele, íamos entrar um ciclo sem fim.

Na volta para casa, deixei um bilhete no carro dele dizendo que eu estava parando dentro da área demarcada, mas se estava atrapalhando mesmo assim eu ia me esforçar para parar mais atrás. Pedi desculpas. E pronto.

Ele estava com a razão? Não. Não era o meu carro que estava atrapalhando-o. Além disso, ele podia ter me interfonado ou deixado um bilhete menos grosseiro. Mas valeria a pena eu ter arrumado briga porque eu estava com a razão ou feito picuinha parando o carro mais para a frente ainda no limite da marca (confesso que eu pensei em fazer isso)? Também não.

Essa é uma daquelas histórias que poderia ter virado uma batalha entre vizinhos, com muitos capítulos chatos e estressantes. Mas ao invés disso, a história acabou aí. Com o tempo, ele deve ter aprendido a manobrar a caminhonete gigante. Depois ainda, eu meu mudei.

Hoje eu tento me lembrar dessa história sempre que surge uma situação semelhante. É preciso escolher as batalhas, desapegar de estar com a razão e conservar energias (e tempo) para o que realmente vale a pena.

9 comentários:

  1. Boa, Fernanda! Tenho que aprender com vc! ;)

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    1. Nem sempre eu consigo, mas estou tentando aprender com meus erros e acertos também. Hehe...

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  2. Super bacana essa sua partilha! Acho que algumas coisas não valem a dor de cabeça e o stress. As vezes é melhor deixar pra lá...

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    1. Ei, Bruna. Pois é... Eu me senti tão bem depois do ocorrido por ter conseguido me controlar e evitar tanta dor de cabeça boba...

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  3. Sabe o "perde o amigo, mas não a piada"? Eu era do tipo "perco a amizade, mas não perco o sempre estar certa". Não vou dizer que me curei, mas venho tentando mudar esse horrível "hábito". E gente, como é difícil!

    "Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil."

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    1. Ei, Andrea. Eu tenho tentado ser mais tranquila com isso também. Na verdade, o que mais me facilitou deixar de me importar em estar certa para os outros foi quando eu resolvi parar de julgar se os outros estavam certos ou errados. Eu fui percebendo como esse tipo de julgamento é bobo, tanto quando é feito por mim quanto direcionado para mim :)

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  4. Difícli hein? 90% das pessoas não conseguiriam fazer isso, de deixar pra lá, foi a atitude mais sábia. Uma lição mesmo.

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    1. Nem sempre eu consigo também, mas daqui para a frente eu vou tentar sempre lembrar de como foi bom deixar pra lá quando alguma situação semelhante acontecer :)

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