quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Afinal, o que é ser você mesmo?

A gente vive sendo incentivado a buscar nosso verdadeiro eu, a seguir o coração, a ser a gente mesmo. Sempre fico me perguntando o que seria essa essência do meu ser e não consigo encontrá-la.

Acho que cada um de nós é tanta coisa. Além disso, estamos sempre mudando. Aprendendo com os erros, com os acertos, com os estudos e com os outros. Adequando-se às circunstâncias da vida, às pessoas com que mais convivemos e aos ambientes que frequentamos. 

Mais importante ainda acho as mudanças que a gente opera em nós mesmos por vontade própria. Além das várias mudanças práticas na minha vida com o minimalismo, acho que a maior delas é interna. Eu acredito tanto que um mundo com menos excessos individuais e mais igualdade para todos seria melhor! Fico então muito feliz de praticar aquilo que eu acredito. Sabe aquela de "seja a mudança que você quer no mundo"?

Sempre quando vejo essa dica de seja você mesmo ou então alguém tentando encontrar seu verdadeiro eu, lembro de duas coisas:

1. Deste texto maravilhoso do Alex Castro: “alex, como faço para ser uma pessoa melhor?”.

2. Da cena abaixo do antiquíssimo e quase desconhecido seriado My So-Called Life, com uma Claire Danes adolescente, que foi ao ar em 1995 quando eu tinha a mesma idade da personagem. Essa cena me marcou tanto que eu lembro dela até hoje com frequência:

"As pessoas sempre dizem que você deve ser você mesmo. Como se você mesmo fosse essa coisa definida, como uma torradeira ou coisa parecida."

22 comentários:

  1. Oi Fernanda,

    Eu acho que o "seja você mesmo" é mais no sentido de dizer imediatamente o que você pensa, sem analisar nem o porquê de você estar reagindo assim, nem pensar nas consequências. O que, normalmente, é péssimo para as relações com os outros, que, muitas vezes, não estão assim tão interessados no que a gente está pensando.

    Bem, tirando isso, eu mudo hábitos, já mudei muito a minha forma de pensar sobre alguns assuntos, mas não acredito que a gente consiga mudar tudo no nosso jeito de ser. A minha maior dificuldade da vida adulta foi justamente aceitar algumas coisas em mim e parar de tentar ser outra pessoa.

    Por exemplo, eu acredito em levar uma vida mais simples, mas não quero que isso vire um dogma, tipo eu querer fazer coisas nesse sentido que no final vão deixar minha vida pior. Usar carro é um exemplo clássico, eu queria não depender do carro, mas isso ia piorar tanto a minha vida que é uma mudança sem sentido. Então aceitei que tenho que usar o carro, mesmo que eu ache que uma vida simples não combina com isso.

    bj, Daniela

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    1. Ei, Daniela!

      O carro ainda é necessário para mim também, mas eu gostaria de não precisar dele no futuro. Estou tentando arrumar uma maneira, mas a região onde eu trabalho é muito cara para morar. Enfim... Estou pensando.

      Sobre o ser você mesmo ser no sentido de dizer o que pensa, eu acho que é mais para o lado do que o Alex disse no post que eu linkei. E nesse sentido inclusive eu acho que nem sempre é legal a gente dizer a primeira coisa que vem à nossa cabeça, porque podemos ofender os outros, entre outras coisas.

      Enfim... Muitas coisas para pensar. Hehe...

      Beijo!

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    2. Eu AMO meu carro. Fala sério, eu quero uma vida mais simples, mas acho que tem gente que exagera. Passei muito sufoco andando de ônibus e metro superlotados em Sampa. Hoje vivo numa cidade menor e posso ir trabalhar dirigindo. Não abro mão.

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    3. Olá! Parece ter feito uma troca boa mesmo. Também acho que tem muita gente que exagera, mas não julgo. Cada um vive como acha melhor.

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  2. Muito legal essa sua reflexão. Não sei se agora é que comecei a procurar esse tipo de assunto que comecei a encontrar matérias muito bacanas sobre o assunto. Acho tão bacana ver que tem muita gente fugindo dessa massificação das coisas, seja da maneira de se comportar, de se vestir, de se relacionar com os outros... O ser humano DEVE querer ser diferente mesmo. Somos pessoas únicas, não sei porque as pessoas insistem em se comparar com os outros, sendo que vieram de histórias diferentes! Tão bom e bonito e legal ser diferente...

    Sei que nunca vou me descobrir por completo, pois estamos em constante mudança e isso que é interessante: mudar, melhorar, aprimorar e tornar a nossa melhor versão!

    :)

    Abraço!

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    1. Adorei o que você disse, Bruna. Concordo demais. Obrigada pelas palavras inspiradoras.
      Abração!

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  3. Boa e profunda pergunta né, Fernanda? Eu me pergunto constantemente, e a cada vez, encontro respostas diferentes e que vão se somando. Assim, sinto que a cada dia me conheço um pouco mais. Eu adoro este texto do Osho:
    "Simplesmente seja você mesmo e isso é o bastante.

    Você é aceito pelo sol,
    você é aceito pelas estrelas,
    você é aceito por todo este universo.

    Você é aceito pelo oceano,
    você é aceito pela terra,
    você é aceito pelas árvores.
    Simplesmente deleite-se neles.

    Aceite humildemente sua imperfeição,
    suas fraquezas,
    seus fracassos.
    Não há necessidade de fingir o contrário.

    Seja simplesmente você mesmo.
    "É assim que eu sou",
    o que há de errado nisso?
    Você é simplesmente humano.

    Quando você se aceita,
    você é capaz de aceitar os outros.
    Aceitando-os,
    você irá ajudá-los a aceitar a si mesmos.

    Podemos provocar esta mudança:
    você se aceita e aceita os outros.
    E porque alguém os aceita,
    eles aprendem quanta paz se sente,
    e começam a aceitar os outros.

    Se a humanidade toda chegar a esse ponto
    em que cada um seja aceito,
    boa parte da infelicidade irá simplesmente desaparecer,
    os corações se abrirão
    e o amor estará fluindo."

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    1. Tenho tantos pensamos contraditórios em relação a essa questão da aceitação. Porque acho importante mesmo a gente ficar em paz com nós mesmos, mas isso não quer dizer que a gente não deva tentar ser uma pessoa melhor, de acordo com o que a gente mesmo acredita. Por exemplo, eu já fui uma pessoa muito crítica com os outros, mas venho tentando trabalhar isso porque faz mal para mim e para as pessoas ao meu redor. Do mesmo jeito que eu adoro comer doce, mas meu colesterol tende a ser alto então eu tenho que me controlar para não ter veias entupidas e tal. Acho melhor do que simplesmente aceitar isso, entende? Mas ao mesmo tempo é importante aceitar certos limites que temos. É um equilíbrio delicado, mas que eu acho importante buscar, sabe?

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    2. entendo, fiquei pensando depois que li seu comentário. eu não tinha pensando que nós também podemos ser o que queremos ser... eu sei que sou perfeccionista e isso algumas vezes me atrapalha, já que às vezes não termino uma tarefa porque ela não está perfeita, então eu posso mudar isso, não é? não dá para simplesmente aceitar... eu acho que você tem razão... :0)

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    3. Foram 3 anos de terapia para aprender isso, Andreia. Hehe...

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    4. Mas eu vejo a aceitação como parte da mudança. Porque a única forma de mudar algo em mim é aceitando que ela faz parte de mim. E é incrível como assumir e até aceitar, literalmente, ajuda no processo de mudar. Acho que tira a cobrança, a culpa e felizes com nós mesmos fica mais fácil promover essas mudanças.

      É como na perca de peso, ao aceitar o corpo que temos e conseguimos estar bem com isso por saber que não dá para perder tudo de uma vez, facilita muito o processo.

      Fez sentido para vocês?

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    5. Faz sentido sim, Rô. É só saber reconhecer esse limite entre aceitação e comodismo, o que nem sempre é fácil, mas talvez seja possível :)

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  4. Oi Fernanda! Concordo contigo, nós somos muita coisa. Acredito que somos seres em constante transformação, sempre aprendendo, mudando de hábitos, mudando de opinião. A questão é sempre manter-se fiel a si mesmo, vivendo do jeito que te deixa feliz, faz bem e respeita os outros. Talvez estejamos sempre em busca de ser nós mesmos, do nosso verdadeiro eu e talvez o segredo esteja justamente em nunca parar de buscar.
    Abraços!

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    1. Ei, Letícia! Pois é... Eu tenho problemas com essa noção de verdadeiro eu porque acho que isso não existe muito. Essa busca aí que você falou reflete isso. E o que te deixa feliz, faz bem e respeita os outros nem sempre é a mesma coisa e muitas vezes isso entra em conflito. Eu não acredito que essa essência do nosso ser exista, mas que somos essa construção constante mesmo, entende?
      Abração!

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  5. O que me fez recordar! Off topic quase, mas Essa serie recordo bem por causa do jared leto :) Só mais tarde ele voltou a aparecer com os 30 seconds to mars..

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    1. Isso mesmo, Sara! Eu era apaixonada por ele na época! Hehe...

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  6. Me fez lembrar de uma palestrante de Sta Catarina com quem tive contato algumas vezes. Quando a pessoa vinha com essa conversa de "eu sou assim, eu sou eu mesmo", ela respondia de forma bem-humorada: "mas porque fazes tanta questão de ser tu mesmo, qdo podias muito bem ser alguém melhorzinho?"

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    1. Hehehe... Uma forma bem-humorada de encarar essa ideia. Gostei. Obrigada por compartilhar :)

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  7. Oi! Acompanho o blog desde o primeiro post, adoro, mas nunca comentei... Vocês estão de parabéns!
    O que eu queria mesmo dizer é que eu amava esse seriado e também me identificava muitas vezes com a Angela Chase!
    Abraços,
    Sua xará Fernanda

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    1. Muito obrigada, xará :)
      O seriado era muito legal, não é? Eu fui rever agora adulta e só então lembrei como ele me marcou na época.
      Abração!

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  8. Ótimo o texto desse Alex Castro!

    "Poucos conselhos são mais canalhas do que o clássico “seja você mesmo”. A maioria dos problemas do mundo veio de gente que estava simplesmente sendo si próprio. Mais importante do que “ser você mesmo” é ser quem você quer ser."

    Tapa na cara total, haha...

    Gost do Viktor Frankl, e adoro aquela metáfora dele de que "o ser humano é como um olho. É feito para enxergar fora de si, quando passa a enxergar a si mesmo, é pq está doente".

    Boa noite! =)

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    1. Muito bom, não é? Eu gosto de várias coisas que ele escreve, mas esse texto em especial me marcou muito.
      Adorei a metáfora. Não conhecia. Obrigada mais uma vez por compartilhar :)
      Beijo!

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